Mais que uma Noite
(Penny Jordan)
Ttulo original: A perfect night
Saga da Famlia Crighton - 08

Copyright (c) 2000 by Penny Jordan
Originalmente publicado em 2000 pela Silhouette Books, diviso da Harlequin Enterprises Limited.
Copyright para a lngua portuguesa: 2000 EDITORA NOVA CULTURAL LTDA.
Digitalizao: Polyana
Reviso: Melissa

       RESUMO: Foi uma noite inesquecvel... Mas ela queria mais
       Katie Crighton havia sido convencida a voltar para casa e assumir seu lugar nos negcios da famlia, mas sentia-se como uma estranha, j que a maioria de 
suas amigas estavam felizes e casadas, enquanto ela permanecia virgem.
       Sebastian Cooke possuia uma estonteante energia sexual e representava uma perigosa tentao para a inocncia de Katie. Ele a provocou e seduziu at que ela 
no pde mais resistir. Os dois passaram juntos uma noite perfeita - que deixou Katie querendo muito mais...
       PRLOGO
       
       A famlia Crighton
       Ben Crightom Orgulhoso patriarca da famlia, um homem de personalidade forte e que, com mais de oitenta anos. continua determinado a ver sua famlia crescer 
e prosperar.
       Ruth Reynolds: irm de Ben, uma mulher vibrante que voltou a viver com Grant, seu marido, de quem fora tragicamente separada durante a Segunda Guerra Mundial.
       Maddy e Max Crighton: Maddy desabrochou desde que reconciliou-se com seu marido, Max, que finalmente descobriu em si mesmo um adorvel homem de famlia.
       Jon e Jenny Crighton: Um casal estvel e preocupado com a famlia, Jon cuida do escritrio de advocacia dos Crighton junto com sua sobrinha, Olvia Crighton.
       Chrissie e Guy Cooke: Guy, que no passado fora scio de Jenny em uma loja de antiguidades, possui uma personalidade totalmente diferente da de sua gentil 
esposa, Chrissie. Mas o casamento dos dois d todas as provas de ser feliz e cheio de amor. A famlia Cooke era to conhecida em Haslewick como a dos Crighton. Como 
seus ancestrais ciganos, os homens Cooke tm a reputao de serem sedutores implacveis.
       Louise e Gareth Sinimonds: Desde seu casamento, Louise vira sua relao com a irm gmea, Katie, deteriorar-se. Mas Louise est desesperada para reatar os 
laos entre elas.
       Katie Crighton: Quando sua irm gmea se casou com o homem que Katie amara por anos em segredo, ela ficou envergonhada demais para permanecer no convivio 
familiar. Mas agora est retornando para casa, e ser confrontada com um homem que lhe despertar emoes muito intensas.
       Sebastian Cooke: Primo de Guy, sente-se incomodado com a aura escandalosa que sempre envolveu sua famlia. Determinado, transformou-se num bem-sucedido pesquisador. 
Mas ele possui todos os genes dos Cooke para tornar-se um desafio potencial e sexualmente perigoso para Katie Crighton.
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       CAPITULO I
       
       Quando Seb atravessou a placa com os dizeres "Haslewich - Por favor, dirija com cuidado", estava envolto por uma desanimadora nuvem de autocrtica e desapontamento, 
ainda que o retorno a seu local de nascimento pudesse ser considerado triunfal.
       Aos trinta e oito anos, estava no auge de sua carreira, e acabara de ser contratado por um laboratrio farmacutico internacional, o Aarlston-Becker, para 
chefiar seu departamento de pesquisas. Nada que amedrontasse o homem que, quando menino, fora menosprezado pelos professores como sendo "apenas mais um subproduto 
sem futuro do cl dos Cooke".
       Seb acumulara sua fortuna trabalhando arduamente e investindo-a com inteligncia. E possua uma famlia que, apesar de no encontr-lo havia muitos anos, 
estava ansiosa para bem recepcion-lo em sua volta ao lar. Tudo aquilo certamente contaria preciosos pontos positivos na vida de qualquer pessoa.
       Mas Seb considerava que ainda precisava de muitos outros para contrabalanar com os aspectos negativos de sua vida.
       - Que aspectos negativos? - seu primo Guy Cooke havia perguntado quando os dois discutiram os motivos que o impediam de voltar.
       -  Que tal um casamento equivocado seguido de um mais do que previsvel divrcio?
       Guy ergueu as sobrancelhas numa expresso de menosprezo.
       - O divrcio no  mais considerado um pecado social, Seb, e pelo que nos disse, sua ex-mulher est feliz ao lado do novo marido, e vocs dois at que se 
entendem bem.
       - Claro, o divrcio foi a melhor coisa que aconteceu tanto para mim como para Sandra. No, no  o fato de termos nos casado muito cedo, e pelos motivos errados, 
que faz com que eu me sinta mal.
       Depois de uma breve pausa, ele fez uma careta antes de continuar:
       - Sandy sempre dizia que eu no passava de um bastardo egosta, incapaz de ser um bom marido, ou bom pai, por estar muito envolvido com minha carreira. Naquele 
tempo achava sem sentido aquela maneira de pensar. Afinal de contas, eu estava trabalhando para lhe proporcionar um bom nvel de vida. Pelo menos era isso que costumava 
dizer para ela, e para mim mesmo. Mas  claro que isso era s uma desculpa para no admitir que ela estava certa. Eu era egosta, e a nsia com que me entregava 
 descoberta de novas drogas era uma forma de me sentir mais importante. Assim, obtinha muito mais prazer no trabalho do que ficando ao lado de minha esposa.
       Guy e sua esposa, Chrissie, que segurava o pequeno filho no colo carinhosamente, eram o retrato de uma famlia feliz. Mas os dois no conseguiam enganar Seb. 
Era claro que tambm deviam consider-lo um homem egosta. Como poderiam pensar de outra forma? Seb via todo o comprometimento de Guy com sua prpria famlia.
       -  Mas ao menos voc poder se aproximar mais de sua filha agora - Chrissie relembrou-o com gentileza.
       - Sim, graas  maturidade de Charlotte, e no a qualquer boa ao da minha parte - Seb retrucou. Em seguida, acrescentou: - Afinal de contas, ela poderia 
muito bem ter se recusado a me ver quando lhe escrevi perguntando se poderia fazer parte de sua vida novamente. O segundo marido de Sandra, George,  um pai muito 
melhor do que eu para ela.
       - Talvez seja assim do ponto de vista prtico - Guy observou. - Mas voc  seu pai biolgico, e a semelhana entre vocs  imensa. Qualquer um pode perceber 
isso.
       -  Oh, sim, ela tem todos os meus genes, a comear pela aparncia - ele concordou.
       -  E segundo dizem, tambm herdou sua inteligncia - Chrissie comentou rindo.
       - Bem, conheci Sandra na universidade, ento acredito que a inteligncia de Charlotte  fruto de ns dois. Mas confesso que fiquei surpreso quando ela me 
disse que pretende seguir a mesma carreira que eu.
       - E agora que ela vai estudar num colgio perto de Manchester, voc poder v-la mais constantemente.
       - Espero que sim - Seb murmurou. - Mas ela est com dezesseis anos. J  quase uma adulta, e agora tem sua prpria vida e seus amigos. Sandra disse que Charlotte 
ficou mais aliviada ao saber que estarei por perto para passar os fins de semana com ela, especialmente agora que eles pretendem viajar para o exterior.
       - Bem, ns vamos adorar encontrar Charlotte - Chrissie assegurou com gentileza. - Ainda que eu suspeite que ela v se sentir intimidada pela curiosidade que 
o cl dos Cooke ainda desperta por aqui.
       O cl dos Cooke. Como Seb havia odiado e lutado contra o peso da reputao de sua famlia quando era mais novo. Naquela poca, ele no sabia que o prprio 
Guy tambm estava travando uma guerra pessoal entre seus prprios sonhos e as expectativas da cidade. Mas ento Guy havia conhecido Chrissie, que o ajudara a fazer 
as pazes com a histria de sua famlia e com as tristes recordaes da infncia.
       Seb tinha conscincia de que sem o incentivo de ter Charlotte em um colgio nas cercanias de Manchester ele jamais voltaria para sua cidade natal. A pequena 
Haslewich onde, conforme dizia a lenda, sua famlia havia se originado depois que um membro de um bando de ciganos romenos seduzira uma das garotas locais.
       Todos os descendentes daquela primeira unio haviam herdado a reputao de foras-da-lei o baderneiros. Durante muito tempo, esse estigma foi bastante conveniente 
para a populao local, que costumava atribuir aos Cooke todos os pequenos crimes que aconteciam na cidade.
       Mas esses dias faziam parte de um passado distante, e com o passar dos anos as inevitveis relaes entre as famlias e o crescimento da cidade haviam sepultado 
a crena de que os Cooke no passavam de um cl de baderneiros, de quem todos tinham medo e desconfiavam.
       Entretanto, o sensual estilo de vida dos ancestrais da famlia Cooke deixara sua marca no inconsciente coletivo da cidade. Com isso, todos os homens da famlia 
possuam em seus olhos escuros um tipo de brilho que tanto as mes como as jovens impressionveis consideravam perigoso.
       Desde criana, Seb desejou escapar das restries da vida em uma cidade pequena, onde todos se conheciam. Planejava quebrar o telhado de vidro de expectativas 
e reservas colocado sobre ele apenas por causa do sobrenome que carregava. O profundo interesse e fascinao pelos problemas genticos nas plantaes da famlia 
haviam-no ajudado a escolher sua carreira, no que fora entusiasticamente apoiado e encorajado pelo av.
       A universidade o libertara das restries impostas pela cidade pequena, mas o levara a concentrar-se cada vez mais em sua carreira, em detrimento de suas 
relaes pessoais.
       Mas recentemente, Seb ouvira sem querer um comentrio de uma de suas colegas de trabalho, que o fizera perceber os erros que cometera.
       - Ele no v a filha h mais de dez anos. Voc acredita nisso?
       - Isso acontece - a outra mulher argumentara. - Homens divorciados costumam perder contato com seus filhos,
       -  Eu sei, mas Seb nem mesmo parece se importar. Ser que ele no tem sentimentos?
       Naquela noite, sozinho em seu apartamento vazio, Seb no conseguira esquecer-se do dilogo, e comeara a fazer-se a mesma pergunta.
       E a resposta o deixara chocado.
       Sim, ele se importara, mais do que poderia pensar, e se importara ainda mais depois daquele fatdico primeiro encontro com Charlotte, quando constatara que, 
no s por sua aparncia, mas tambm por sua personalidade, a filha era muito parecida com ele. Naquele dia, sentira seu corao partir-se pelo remorso.
       No havia sido uma tarefa fcil construir uma ponte para aproximar-se dela, conseguindo derrubar a barreira que a menina naturalmente erguera em torno de 
si. Charlotte se comportara de forma superficial e amigvel, mas Seb no tinha dvida de que, no fundo, estava extremamente desconfiada dele. E quem poderia culp-la? 
Aquilo acontecera trs anos antes, e agora Seb j fazia parte da vida da filha. O que no o impedia de sentir medo de que nada poderia reparar totalmente o erro 
que cometera no passado.
       Sandra, sua ex-mulher, tivera outros dois filhos com seu segundo marido, e ento Charlotte passara a fazer parte de uma famlia feliz. Mas ela tambm era 
filha de Seb e, como ele, uma Cooke.
       -  Todos esses parentes! - ela havia exclamado maravilhada ao visitar a cidade com o pai. - No acredito nisso. Parece que somos parentes de metade da populao...
       -  o que dizem - Seb concordou com frieza. Mas diferente dele, Charlotte parecia deliciada com a herana da famlia.
       -  As coisas mudaram nos ltimos tempos - Guy havia argumentado. - Muitas famlias novas chegaram na cidade, fazendo-a crescer bastante com a abertura de 
diferentes tipos de empresas.
       -  Mas as mulheres da famlia Cooke so exemplos locais de independncia e participao - Guy continuou. - Algumas participam da Cmara Municipal, enquanto 
outras gerenciam seus prprios negcios. Desde cedo, todas ensinam os filhos a se orgulharem da dinastia Cooke.  claro que existem muitas "crianas Cooke" na Casa 
Ruth Crighton de Amparo  Me e  Criana, mas elas esto ligadas  famlia pelos pais, e no pelas mes. As mulheres Cooke so exemplos de determinao e fora, 
alm de trabalhadoras natas.
       Seb conhecia toda a histria dos Crighton. Quem era capaz de viver em Haslewich e no saber? O nome dos Crighton servia de referncia para toda a cidade, 
mesmo que eles pudessem ser considerados relativamente novos em Haslewich, pois haviam chegado apenas na virada do sculo.
       Chrissie tambm vinha da famlia Crighton, apesar de s haver descoberto isso depois de envolver-se com Guy.
       Jon Crighton era o scio majoritrio da empresa de advocacia da famlia. Olvia, sua sobrinha, filha de seu irmo gmeo David, tambm participava da sociedade. 
David era um homem cercado de mistrios, e havia desaparecido da cidade em circunstncias muito estranhas. O pai de Jon e David vivia em uma grande casa em estilo 
elisabetano nas cercanias da cidade junto com Max Crighton, o filho mais velho de Jon e Jenny, sua mulher e as crianas.
       Max era a menina dos olhos de seu av e, para maior orgulho de Ben Crighton, trabalhava como advogado na corte de Chester, junto com Luke e James Crighton, 
filhos do primo de Ben, chamado Henry.
       Os Crighton eram originrios de Chester, mas um desentendimento familiar levara Josiah, o pai de Ben, a sair de Chester para estabelecer seu escritrio de 
advocacia em Haslewich. Uma certa rivalidade entre as duas ramificaes da famlia continuava a existir mesmo depois de tanto tempo.
       Jenny Crighton, a mulher de Jon, havia sido scia de Guy durante algum tempo em uma loja de antiguidades em Haslewch. Mas os compromissos familiares a fizeram 
desistir de sua parte na empresa, e Guy prontamente a adquirira, tornando-se o nico proprietrio.
       Na verdade, Guy havia recomendado que Seb procurasse Jon Crighton para ajud-lo a encontrar uma casa na cidade. O homem seria capaz de cuidar de todos os 
aspectos legais da compra.
       - Os imveis custam muito caro em Haslewich - Guy o avisou. - Devemos agradecer a Aarlston-Becker por isso. No que possamos reclamar, pois a indstria trouxe 
prosperidade e desenvolvimento para a regio. Ainda que algumas pessoas insistam que sua presena  uma ameaa para a cidade.
       "Seb engatou a marcha assim que o trnsito comeou a mover-se lentamente, e entrou na zona urbana de Haslewich. Ele acreditara que o fato de tentar reconstruir 
seu relacionamento com Charlotte seria suficiente para apagar o resto de culpa que ainda sentia pelos desentendimentos com o prprio pai, mas retornar quela cidade 
trouxera  tona uma srie de memrias dolorosas.
       -  O que voc precisa, papai,  se apaixonar - Charlotte havia dito a ele alguns meses antes. E ainda que fizesse o comentrio rindo, Seb pudera perceber 
pelos seus olhos que a garota falava seriamente.
       -  Paixo  uma coisa para pessoas de sua idade - Seb argumentara friamente.
       - Por que o senhor nunca se casou de novo? - ela perguntou com suavidade.
       - Ser que preciso responder? - Seb retrucou com sarcasmo. - Afinal de contas, voc foi testemunha ocular das besteiras que fiz da primeira vez. - Ele balanou 
a cabea negativamente. - No Lottie, sou muito egosta e muito centrado um minha prpria vida. O amor no foi feito para mim.
       - Voc no  egosta, papai, apenas pensa que ! - Charlotte corrigiu-o, acrescentando em seguida, com surpreendente maturidade: - O senhor apenas est se 
punindo porque se sente culpado em relao a mim. Bem, no se culpe. Eu no tinha nem dois anos quando voc e mame se separaram, e ela j havia se casado com George 
quando completei trs anos. No experimentei o trauma de separar-me de meus pais, e mame me disse que ficou muito grata por voc ter-se afastado, permitindo que 
George cuidasse de mim.
       -  Ento voc est me dizendo... que lhe fiz um bem ao ignorar minhas responsabilidades de pai? - Seb perguntou chocado. - Que meu egosmo foi muito bem-vindo?
       -  No, claro que no. Mas ao menos ultimamente temos conseguido nos comportar como pai e filha. Agora eu sei que o senhor me ama - ela acrescentou com um 
suspiro suave.
       Sim, ele a amava muito. Mas Seb admitiu honestamente para si mesmo que por muitos anos ficara to centrado na prpria vida que fora incapaz de preocupar-se 
com a prpria filha, ou mesmo de sentir-se culpado por seu egosmo. Casar-se de novo? Apaixonar-se?
       Ele praguejou irritado quando uma jovem comeou a atravessar a rua a sua frente sem olhar para os lados, obrigando-o a frear o carro bruscamente. Quando os 
pneus guincharam e o carro parou a poucos passos de distncia, a moa virou a cabea e encarou Seb com uma expresso aterrorizada.
       Seb ficou impressionado com a beleza dela. Seus olhos selvagens conferiam um toque picante  face delicada, e os cabelos levemente despenteados pela brisa 
conferia mais graa ao conjunto. Pequena e delgada, ela usava uma saia marrom de modelo envelope e um top de seda na cor creme,
       A roupa elegante e feminina dava um toque de luminosidade a seus braos e pernas descobertos. Mas assim que a mente de Seb digeriu todas aquelas informaes, 
o nico sentimento que ele conseguiu distinguir foi uma ansiedade muito prxima da raiva.
       No que aquela mulher estava pensando para atravessar a rua daquela forma? Ser que no percebera o que poderia causar? A avenida principal da cidade ficava 
lotada de pedestres, e se os freios do carro de Seb tivessem falhado o acidente poderia ter sido bem grave.
         Ainda que a moa parecesse chocada, no havia nem um pingo de culpa em seus olhos. Ao invs disso, um brilho acusatrio no olhar, como se Seb fosse o culpado 
pela tolice que cometera.
       Por um segundo, parecera at que ela pretendia continuar seu trajeto, terminando de atravessar a rua como se nada tivesse acontecido. Mas o motorista do carro 
que vinha atrs de Seb buzinou com impacincia, e ento ela hesitou por um momento, terminando por voltar para a calada. No sem antes dirigir a Seb um olhar desafiador.
       To enfurecido pelo comportamento da moa como ela parecia estar com o seu, Seb lanou um olhar fulminante em sua direo antes de colocar seu carro novamente 
em movimento.
       Enquanto caminhava pela avenida principal de Haslewich, Katie sentia sobre si uma grande nuvem de infelicidade, que servia para obscurecer o que deveria ser 
uma feliz e esperanosa volta ao lar.
       Estava com vinte e quatro anos de idade, gozava de excelente sade e tinha uma promissora carreira de advogada pela frente. Recentemente, seu pai e sua prima 
no haviam apenas convidado, mas sim implorado para que ela ingressasse no escritrio de advocacia da famlia. E ainda tivera a satisfao de voltar a encontrar 
com seu irmo mais velho, que soubera como ningum mais na famlia usar argumentos para persuadi-la a voltar.
       - Papai precisa de voc, Katie. - Max havia observado.
       - Eles esto sobrecarregados de trabalho, e todos ns sabemos como o vov reagiria se papai sugerisse que oferecessem sociedade a algum que no  da famlia 
Crighton. Alm disso, voc tambm sabe, to bem quanto eu, o quanto  difcil conseguir um advogado de talento que aceite trabalhar numa firma sem ter alguma garantia 
de que poder tornar-se scio no futuro.  por isso que se voc for trabalhar na firma estar resolvendo um grande problema. Sabemos que voc ainda  jovem e inexperiente, 
Katie, mas se voltar para Haslewich ter uma participao na sociedade num futuro bem prximo.
       - Sei de tudo isso, Max- Kate havia concordado calmamente.
       - Mas voc parece esquecer que eu j tenho um trabalho.
       -  Eu sei que tem - Max retrucou. - Mas no sou cego, e sei que algo no vai bem em sua vida, Katie. Veja bem, no quero me intrometer, nem posar de irmo 
protetor, depois de ter praticamente ignorado voc e Louise quando estavam crescendo. O que estou querendo dizer  que algumas pessoas gostam de ficar sozinhas e 
levar uma vida independente, e outras precisam ter o conforto e o carinho da famlia sempre por perto. E ns dois sabemos que  nesse ltimo tipo que voc se encaixa. 
Aquilo era verdade. Louise, a irm gmea de Katie, era do tipo que sempre preferira a independncia. Mas mal a havia conquistado quando ficara completamente apaixonada 
por Gareth.
       Louise e Gareth.
       Katie fechou os olhos, agradecida por ningum conhecer seu vergonhoso segredo. No fazia a menor diferena se ela se apaixonara por Gareth muito tempo antes 
de Louise. E a razo para isso no fazer diferena no era apenas o fato de sua querida irm amar o marido desesperadamente, mas tambm porque Gareth nunca amara 
Katie... Gareth amava sua esposa. Katie aceitara estoicamente o sofrimento que a vida lhe impusera, e usava o grande volume de trabalho para justificar as visitas 
cada vez menos frequentes que fazia  famlia, e os ainda mais escassos encontros com a prpria irm. E assim agira at que outro golpe do destino a atingisse.
       E o responsvel por esse novo golpe fora seu chefe, para quem ela sempre trabalhara desde que ingressara na defensoria pblica, depois de haver concludo 
a universidade.
       Katie fechou os olhos sem interromper sua caminhada. Desde a primeira vez em que haviam se encontrado considerara Jeremy Stafford um homem charmoso e inacessvel. 
Era por isso que no conseguia entender o que acontecera. ,
       Quando ele comeara a pedir para que ela ficasse trabalhando at mais tarde Katie sentira-se at mesmo lisonjeada, julgando que ele a considerava capaz de 
ajud-lo no importante trabalho de auxlio s comunidades mais carentes.
       Da primeira vez que Jeremy sugerira um jantar a dois como "recompensa" pelo trabalho duro, Katie aceitara o convite com alegria, incapaz de desconfiar de 
qualquer coisa. Agora sabia que havia sido muito tola, mas pela forma como o chefe sempre falava da mulher e dos filhos pequenos, julgava que ele era muito feliz 
no casamento, incapaz de sequer pensar em traio...
       No entanto, Jeremy no s fora capaz de pensar, como partira para a ao.
       Depois de um de seus jantares "de recompensa" ele a abraara, quando estavam deixando o restaurante, e tentara beij-la. Katie o rejeitara imediatamente, 
mas percebera estupefata que em vez de desculpar-se ele passara a acus-la de fugir depois de hav-lo provocado.
       Naturalmente, depois disso no aconteceram mais jantares ntimos, ou mesmo seres de trabalho. Em consequncia, ela passou a ser hostilizada, e at prejudicada 
no escritrio. Jeremy passou a reclamar do desaparecimento de relatrios que Katie tinha certeza de haver arquivado, acusando-a de erros que ela sabia que no cometera.
       Katie no tinha inteno de contar nada daquilo a Max. Seu irmo mudara muito depois do princpio de infarto que sofrera em uma praia da Jamaica, para onde 
fora  procura de David Crighton, seu tio desaparecido. O incidente o transformara no s em um apaixonado marido e dedicado pai de famlia, como tambm num surpreendentemente 
preocupado e protetor irmo mais velho. Se Max soubesse do que lhe acontecera provavelmente procuraria Jeremy Stafford para tirar satisfaes de seu comportamento.
       Se Katie fosse uma criana envolvida em briguinhas no jardim-de-infncia esse tipo de comportamento seria aceitvel, mas todos eles eram adultos. Ela devia 
saber cuidar da prpria vida, como se esperava da mulher moderna e independente que sempre fizera questo de parecer. O triste de toda aquela situao era que Katie 
adorava seu trabalho, e sentia-se bem por saber que com ele conseguia ajudar muitas pessoas.
       As mulheres da famlia Crighton eram conhecidas por seu forte senso de responsabilidade e participao em obras assistenciais. A tia-av de Katie, Ruth Crighton, 
chegara at mesmo a criar uma instituio de amparo para mes solteiras e seus filhos. Jenny, a me de Katie, nunca perdera qualquer oportunidade de ajudar a qualquer 
pessoa necessitada. E a irm de Katie estava envolvida em um programa para auxiliar jovens viciados em Bruxelas, onde ela e Gareth viviam.
       Katie paralisou-se quando o seco e cortante rudo dos freios de um carro a trouxe de volta  realidade.
       Sem perceber o que fazia, ela comeara a atravessar a rua sem olhar... Mas aquilo no era desculpa para o modo perigoso como aquele manaco dirigia, to rpido 
que fora necessria uma freada brusca e ruidosa para conseguir parar o carro. E o pior de tudo era que o homem lhe dirigia um olhar furioso, parecendo disposto a 
saltar do carro a qualquer momento para avanar sobre ela com ferocidade.
       Para seu total espanto, Katie percebeu que mais do que a fria, o que mais lhe chamava a ateno no homem era o fato de ele ser extremamente atraente, com 
seus cabelos negros e curtos, olhos cinzentos e frios e uma boca que mesmo cerrada numa expresso ameaadora deixava clara toda sua mscula sensualidade.
       Mas nada daquilo apagava o fato de ele quase t-la atropelado. Determinada e desafiadora, Katie fez meno de continuar a atravessar a rua, mas o motorista 
do carro que estava logo atrs comeou a buzinar impaciente. E por mais que ela quisesse dar uma lio ao "sr. Boca Sexy", realmente no tinha tempo. J estava dez 
minutos atrasada, e no seria de bom tom chegar tarde justamente em seu primeiro dia de trabalho com o pai e Olvia.
       Fora bastante penoso deixar seu trabalho em Londres, apesar dos problemas que enfrentara com Jeremy. Alm disso, Katie no se sentia totalmente convencida 
de que estava fazendo a coisa certa ao ingressar na firma da famlia. Tanto seu pai quanto Olvia, e mesmo Max, haviam deixado claro que ela poderia tornar-se scia 
em breve, ainda que por enquanto fosse apenas uma simples funcionria, recebendo um salrio modesto. Mas o dinheiro nunca fora a principal preocupao para Katie, 
e ela sabia que essa tambm no era a preocupao de seu pai ou de Olvia.
       No incio, ela tomaria conta do departamento que cuidava da transferncia legal de propriedades, um trabalho atrelado ao servio de compra e venda de imveis. 
Quando soubera daquilo, Katie fizera uma careta de desnimo.
       - Bem, pelo menos vou adquirir alguma prtica para quando for comprar minha prpria casa - comentara finalmente, mais para convencer a si mesma.
       Ainda que seus pais tivessem sugerido que ela voltasse a morar permanentemente na casa da famlia, Katie sabia que, aps levar uma vida independente durante 
os anos de universidade e depois ao trabalhar em Londres, preferia ter seu prprio lar. Mesmo assim, ao voltar para Haslewich ela aceitou o convite de morar temporariamente 
com os pais at encontrar uma casa que lhe interessasse.
       Katie sentira-se estranha ao voltar para o quarto que dividira durante muito tempo com a irm gmea.
       Louise parecia mais animada do que a prpria Katie com seu retorno  casa dos pais. Tentara inutilmente convenc-la a tirar alguns dias de folga para viajar 
at Bruxelas antes de assumir seu novo trabalho.
       - Por que voc no vai? - seu pai perguntou quando soube pela esposa que a filha recusara o convite.
       No havia nenhuma explicao lgica que pudesse dar a eles, e Katie inventou algo como estar ansiosa para voltar para casa.
       Dez minutos mais tarde, Katie entrou no escritrio do pai depois de bater na porta levemente.
       - Desculp-me, estou atrasada... - comeou. - Havia me esquecido de como  difcil encontrar um lugar para parar o carro aqui nas redondezas...
       - Bem... se voc achou difcil hoje, espere at o dia da feira - seu pai avisou-a bem-humorado. - Olvia s chegar depois das dez - ele acrescentou. - De 
manh ela precisa levar as crianas para a escola. Caspar cuida de apanh-los  tarde.
       O marido americano de Olvia, Caspar, trabalhava como professor de Legislao Corporativa em uma universidade das redondezas. Fora ali que conhecera Olvia, 
e onde os dois haviam se apaixonado.
       - No deve ser fcil para ela trabalhar em perodo integral com duas crianas para cuidar - Katie comentou.
       - No  mesmo - seu pai concordou, mudando de assunto em seguida. - Ns j preparamos a sala que voc vai usar, e preparei alguns relatrios preliminares 
para voc ler. Vamos comear com algumas transferncias bem simples.
       - Est bem - Katie concordou com ar ausente.
       - H algo errado? - ele perguntou, parecendo preocupado.
       - No... a no ser o fato de quase ter sido atropelada por um manaco minutos atrs - Katie respondeu, explicando rapidamente o que acontecera.
       -  Todos ns sabemos que as ruas centrais da cidade no suportam mais todo esse trfego - o pai comentou pensativo.
       A cidade fora fundada antes do Imprio Romano, e era bvio que suas estreitas ruas no estavam preparadas para o trnsito moderno.
       -  E por isso que existe um projeto para a construo de um anel virio - ele continuou. - Mas voc nem imagina quanto ele iria custar.
       -  Bem... se isso for manter motoristas como o "sr. Boca Sexy" longe das ruas...,
       - Como... quem? - o pai perguntou confuso.
       Katie sentiu-se enrubescer. O que estava pensando ao pronunciar em voz alta o apelido que, dera quele homem?
       -  ... nada - ela cortou embaraada, e rapidamente comeou a examinar os relatrios que o pai lhe entregara.
       
       
       
       
       
       
       
       CAPITULO II
       
       Jenny Crighton vai dar um jantar informal nas prximas semanas - Guy comentou - e voc foi convidado, Seb. Vamos l, tenho certeza de que voc vai gostar 
- ele encorajou ao ver o primo franzir as sobrancelhas.
       - Vou? - Seb provocou-o.
       - O que me relembra - Guy acrescentou, sem dar tempo para Seb continuar -, Chrissie pediu para lhe dizer que voc  mais do que bem-vindo para jantar conosco 
sempre que quiser.
       - Obrigado pela gentileza, mas atualmente estou trabalhando tanto...
       Seb interrompeu-se e meneou a cabea. Apesar de sua relutncia inicial em voltar para a cidade onde nascera, tinha que admitir que o trabalho na Aarlston-Becker 
estava lhe trazendo enorme satisfao.
       A companhia desenvolvia pesquisas de ponta para uma nova gerao de medicamentos, o que era um desafio estimulante para um homem como ele.
       -  Tinha planejado ir at Manchester no final de semana para ver Charlotte - Seb informou. - Mas parece que ela vai sair com alguns amigos, o que significa...
       -  Significa que voc est livre para aceitar o convite de Jenny - Guy completou com firmeza. - Voc vai gostar. Saulo estar l. J o encontrou por a? Ele 
 chefe no Departamento Jurdico na Aarlston e...
       -  Sim... Fui apresentado a ele h alguns dias. Parece ser tima pessoa...
       - Voc j encontrou uma casa para comprar? - Guy perguntou.
       -  Ainda no. Quero um lugar confortvel o bastante para mim e Charlotte, o que significa uma casa com pelo menos dois quartos e dois banheiros. Mas no quero 
nada muito grande.
       - Deixe-me ver... Nos arredores da cidade h uma grande propriedade do perodo eduardiano que foi transformada em um prdio de apartamentos luxuosos, e tenho 
a impresso de que a maioria deles j est vendida. Mas me parece exatamente o que voc est procurando.
       - Voc sabe quem  o corretor? Acho que vale a pena dar uma olhada - Seb considerou, interessado.
       O pequeno sobrado que Seb alugara provisoriamente ficava a apenas duas ruas de distncia do local onde ele crescera, o que estava lhe parecendo um tanto claustrofbico. 
Sua me se mudara para viver com uma irm viva depois da morte do marido, e Seb no possua nenhum parente mais prximo na cidade. Mesmo assim, cada vez que saa 
encontrava algum com o sobrenome Cooke e com os traos fisionmicos da famlia. Batalhes e batalhes de tias, tios e primos.
       E agora ainda havia o jantar de Jenny Crighton, que ele certamente no gostaria de ir. Mas tinha certeza de que Guy no o deixaria declinar o convite.
       Algo no tom da voz de Guy quando mencionou Jenny Crighton fez Seb perguntar-se se havia um fundo de verdade nos rumores sobre os sentimentos de seu primo 
por Jenny antes de que tivesse encontrado Chrissie. Em todos os casos, Seb no tinha nenhuma dvida de que Guy era completamente apaixonado pela mulher.
       - Essa parece bem interessante - Olvia comentou ao olhar para os prospectos que Katie pegara com um corretor de imveis. - Quem est interessado em comprar? 
- perguntou curiosa enquanto estudava as fotos da elegante propriedade eduardiana que fora convertida em prdio de apartamentos.
       -  Com alguma sorte, eu mesma - Katie informou, acrescentando consternada: - Embora ache o preo que eles esto pedindo muito alto.
       -  J tentou fazer uma contraproposta? - Qlvia sugeriu com praticidade.
       Katie fez um meneio de cabea, desanimada.
       - Duvido que aceitem, restam apenas dois apartamentos.
       -  fcil descobrir porque venderam tudo to rpido... Duas sutes, cada uma com seu prprio closet, uma grande sala de estar, sala de jantar e cozinha de 
bom tamanho, e tudo com essa vista maravilhosa...
       - Sim, e por ficar no ltimo andar esse apartamento ainda possui sua prpria varanda - Katie acrescentou. - Fui at l ontem  noite, e adorei o lugar. Ainda 
que esteja caro, papai e mame se ofereceram para me ajudar a compr-lo, me emprestando algum dinheiro.
       -  Se  assim, voc no pode deixar esse negcio passar, Katie - Olvia encorajou-a. - O valor dos imveis est aumentando cada vez mais na cidade, e logo 
voc no poder encontrar um lugar to bom pelo mesmo preo.
       Assim que Olvia saiu, Katie pegou o telefone e discou o nmero do telefone do corretor. Ela estava certa, e no fazia sentido deixar aquele negcio passar. 
O apartamento era absolutamente perfeito, e com o desenvolvimento crescente da regio logo estaria valendo ainda mais.
       Enquanto falava com o corretor, decidiu visitar o lugar mais uma vez para tirar algumas medidas. Sua me dissera que a ajudaria cedendo parte da moblia, 
algumas lindas peas clssicas que combinariam perfeitamente com o estilo do prdio. Mesmo assim, Katie precisaria comprar novos tapetes e cortinas para sua casa, 
e no queria perder tempo.
       Seb examinou atentamente os prospectos sobre o apartamento que vira na noite anterior. Ficava na cobertura de uma residncia de estilo eduardiano, e era uma 
das duas nicas unidades do prdio que ainda no estavam vendidas. Guy estava certo quando dissera que o lugar seria perfeito para ele, e ainda que considerasse 
o preo um pouco alto no estava disposto a perder o negcio.
       Telefonou para Charlotte para contar-lhe a respeito do lugar, e ela concordou em pegar um txi para Haslewich naquela mesma noite para conhecer o apartamento. 
Seb deu-lhe o endereo, e os dois combinaram que jantariam juntos.
       Depois de falar com a filha, Seb ligou para o corretor e marcou a visita para o comeo da noite.
       O prximo passo seria procurar um advogado para cuidar da transferncia do imvel, mas Seb considerava que seria mais sbio aceitar o conselho de Guy e contratar 
os servios de Jon Crighton para isso.
       Katie olhou de relance para seu relgio. Precisava partir se pretendia chegar na hora ao encontro com o corretor. Levantando-se da mesa, ela apanhou seu telefone 
celular e colocou-o dentro da bolsa.
       Sentia-se feliz por ter aceitado o conselho da me e ido at Manchester para comprar algumas roupas novas. O calor dos ltimos dias no combinava com as roupas 
recatadas e formais que costumava usar. A roupa que vestia naquele dia servia tanto para o escritrio como para algum compromisso informal. O vestido de linho negro 
abotoado nas costas caa suavemente sobre seu corpo, fazendo-a sentir-se confortvel e elegante.
       Passara muito tempo sem comprar roupas novas. Dizia a si mesma que no gostava de ostentar riqueza para as pessoas necessitadas com quem trabalhava. Alm 
disso...
       Ela sentiu um aperto na garganta. Para que parecer atraente e feminina se sabia que o homem que amava nunca seria seu? Talvez seu amor por Gareth fosse alguma 
daquelas situaes estranhas que sempre envolviam irmos gmeos. Afinal de contas, a prpria Louise se apaixonara uma vez por um homem casado. Mas ento encontrara 
o amor verdadeiro com Gareth, e deixara tudo para trs. Ainda que achasse impossvel amar outro homem como amava Gareth, Katie sabia que precisava levar sua vida 
da melhor forma possvel, esquecendo aquele amor proibido.
       Katie caminhou at a janela, olhando para a movimentada rua que tantas vezes percorrera a p, junto com a irm. Como gmeas, as duas sempre haviam sido muito 
prximas, ainda que seus temperamentos fossem diferentes. Juntas haviam ido para a universidade, onde conheceram Gareth Simmonds, um dos professores do curso que 
faziam.
       Gareth, por quem Katie se apaixonara platnica e idealisticamente...
       Gareth reunia todas as qualidades que ela sempre procurara em um homem... Era agradvel, calmo, gentil e atencioso... Mas Gareth, por sua vez, apaixonara-se 
por Louise... E nunca seria seu.
       As lgrimas turvaram momentaneamente a viso de Katie, mas ela secou-as rapidamente. Havia prometido a si mesma que encontraria uma forma de sufocar aquele 
amor, passando a enxergar Gareth apenas como seu cunhado. Mas cada vez que se encontrava com a irm gmea e seu amado marido sentia a dor da solido ao v-los juntos 
e felizes. Sabia que estava magoando Louise com seu afastamento repentino e a recusa em visit-los. Tambm sabia que seu comportamento preocupava seus pais, especialmente 
sua me. Mas o que poderia fazer ou dizer? Jamais revelaria o real motivo para agir daquela forma. E agora ainda havia a dor adicional de ver Louise e Gareth felizes 
com seu beb.
       Do outro lado da rua, o relgio da igreja anunciou a hora cheia, retirando Katie de seus pensamentos dolorosos. Se no partisse imediatamente chegaria atrasada.
       Pegando sua jaqueta ela saiu da sala, fechando a porta atrs de si.
       Cerca de meia hora mais tarde, Katie parou seu carro no estacionamento para visitantes do prdio, onde uma garota obviamente impaciente esperava por algum. 
Alta e magra, com longos cabelos negros e olhos cinzentos, a adolescente usava jeans e camiseta branca, e sorriu amistosamente para Katie assim que ela desceu do 
carro. Instintivamente, ela sorriu de volta, perguntando a si mesma por que a garota parecia to familiar.
       - Oi! Estou esperando por meu pai - a garota anunciou. - Posso ver por que ele se interessou por esse apartamento... Mame vai adorar o lugar. No sei onde 
papai est - ela acrescentou, olhando para o relgio. - Ele me pediu para encontr-lo aqui s quatro e meia. Por um acaso ele lhe telefonou para avisar que iria 
se atrasar?
       Ao ouvir aquilo, Katie compreendeu que a garota a estava confundindo com o corretor de imveis, mas antes que pudesse esclarecer o equvoco a menina continuou:
       - Acho que meu pai j lhe disse que trabalha na Aarlston-Becker. Ele  chefe do Departamento de Pesquisas - confidenciou, com um toque do mais genuno orgulho 
filial.   - Estudo em um colgio em Manchester, e temos famlia aqui em Haslewich, ento...
       - Ah, ele chegou! - a garota exclamou quando um Mercedes adentrou na rea de estacionamento.
       Atrs dele vinha o pequeno carro que Katie reconheceu como sendo o do corretor, mas ela no conseguiu prestar nenhuma ateno no homem, por estar totalmente 
concentrada no Mercedes... e em seu motorista. Agora ela sabia por que os cabelos e olhos da menina haviam lhe parecido to familiares. O homem que desceu do carro 
no era ningum menos do que aquele que quase a atropelara em seu primeiro dia de trabalho.
       Pela expresso em seu rosto, ficava claro que o homem tambm a reconhecera. Mas antes que qualquer um dos dois pudesse dizer qualquer coisa o corretor se 
aproximou.
       - Espero que vocs no se importem, mas como ambos me ligaram e pediram para ver os apartamentos na mesma hora, marquei uma visita conjunta.
       -  Voc est comprando um desses apartamentos? - as palavras saram da boca de Katie antes que ela pudesse evitar.
       O frio olhar que o homem lhe dirigiu como resposta indicou que a ideia de t-la como vizinha tambm no o agradava nem um pouco. Mas sua filha correu em sua 
direo para abra-lo, o que temporariamente desviou sua ateno, e Katie ficou aliviada ao perceber que ele no iria responder verbalmente ao seu comentrio impetuoso.
       - Muito bem, ento vocs podem me acompanhar - o corretor sugeriu.
       - Voc est interessada em comprar o apartamento nove, srta. Crighton - o homem comentou na porta de entrada do prdio, checando a informao em uma ficha 
que segurava nas mos. - E o senhor quer adquirir o apartamento dez, certo, sr. Cooke?
       Cooke... Aquele homem que parecia ser jovem demais para ser pai de uma adolescente era um Cooke, Katie refletiu. Com curiosidade, Katie olhou discretamente 
em sua direo, mas arrependeu-se logo em seguida quando foi flagrada por ele enquanto o estudava.
       Katie desviou o olhar o mais rpido que pde, no sem antes confirmar que ele possua todos os traos belos e sensuais que distinguiam os Cooke. A mesma aura 
de masculinidade e perigo que todos os homens daquela famlia pareciam herdar de seus ancestrais ciganos.
       - Na verdade - o corretor continuou, enquanto se dirigia para o elevador -, vendo que vocs dois sero vizinhos e s h dois apartamentos na cobertura, talvez 
eu deva apresent-los um ao outro. - Virando-se para Katie, ele anunciou: - Srta. Katie Crighton... Sr. Seb Cooke...
       "Ento ela  uma Crighton, mas exatamente de qual ramificao da famlia?", Seb perguntou-se com curiosidade, enquanto examinava Katie com o canto do olho. 
De perto, pde perceber que ela era mais bonita do que parecera no outro dia, na rua. Ainda que seus olhos demonstrassem claramente o quanto aquela situao lhe 
desagradava, possuiam um brilho intenso. Os cabelos balanavam suavemente com a brisa, e caiam em uma onda sobre seus ombros. O vestido negro que usava, embora discreto 
e elegante, ressaltava toda sua feminilidade. Para ser sincero consigo mesmo, tinha de admitir que ela possua um corpo surpreendentemente voluptuoso para algum 
to magra. Sem perceber que seu gesto podia ser mal-interpretado, Seb franziu as sobrancelhas. Por que estava reparando na voluptuosidade do corpo de uma jovem desconhecida? 
Ainda que seu trabalho o mantivesse afastado por anos de sua famlia ou de qualquer ligao mais sria com as mulheres, ele jamais se comportara como um homem das 
cavernas.
       Ao v-lo franzir as sobrancelhas, Katie imediatamente interpretou o gesto como um sinal de desagrado. Atingida em sua auto-estima, disse a si mesma que um 
homem to sensual e rude jamais poderia sentir-se atrado por algum como ela. No que ela quisesse ser atraente para ele.
       Examinando-o mais de perto, convencera-se de que ele definitivamente no era seu tipo. Muito agressivo, muito arrogante e muito, muito sexy. Oh, sim, sexy 
demais, isso ela precisava admitir...
       -  Se voc  uma Crighton, posso lhe perguntar se... voc tem uma irm gmea?
       A pergunta um tanto quanto envergonhada de Charlotte interrompeu os pensamentos de Katie, que imediatamente concentrou-se na garota. Provavelmente Charlotte 
ouvira as histrias sobre a famlia Crighton, e sobre como regularmente ela produzia geraes de gmeos.
       -  Charlotte... - Seb comeou, interrompendo-se quando Katie balanou a cabea com um sorriso.
       Diferente do que sentira sobre seu pai, Katie simpatizara imediatamente com Charlotte. Sabia que a pergunta impulsiva da garota era a simples expresso de 
uma curiosidade natural e justificvel.
       - Bem, para dizer a verdade, tenho uma irm gmea sim - explicou continuando a sorrir.
       - E ela vive aqui em Haslewich tambm? Vocs duas vo dividir esse apartamento? - Charlotte perguntou interessada.
       Katie meneou a cabea negativamente.
       -  No. - Por um instante, sua expresso tornou-se um pouco sombria, fato que no passou despercebido para Seb, ainda que Charlotte o tivesse ignorado completamente. 
- Louise, minha irm,  casada e vive em Bruxelas com... Gareth, seu marido...
       Por que ela hesitara para mencionar o nome de seu cunhado? Seb poderia jurar que percebera at mesmo um tom desolado na voz de Katie. Ser que as duas tinham 
se desentendido? Talvez o casamento da outra houvesse causado um afastamento entre as irms...
       Franzindo as sobrancelhas novamente, Seb parou para esperar que Katie e Charlotte entrassem no elevador antes dele. Por que estava perdendo tempo se preocupando 
com uma mulher que no tinha a menor inteno de conhecer?
       Inconscientemente, Seb admirou a boca de Katie por um momento. Era ao mesmo tempo delicada e carnuda... como que feita para ser beijada. Ele podia at mesmo 
imaginar-se fazendo aquilo... como se sentiria... e como ela se sentiria...
       - Aqui estamos... Este andar, naturalmente,  de uso exclusivo de vocs, que recebero uma chave especial.
       Seb forou-se a voltar rapidamente para a realidade.
       Enquanto isso, Katie saa do elevador para o hall exclusivo do lltimo andar sentindo-se bastante perturbada. O que estava acontecendo com ela? Por que estava 
experimentando aquelas sensaes to estranhas, como se... como se...
       Instintivamente, ela levou os dedos aos prprios lbios. O nico homem que se imaginara beijando antes fora Gareth. O nico homem que desejara beijar era 
Gareth, e no...
       Afastou aquele pensamento rapidamente, recusando-se a perguntar-se por que fantasiara que estava sendo beijada de forma ntima e apaixonada por aquele homem 
que nem conhecia direito.
       Lembrou a si mesma que Gareth era a completa anttese de Seb Cooke. Gareth era gentil, agradvel e controlado, enquanto Seb era agressivo e possua uma espcie 
de aura sensual que...
       Katie estremeceu. O que poderia querer com um homem to rude e perigosamente sensual?
       - Este  seu apartamento - o corretor anunciou para ela, abrindo a porta. - Como sabe, por estar no ltimo andar ele possui uma varanda particular, enquanto 
o seu... - ele continuou, virando-se para Seb -, tem a vantagem de um quarto extra, que pode ser usado como escritrio. - Sempre sorrindo, o homem atravessou o hall 
e abriu a outra porta.
       Aproveitando-se da distrao dos homens, Katie entrou em seu apartamento.
       Cinco minutos depois havia completado sua visita, e era forada a admitir que o lugar lhe parecia ainda melhor do que da primeira vez. Alm de ser muito bem 
dimensionado, possua uma atmosfera acolhedora, e de suas janelas se descortinava uma vista maravilhosa.
       O corretor deixou Seb sozinho com Charlotte no outro apartamento, enquanto foi verificar se Katie tinha alguma pergunta. Seb olhou para a filha com olhar 
inquisidor e comeou:
       - Bem...
       -  muito legal! - Charlotte declarou sorrindo. - Adorei os banheiros... No do seu quarto voc pode at mesmo colocar uma banheira de hidromassagem, se quiser.
       - Se eu quiser - Seb concordou, para adicionar em seguida: - Mas eu no quero...
       Sua expresso sria no resistiu ao gesto seguinte da garota, que aproximou-se abraando-o e beijando-o com carinho.
       - Adorei esse lugar... E gostei de Katie Crighton... O senhor tambm no gostou?
       Seb franziu as sobrancelhas enquanto Charlotte lhe dirigia um olhar da mais absoluta inocncia. Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa o corretor de imveis 
retornou.
       Dez minutos depois Seb saa da propriedade, logo em seguida dos carros de Katie e do corretor. Mentalmente, enumerava as providncias que deveria tomar, entrando 
em contato com Jon Crighton para cuidar da compra do apartamento. Agora que estava decidido a compr-lo precisava tratar das formalidades para se mudar o mais depressa 
possvel.
       Enquanto dirigia seu carro pela estrada, sendo seguida de perto pelo corretor e por Seb Cooke, Katie dizia a si mesma que aquele homem era a ltima pessoa 
que desejaria para ser seu vizinho. Ainda assim, tentou reconfortar-se com o pensamento de que provavelmente o veria muito pouco, j que pelo que Charlotte dissera 
o homem devia trabalhar muito. Alm disso, ele tambm no parecera nem um pouco entusiasmado com a ideia de t-la como vizinha.
       Como seria sua esposa? Muito glamourosa e sexy, sem nenhuma dvida. Seb era o tipo de homem que exalava sexualidade... To diferente de Gareth. Gareth era 
do tipo com quem se poderia passar horas aninhada em frente a uma lareira... Gareth exalava conforto, proteo, segurana e...
       Nenhuma mulher jamais poderia ver tais qualidades em Seb Cooke, especialmente a segurana. Bastava lembrar-se da reputao de sua famlia. Alm disso, ele 
transmitia uma energia sexual que despertara nela emoes fortes e desconhecidas.
       A forma como ele a olhara. Katie ficou tensa ao lembrar-se do que sentira quando apenas imaginara a boca de Seb sobre a sua. Aquilo havia sido um erro, um 
acidente ridculo causado por sua solido, e pela proximidade daquele corpo msculo. O prprio Seb poderia explicar aquilo muito bem, uma vez que era um cientista 
e devia estar acostumado com as reaes qumicas e involuntrias do corpo humano.
       Aliviada, Katie viu pelo espelho retrovisor que o carro de Seb virava na direo contrria a sua quando chegaram a um cruzamento, e tentou afastar aqueles 
pensamentos da cabea enquanto se encaminhava para a casa de seus pais.
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       CAPTULO III
       
       Humm... Mas que cheiro maravilhoso! - Katie elogiou quando entrou na cozinha, onde sua me preparava o jantar.
       - Voc no se esqueceu de que vamos receber alguns convidados para um jantar informal, no ? - Jenny perguntou, sem desviar o olhar da torta que acabava 
de montar.
       - Ai, meu Deus! Para dizer a verdade, esqueci sim - Katie admitiu, acrescentando  guisa de explicao: - Foi uma semana to atarefada, ainda mais por Olvia 
ter precisado se afastar por alguns dias.
       -  Bem, pelo menos o mdico confirmou que a febre das crianas  apenas um resfriado, e nada mais srio, como Olvia temia. Voc vai jantar conosco, no?
       - Quando os convidados vo comear a chegar?
       - Em cerca de uma hora - sua me informou.
       - Certo, vou subir para tomar um banho e trocar de roupa e ento deso para lhe dar uma ajuda. Papai j voltou? - Katie perguntou, enquanto tentava pegar 
um pedao da massa da torta que sua me preparava.
       - Acabou de chegar... Isso vai lhe dar indigesto - Jenny avisou, dando um tapinha amistoso na mo da filha. - Ah, quase ia esquecendo! Liguei para Louise 
hoje de manh...
       Katie ficou subitamente tensa. Qualquer meno ao nome da irm a relembrava do vazio de sua vida quando comparada  felicidade que Louise experimentava ao 
lado de Gareth.
       -  Como voc sabe, vamos fazer uma grande festa para comemorar o aniversrio de seu av em breve - sua me continuou. - Bem, tanto eu quanto Maddy estamos 
empenhadas em reunir o maior nmero possvel de parentes. Ter a famlia por perto vai significar muito para Ben agora que ele est to frgil...
       Katie olhou-a inquisitoriamente.
       - Ser que ele realmente se importa? Bem, ele certamente nunca demonstrou isso - ela comentou secamente. - Com exceo de Max e do tio David, vov nunca pareceu 
se importar com ningum.
       -  Oh,  apenas o jeito dele - Jenny contemporizou. - Voc no acreditaria se soubesse como ele sente orgulho de voc e Louise.
       - Tem razo, no acreditaria - Katie retrucou com tristeza.
       - Quando soube que ns duas estvamos indo para a faculdade para estudar Direito, nos disse que mulheres e leis simplesmente no combinavam. Que ns, mulheres, 
somos muito emocionais para sermos boas advogadas...
       - Concordo que ele  um pouco antiquado - Jenny admitiu.
       - E depois que David partiu... - ela silenciou com um suspiro.
       - A senhora acredita que o tio David vai voltar algum dia?
       - Katie perguntou com curiosidade. - Quero dizer, depois de ter desaparecido daquele jeito... Sei que Olvia gostaria que o pai voltasse, mas Jack...
       Katie ficou em silncio por um momento, enquanto ela e a me recordavam que o desaparecimento do pai fizera Jack sentir-se rejeitado, no importava quanto 
amor ele havia recebido posteriormente de seus tios Jon e Jenny.
       - No sei se David vai voltar - Jenny comentou. - Nem mesmo sabemos onde ele est. Mas para Ben... - Ela fez uma pausa e mordeu o lbio. Katie sabia no que 
a me estava pensando.
       - O vov est muito frgil - Katie observou pensativa. - E se o tio David pretende voltar, espero que ele no demore muito tempo... ou ento ser tarde demais...
       - No creio que ser fcil para David voltar. Alm disso, no estou bem certa de que ele possui a coragem necessria para... - Jenny interrompeu-se.
       - Ele era muito parecido com Max, no? - Katie perguntou. - Mas Max mudou, ento...
       - Max realmente mudou - sua me concordou, mudando de assunto rapidamente. - O que me faz lembrar que ele e Maddy estaro aqui hoje, e ela me disse que precisa 
falar com voc. Eles esto planejando comprar mais uma casa para aumentar as instalaes da Casa de Amparo, e querem que voc cuide da parte legal.
       -  Est bem, falo com ela mais tarde - Katie concordou, pensativa. - Quem mais vem?
       - Deixe-me ver... Olvia e Caspar, Tullah e Saulo... e mais algumas pessoas. Ah, Chrissie e Guy tambm viro...
       -  Guy Cooke? - Katie perguntou to rapidamente que sua me olhou-a atentamente, estranhando principalmente o acento com que a filha falara o sobrenome Cooke.
       -  Sim, por qu?
       Pela surpreendente reao de Katie, Jenny achou melhor no comentar que Guy levaria seu primo, Seb, para o jantar. Se a filha ficara daquela forma  simples 
meno do nome Cooke, o que faria se soubesse que seriam dois os representantes da famlia naquela noite?
       Jenny nunca encontrara Seb Cooke, mas havia ouvido Guy e Chrissie falarem dele. Maternal e generosa, insistira para que os dois trouxessem o primo ao jantar, 
principalmente ao saber que ele ainda se sentia deslocado na cidade.
       -  Ele no  muito fcil - Guy avisou-a. - Na verdade, algumas pessoas sentem-se intimidadas em sua presena. Seb  um cientista, e naturalmente  muito reservado 
e observador. Alm disso, tambm sentiu na pele, como eu, o que  tentar ser um homem normal vindo de uma famlia com a reputao da nossa.
       Katie subiu a escada para se aprontar com uma expresso preocupada no rosto. Naquela mesma tarde seu pai pedira que assumisse alguns casos de que no estava 
dando conta, e um deles era de um novo cliente.
       -  E um bom sujeito. Voc vai gostar dele - Jon havia assegurado com um sorriso. - Seb Cooke... Ele...
       - Seb Cooke! Voc quer que eu trabalhe para ele?
       Seu pai ergueu uma sobrancelha ao ouvir o tom de antagonismo na voz de Katie.
       - Qual o problema? Eu pensei...
       - No h nenhum problema... - Katie desconversou, recuperando a compostura. Como poderia explicar todas as sensaces que aquele homem lhe provocara em seu 
ltimo encontro? Tudo por causa daquela sensualidade explicita... Daquele magnetismo poderoso e intimidante. -  que ele est comprando o apartamento ao lado do 
meu - ela continuou, em tom de explicao.
       -Sim, eu sei - Jon informou, comeando a passar-lhe as instrues sobre o caso em seguida.
       Marcara uma reunio com Seb para a segunda-feira, um compromisso ao qual ela deveria comparecer. Felizmente, o trabalho no seria nem um pouco complicado, 
bastava que ele assinasse alguns formulrios. E ento, com alguma sorte, em uma semana tudo estaria acabado. Era bvio que depois teria que conviver com a perspectiva 
de encontr-lo a qualquer momento no prdio onde iriam morar, mas Katie estava convencida de que conseguiria manter-se distante daquele homem perturbador.
       E que tipo de homem ele era, afinal? Estava comprando o apartamento apenas em seu nome, o que lhe parecia um chauvinismo incompatvel com os dias atuais. 
E como seria sua mulher? Ser que ela concordara com aquilo?
       Debaixo do chuveiro, Katie perguntava-se que tipo de relao os dois teriam. Imaginava se Seb era capaz de sorrir com um brilho afetuoso nos olhos cinzentos 
ao encarar a mulher.
       Ela meneou a cabea, preocupada. Se no tomasse cuidado, logo se tornaria uma mulher amarga, solitria, e sem vida prpria. Aquele tipo de mulher cujo principal 
passatempo era imaginar como seria a vida dos outros.
       Enrolando-se na toalha ao sair do chuveiro, Katie voltou para o quarto, caminhando at a janela. O sol ainda brilhava, e certamente teriam uma noite agradvel. 
Abrindo o guarda-roupa, procurou por algo apropriado para vestir. A saia de cambraia que escolheu era prtica e bonita, com um caimento perfeito. Alm disso, formava 
um belo conjunto com a camiseta que fora presente de Louise.
       Katie sorriu ao lembrar-se do dia em que ganhara aquela camiseta. A considerara muito apertada e sexy, e fora prontamente repreendida pela irm.
       - No h motivo para voc se vestir de maneira to sria, Katie - Louise havia dito. - Tem um corpo lindo, mais bonito do que o meu.
       Katie desceu a escada cinco minutos depois, e tirou sua me da cozinha, para que ela fosse preparar-se para receber os convidados.
       - No se preocupe, mame, eu acabo tudo por aqui...
       - Voc faz mesmo isso? Oh, Katie querida, muito obrigada... Mas j que est sendo um amor ser que tambm no pode arrumar as flores que coloquei na lavanderia? 
Voc parece ter herdado o talento da tia Ruth para fazer arranjos lindos...
       -  Sei... Fico me perguntando de que parente a senhora herdou esse talento para mentir....- Katie brincou com a me enquanto se dirigia para a lavanderia.


















       CAPITULO IV
       
       Voc vai adorar Jenny e Jon - Chrissie garantiu a Seb quando ele entrou no carro. - Oh, esqueci-me de que voc j deve ter conhecido Jon, j que ele vai cuidar 
da comprando apartamento para voc.
       - Na verdade, no o conheci - Seb informou. - Marcamos uma reunio na segunda-feira para assinar o contrato, mas parece que ele est muito ocupado e deixou 
o meu caso aos cuidados de sua filha.
       - Sua filha... - Guy franziu as sobrancelhas pensativo, e finalmente sorriu. -  claro! Havia esquecido que Katie agora est trabalhando com Jon e Olvia.
       - Katie... Katie Crighton? - Seb perguntou com incredulidade. Guy trocou um olhar de cumplicidade com a mulher antes de responder.
       - Sim, voc a conhece?
       - J nos encontramos - Seb informou brevemente. E ento, percebendo que a curiosidade dos primos no estava saciada, continuou. - Parece que ela est comprando 
o apartamento ao lado do meu.
       -  mesmo? - Chrissie perguntou interessada. - Da ltima vez que conversamos Jenny havia me dito que a filha estava procurando uma casa.
       - Alm disso,  bvio que conheo a famlia - Seb adicionou com cinismo. - Assim como os Cooke, os Crighton tambm so muito famosos em Haslewich, ainda que 
por motivos diferentes. Pelo que sei, so considerados "cidados honorveis", sempre envolvidos com caridade... Lembro-me at de ter ido a uma festa deles quando 
era criana, um tpico exemplo de que gua e leo no se misturam. Os ricos distribuindo algumas migalhas para as pobres crianas necessitadas...
       - Sim... me lembro dessa poca - Guy confirmou. - Mas as coisas so completamente diferentes agora. Jon no tem nada a ver com seu pai, e a gerao mais nova 
dos Crighton  feita por pessoas talentosas e interessantes, e tenho certeza de que voc apreciar sua companhia.
       Seb achou intil comentar com seu primo que os dois encontros que tivera com Katie Crighton no o deixavam muito entusiasmado com a perspectiva de conhecer 
outros membros da famlia. Alis, se soubesse antes que aquela mulher participaria do jantar teria feito qualquer coisa para recusar o convite. Mas agora era tarde.
       Ele franziu as sobrancelhas quando a imagem de Katie, da forma como a vira da primeira vez, teimou em insinuar-se em sua mente. Seb sentiu os msculos de 
seu estmago retorcerem-se, como que protestando pelas emoes que aquela memria evocava. Com trinta e oito anos, no era nenhum garoto inexperiente para ter aquele 
tipo de reao diante de uma bela mulher, e sempre pensara que era hbil o bastante para se controlar. S que seu corpo estava provando que se enganara.
       Irritado, Seb tentou recuperar-se do impacto que a lembrana de Katie lhe provocara enquanto Guy atravessava os portes da confortvel casa de Jon e Jenny.
       A noite agradvel e quente foi um motivo perfeito para Jenny organizar uma mesa de coquetis no jardim, sob as rvores de um pequeno e simptico pomar. Enquanto 
Seb seguia Guy e Chrissie, atravessando a trilha de arbustos que separava o pomar do resto do jardim, a primeira pessoa que viu foi Katie.
       Ela estava de costas, conversando com Saulo Crighton, que Seb conhecera no trabalho. Nas mos, segurava um copo com um ilquido semelhante a vinho.
       Seb tinha que admifir que a cena no poderia ser mais idlica. A mesa estava decorada com flores do campo, a brisa da noite acentuava o odor das rosas e o 
ar clido era preenchido por vozes agradveis. At mesmo a meia dzia de crianas reunidas em um dos cantos do pomar era harmoniosa, brincando sem fazer aquele costumeiro 
barulho insuportvel.
       - Venha, quero lhe apresentar para Jenny e Jon - Guy avisou, tocando levemente em seu brao para conduzi-lo at um casal que estava parado alguns passos  
frente.
       Cinco minutos depois, Seb sentia-se forado a admitir que Chrissie estava certa quando dissera que ele iria gostar de Jenny e Jon. Jenny, em especial, era 
atenciosa e acolhedora. E antes que soubesse direito o que fazia, Seb viu-se confidenciando a ela que a principal razo para voltar para Haslewich era o fato de 
ficar mais prximo da filha.
       -  Fui um pai muito ausente nos primeiros anos de vida de Charlotte - ele admitiu. - Tive muita sorte por ela me perdoar. Ela, por sua vez, teve a sorte de 
encontrar no segundo marido de minha ex-mulher todo o amor e apoio que eu falhei em lhe dar.
       - No devemos nos culpar pelos erros da juventude - Jenny considerou com gentileza. - E voc devia ser bem novo quando sua filha nasceu.
       Do outro lado do pomar, Katie se dirigia para a mesa das bebidas para pegar mais um pouco de cooler para a esposa de Saulo, Tullah, quando a mulher a alcanou 
e sussurrou admirada:
       -  Quem  aquele homem que est com sua me? Quando Katie virou-se para olhar, seus olhos estreitaram-se de espanto e descrena.
       - Ele...  Seb Cooke - informou brevemente.
       - Voc o conhece? - a outra mulher perguntou.
       - Vagamente - Katie admitiu com relutncia. - Ele est comprando o apartamento ao lado do meu...
       -  mesmo? Nossa! Sorte sua... - acrescentou com um suspiro, sorrindo logo em seguida, quando seu marido se aproximou.
       -  O que foi?
       -  Nada demais - Tullah respondeu, pegando carinhosamente no brao de Saulo antes de continuar. - Ele  bem bonito, e agora que sei que  um Cooke posso ver 
como  parecido com Guy.
       Saulo virou-se para olhar de relance para Seb.
       - Sim... ele causou um verdadeiro furor quando chegou nos laboratrios de pesquisa - admitiu. - Parecia at que as garotas iriam organizar uma fila para ver 
quem sairia primeiro com ele.
       -  Ele  um homem casado - Katie protestou com uma expresso desaprovadora.
       - Voc quer dizer que ele era um homem casado - Saulo a corrigiu. - De acordo com minhas fontes na Aarlston-Becker, est divorciado h muitos anos.
       Seb Cooke era divorciado. Inexplicavelmente, Katie sentiu suas pernas fraquejarem, e por um breve momento desejou estar sentada. A revelao de que a mulher 
glamourosa e sexy que imaginara no existia causou-lhe uma reao inexplicavelmente forte.
       - Por que voc no vai at l e oferece uma bebida para ele? - Tullah sugeriu, piscando para Katie.
       - Estou certa de que se ele quiser um drinque vai pedir... Alm disso, acabei de me lembrar de que deixei uma coisa no meu quarto - ela mentiu, um tanto ruborizada, 
e ento virou-se com a inteno de voltar para casa e ficar o mais distante possvel de Seb.
       Infelizmente, seu pai a viu, e chamou-a no mesmo instante. Relutante, ela caminhou at o grupo que tambm reunia, alm de seus pais e Seb, Guy e Chrissie.
       -  Katie, estava explicando para Seb as providncias que voc vai tomar no caso dele - Jon comentou quando ela se aproximou.
       - Sua filha e eu j nos conhecemos - Seb informou quando o homem preparava-se para apresent-los.
       Enquanto respondia ao cumprimento nitidamente forado, Katie perguntava-se se s ela notara o tom distante na voz daquele homem ao dizer "sua filha".
       -  uma grande coincidncia que vocs dois vo ser vizinhos de apartamento - Chrissie comentou com leveza.
       Seb fez um muxoxo antes de responder.
       - Aqueles apartamentos so ideais para quem mora sozinho. Os comodos! tm um bom tamanho, so fceis de limpar, e alm disso a vista  muito bonita.
       - Bem... Tomara que a incorporadora tenha reformado as quadras de tnis, assim os moradores vo poder desfrutar de mais esse benefcio.
       - Voc joga tnis, Seb? - Jenny perguntou com simpatia.
       - Costumava jogar - Seb informou. - Se bem que...
       - Katie joga - Chrissie interrompeu-o. Sentindo-se enrubescer, Katie negou rapidamente.
       -  No jogo mais... No tenho tempo, e desde que Louise casou...
       -  Louise  a irm gmea de Katie - Chrissie explicou para Seb. - Ela vive com o marido em Bruxelas.
       - Quando ela vir visit-los novamente, Jenny? - ela perguntou para a me de Katie.
       - Estamos planejando uma festa para Ben, e tenho certeza de que ela vir - Jenny respondeu, virando-se em seguida para a filha. - Agora, Katie, por que voc 
no acompanha Guy, Chrissie e Seb at a casa para que eles peguem algo para comer? Gosto de ter certeza de que minhas vtimas estejam bem alimentadas antes de atac-las 
- ela acrescentou, sorrindo para Seb.
       - Antes de atac-las? - Seb no conseguiu deixar de perguntar quando Katie fez um sinal para que fossem at a casa.
       -  Bem... - Guy ia comear a explicar, mas Katie o interrompeu,
       -  Minha me faz uma srie de trabalhos de caridade. E est sempre tentando levantar fundos para manter uma casa de caridade da famlia, fundada pela minha 
tia Ruth.
       -  Todos ns fazemos o possvel para ajudar - Chrissie acrescentou entusiasticamente. - Mas o trabalho mais pesado acaba ficando para Jenny e Maddy.
       - Graas a Saulo, por exemplo - ela continuou -, a Aarlston-Becker promove todos os anos um "Dia Especial" para as crianas. Alis, ele j est chegando, 
no  mesmo, Katie?
       - Parece que sim... E nesse ano a Aarlston planeja fazer uma festa conjunta com todos os seus funcionrios, o que significa que toda sua gerncia vai estar 
envolvida no evento.
       - Sim, estive em uma reunio nessa semana - Guy confirmou. - E devo avis-lo de que todos esperam que voc participe, Seb,
       -  O trabalho de Guy consiste em organizar as tendas e contratar as atraes - Chrissie explicou.
       Guy encolheu os ombros com modstia.
       - No  nada demais. Montamos tudo no Fitzburgh Place, que tem uma boa infra-estrutura. E voc ficaria surpreso com o nmero de pessoas talentosas que trabalham 
na Aarlston.
       - E no esquea as da sua famlia. - Chrissie relembrou-o. - No ano passado uma vidente foi a grande atrao. Quem  ela? Voc nunca me disse...
       - E vou continuar sem dizer - Guy brincou. - Sua identidade  um segredo profissional.
       - Hummm... Bem, pelo menos sei que ela  uma Cooke.
       -  Isso  claro. O que mais se poderia esperar de nossos genes ciganos? - Guy comentou divertido.
       O grupo chegou  casa, e Katie conduziu-os at a sala onde estava o buffet principal. Assim que os deixou  vontade, ela considerou que j havia cumprido 
sua obrigao, e que em breve poderia escapar. Precisava sair dali o quanto antes, pois a presena de Seb realmente perturbava seus sentidos.
       Quando eles comeavam a se servir, Saulo, Tullah e seus filhos chegaram com outro grupo de pessoas. Logo Saulo e Seb comearam a conversar sobre algum assunto 
de trabalho, e inexplicavelmente, em vez de voltar ao jardim, Katie continuou ali, observando a cena.
       Saulo disse algo que fez Seb rir. Foi a primeira vez que Katie o viu relaxado, e sentiu-se ainda mais confusa pelas emoes conflitantes que cada atitude 
daquele homem lhe despertava. No estava atrada por ele, disse a si mesma com ferocidade. No podia estar, pois amava Gareth.
       A filha de Saulo aproximou-se dos dois e abraou o pai. Katie pde perceber instantaneamente uma sombra turvar os olhos de Seb.
       Ele invejava Saulo. Mas por qu? Katie havia visto como ele e Charlotte eram prximos, e o quanto se amavam.
       Como se adivinhasse o que Katie estava pensando, Chrissie aproximou-se e comentou em voz baixa:
       - Seb sente-se culpado por ter sido um pai ausente quando Charlotte era criana.
       - Ele abandonou a mulher e a menina? - Katie indagou com voz cortante.
       Ela havia virado as costas para os dois homens, e no percebera o quo alto sua voz soara. Na verdade, s percebeu o que fizera quando ouviu a voz mscula 
atrs de si.
       -  No, eu no as abandonei.
       O rosto de Katie comeou a queimar enquanto Chrissie se afastava discretamente, deixando-a enfrentar Seb sozinha.
       Katie sabia que precisava pedir desculpas. Mas por algum motivo inexplicvel, uma insubordinao que jamais se manifestara nela, sentiu-se impelida a atac-lo. 
Sem pensar no que fazia, ela virou-se para sair da sala, no sem antes declarar por sobre o ombro:
       - Mas voc as deixou, as desprezou...
       Rapidamente Katie dirigiu-se para a estreita passagem que ligava a sala em que estava  lavanderia, de onde pretendia escapar para o jardim. Mas para seu 
desgosto percebeu que Seb a seguia, e foi mais rpido para interpr-se entre ela e a porta.
       - Por que voc...
       Katie interrompeu-se ao olhar para Seb e ver o quanto ele estava irritado. Um arrepio de medo percorreu sua espinha, mas ela recusou-se a parecer intimidada.
       A proximidade daquele corpo msculo tornava a passagem um tanto quanto claustrofbica. Mas quando ela tentou continuar seu caminho ficou chocada ao sentir 
que Seb segurava seu brao com firmeza.
       - Ali, no, voc no vai a lugar nenhum... O que lhe d o direito de me julgar? - ele perguntou com raiva. - Voc j foi casada? J teve um filho? Claro que 
no, voc...
       "Voc no passa de uma garota mimada, que sempre teve tudo o que quis", Seb ia dizer, mas interrompeu-se ao ver uma palidez quase mortal tomar conta do rosto 
de Katie.
       Ela permaneceu encarando-o em silncio. Como Seb podia conhecer seu humilhante segredo? Sentia o corao disparado dentro do peito. Ele no podia ter adivinhado 
como ela se sentia, podia?
       Desde o momento em que Gareth e Louise haviam lhe informado que estavam apaixonados, Katie prometera a si mesma que encontraria uma forma de levar sua vida 
sem atrapalhar a felicidade da irm.
       Vinha conseguindo fazer isso em quase todos os aspectos, com exceo de um: negligenciara completamente sua vida amorosa, pois sabia que jamais encontraria 
um substituto para Gareth em seu corao.
       Na verdade, o amor pelo cunhado surgira em sua vida antes que tivesse experimentado qualquer relacionamento srio cora uni homem. Mas ela sentia-se incapaz 
de entregar-se a algum movida apenas pela curiosidade, ou para livrar-se daquele "problema" chamado virgindade. E a situao s contribua para que se sentisse 
ainda mais insegura quanto  prpria feminilidade.
       Entretanto, a ltima coisa que desejava naquele momento era ver Seb Cooke tripudiando sobre sua vida incompleta, e por isso tentou livrar-se com impacincia.
       - Deixe-me ir...
       Deix-la ir... S ento Seb percebeu que ainda segurava seu brao. Mas j que estava ali... j que ela chamara ateno para o fato de ser sua prisioneira. 
Ela que o havia acusado... criticado e condenado...
       - Pare com isso... o que voc est fazendo? - Katie protestou em pnico quando sentiu a presso do corpo msculo contra o seu. Seb colocou uma das mos em 
seu ombro, e a outra desceu lentamente at sua cintura, puxando-a ainda mais para si.
       No instante seguinte, ele cobriu os lbios entreabertos de Katie com os seus. E ela percebeu, assustada, que o contato lhe provocava sensaes ainda mais 
intensas do que todas as que j experimentara desde que conhecera Seb.
       Rapidamente ela se esqueceu de todas suas preocupaes, e comeou a retribuir o beijo com paixo. As carcias experientes de Seb contribuam para deix-la 
ainda mais enlevada, sem tempo para analisar o que estava acontecendo.
       Seb levou a mo da cintura de Katie at a tentadora curva, de seus seios. Atravs do fino tecido da blusa, podia sentir sob seus dedos o delicado mamilo, 
que ficou instantaneamente intumescido com o toque. Katie notou, assustada, que o corpo de Seb tambm passou a reagir ao dela, e quase engasgou ao perceber todo 
o poder de sua masculinidade.
       Quando uma das crianas gritou o nome de Katie do outro lado da porta, Seb voltou  realidade, afastando-se imediatamente. Ela aproveitou a oportunidade para 
atravessar a passagem, correndo para a segurana de seu quarto.
       Pela janela, podia ouvir as risadas dos convidados, mas sentia-se muito confusa para voltar  reunio. Todo seu corpo continuava a tremer, completamente revolvido 
pelo que acabara de acontecer.
       A forma como Seb Cooke a havia tratado, tocado, era imperdovel... inesquecvel... um insulto... uma violncia contra suas emoes, e mais importante, contra 
seus princpios morais. No o havia encorajado, nem mesmo o havia desejado.
       Com o rosto ruborizado e os olhos fechados, Katie disse a si mesma, em voz baixa, que precisava ser honesta.
       Apertando ainda mais os olhos, ela suspirou profundamente.
       - Tudo bem, eu... correspondi, mas isso foi apenas fsico... sentiria o mesmo por qualquer homem... - Mordendo o lbio inferior ela abriu os olhos. Ser que 
aquilo era verdade?
       Determinada, Katie cerrou os dentes. O que havia acontecido com Seb Cooke era apenas uma expresso muito natural de sensualidade. Um tanto perigosa, era verdade, 
mas uma expresso de sensualidade. O amor por Gareth, sufocado por tanto tempo dentro de seu peito, combinado com o dio que sentia por Seb, havia provocado aquela 
exploso.
       A concluso deixou-a aliviada por encontrar uma explicao plausvel para a forma como correspondera ao beijo de Seb. Bem, no s correspondera, como tambm 
deixara aquilo bem claro para ele.
       No andar inferior, Seb estava se despedindo dos anfitries. Afortunadamente precisavam partir, pois Chrissie pretendia visitar os pais no dia seguinte.
       Ele continuava sem entender o que acontecera para agir daquela forma com Katie Crighton. Conhecera muitas mulheres que usavam de todos os artifcios para 
lev-lo para a cama, mas com nenhuma delas se comportara de forma to selvagem como com Katie.
       Raiva e desejo Seb sabia que, sexualmente, no podia existir combinao mais perigosa. Sua experincia lhe dizia que para um homem, aquelas podiam ser apenas 
reaes fsicas... Talvez. Mas ele tambm sabia que o que sentira quando Katie correspondera s suas carcias possua uma energia poderosa e incontrolvel, O mesmo 
tipo de energia liberada por um furaco, ou um terremoto...
       Maldita mulher! Ela era a ltima complicao de que precisava em sua vida naquele momento, ou em qualquer outro. Mesmo assim, Seb deu-se ao luxo de fechar 
os olhos para relembrar do instante em que Katie abrira os seus, totalmente subjugada, expressando neles o mais absoluto prazer. Ser que ela tambm perscrutara 
os olhos de Seb? Teria sentido... ansiado pela mesma coisa que ele?
       Como ele desejara estar deitado ao lado dela, os dois completamente nus. Imaginara fazer carcias interminveis, at v-la tremer em um orgasmo poderoso e 
inesquecvel.
       Seb podia ter sido um mau pai e um mau marido, mas Sandra sempre deixara claro que ele era um amante passional e fora de srie.
       Um cientista sensual. Ele era uma contradio ambulante. Duas metades que, quando reunidas, s podiam causar dor e decepo.
       J no carro, Chrissie comentou com Guy, pensativa:
       - Katie no me pareceu muito bem. No a vejo mais feliz como era desde que Louise se casou... Acho que deve ser difcil para ela viver longe da irm gmea...
       -  Talvez... - Guy concordou. - Ela sempre foi a mais quieta das duas. Bem, ao menos deve ficar feliz em breve, quando Louise visitar a famlia para a festa 
de Ben.
       - O que voc achou dela, Seb? - Guy perguntou, soltando uma risada em seguida. - Ou no deveria perguntar isso? Acho que vi algumas fascas saindo de vocs 
dois quando estavam juntos.
       - Acho que ela  muito idealista e sentimental - Seb respondeu brevemente. - De qualquer forma, no  o meu tipo.
       Guy e Chrissie permaneceram em silncio, depois de se entreolharem por um momento. Aquela no era a melhor forma de se comear um relacionamento entre futuros 
vizinhos.
       
       
       
       
       
       
       CAPITULO V
       
       Pela ensima vez desde que chegara ao trabalho, Katie puxou para baixo a saia de seu taileur preto e formal. Jamais se vestira para o trabalho com tamanho 
cuidado ou ansiedade. Mas aquele conjunto, comprado por Louise em Londres, daria a Seb Cooke a exata impresso do que ela representava em sua vida: a advogada que 
cuidaria da transferncia de seu apartamento, e nada mais do que isso.
       - Meu Deus, voc est linda! - Olvia comentou quando passou pela sala de Katie para cumpriment-la. - Muito elegante.
       -   um Armani - Katie sentiu-se obrigada a responder, admitindo em seguida: - Foi Louise quem me deu...
       -  Humm...  o tipo de roupa que os homens costumam fantasiar que as mulheres usam sem nada por baixo - Olvia murmurou maliciosa. - Ou pelo menos foi isso 
o que Caspar me disse quando comprei uma parecida.
       Em qualquer, outra ocasio Katie riria da piada, mas particularmente naquele dia, quando estava a apenas alguns minutos de receber Seb Cooke em seu escritrio, 
no achou a menor graa.
       - Espero que voc no esteja falando srio.
       - Os homens nunca so srios quando falam sobre sexo - Olvia brincou. - S sei que quando Caspar me viu usando um conjunto que eu inocentemente achara perfeito 
e respeitvel para uma audincia na corte, ele me garantiu que nenhum homem conseguiria se concentrar no processo.
       A recepcionista bateu na porta levemente.
       -  Seb Cooke j chegou:- avisou.
       - Humm... Seb Cooke - Olvia revirou os olhos, divertida. - Bem, devo dizer que, no seu lugar, suspeito que se tivesse Seb Cooke sentado a minha frente seria 
eu que no me concentraria em nada, e ficaria s imaginando o que ele estaria usando por baixo...
       -  Olvia! - Katie protestou. - Eu no... ele no...
       Mas Olvia j partira, deixando Katie sozinha. Logo depois a recepcionista voltou, acompanhada de Seb.
       No o encontrara desde o incidente na casa de seus pais. Depois de convid-lo a sentar-se, Katie percebeu que ele parecia frio e controlado, ao contrrio 
dela, que estava com os nervos  flor da pele.
       -  Isso no vai demorar muito - ela avisou no tom mais profissional que pde encontrar, sentando-se em sua cadeira. - Os contratos esto prontos, basta voc 
ler e assinar, e ento vou tomar todas as providncias necessrias.
       - Otimo. Tenho que participar de uma conferncia de negcios, e gostaria de me mudar para o apartamento antes dela.
       Katie no disse nada. Tambm estava ocupada fazendo os preparativos para se mudar o quanto antes, e quase se esquecera do fato de que seriam vizinhos.
       Teria ela mudado de ideia se o incidente ha casa de seus pais tivesse acontecido antes de comprar o apartamento?
       Seb notou que, apesar da distncia entre os dois, Katie no parecia totalmente confortvel.
       O que pensava que ele era? Alguma espcie de manaco sexual, que pularia sobre ela sem aceitar uma recusa? Mas no podia dizer nada. Como poderia dar uma 
explicao razovel para o que acontecera... e para o que continuava a acontecer enquanto ela lhe entregava os contratos para que assinasse? O estmago de Seb retrara-se 
quando sentira o aroma suave que os cabelos de Katie exalavam, em reao ao desejo selvagem que se instalara em seu corpo.
       Ao perceber que Seb virtualmente recuava cada vez que ela esticava o brao para lhe passar um contrato, Katie sentiu seu rosto comear a queimar. O que ele 
pensava que iria fazer... flertar com ele? Atac-lo? A vontade de dizer-lhe que estava enganado era quase insuportvel.
       Deliberadamente mantendo seus olhos fixos nos papis para evitar encar-lo, observou enquanto ele assinava os contratos.
       Seb possua dedos grandes e fortes, com unhas bem cuidadas. Suas mos, ainda que grandes, tinham uma aparente flexibilidade que por alguma razo inexplicvel 
fazia o corao de Katie bater mais rpido.
       Ela fechou os olhos por um momento, desejando que o homem no percebesse que estava fraquejando. Sua mente foi instantaneamente inundada por imagens erticas 
daquelas mos tocando sua pele nua, acariciando com suavidade os bicos de seus seios...
       Em sua imaginao, podia perceber claramente o contraste entre a pele morena de Seb e sua prpria palidez. Podia sentir o calor daquele toque, e todas as 
sensaes que ele lhe provocava...
       O escritrio ficara quase to claustrofbico como a passagem na casa de seus pais, e ela percebeu que estava sendo dominada pelo mesmo pnico e ansiedade 
que experimentara antes. Sentia-se quente... fraca... e queria tanto...
       Seb terminou de ler e assinar os contratos, devolvendo-os para ela, Katie forou-se a voltar  realidade e tentou agir da forma mais profissional possvel.
       Nesse meio tempo, Seb j estava de p, claramente ansioso para partir. E agora que tudo estava quase acabando, por que Katie sentia aquela inexplicvel vontade 
de chorar?
       Tremendo, ela empurrou a prpria cadeira e se levantou.
       - Entraremos em contato assim que os contratos tenham sido registrados, e ento voc poder pegar as chaves do apartamento - disse em tom profissional.
       - Voc vai mesmo comprar o apartamento ao lado do meu? - Seb perguntou.
       Katie ficou tensa. O que ele estava tentando dizer? Que esperava que ela desistisse da compra? Que no a queria como sua vizinha?
       Levantando a cabea, encarou-o fixamente pela primeira vez desde que entrara no escritrio.
       - Existe alguma razo para que eu desista? - perguntou desafiadora.
       Mas para seu alvio, ele no aceitou seu desafio, encolhendo os ombros e fazendo uma breve pausa antes de falar.
       -  No, s estava curioso. Vou ligar para o corretor e j pedir as chaves, para poder tirar as medidas para os tapetes e cortinas.
       - Isso voc pode arranjar com o corretor - Katie comentou com frieza. - Como sua advogada, devo dizer que ele tem todo o direito de recusar-se a lhe entregar 
as chaves antes que os papis estejam prontos.
       -  Na verdade - Seb retrucou no mesmo tom frio -, no estava pedindo um conselho profissional, simplesmente avisei, para voc no estranhar se vir outras 
pessoas transitando pelo andar. Contratei uma decoradora para cuidar de tudo para mim.
       Uma decoradora. Katie digeriu a informao em silncio. No seu caso, pretendia aceitar a ajuda de sua me e de outras parentes para a decorao do apartamento.
       Por um momento, sentiu-se tentada a dizer que a nica presena que a deixaria alarmada no prdio onde iria morar seria a dele.
       Depois que Seb foi embora ela abriu a janela do escritrio e respirou profundamente o ar da manh. Mas mesmo com a janela aberta ainda era capaz de sentir 
o perfume que ele deixara. Finalmente, achou melhor trabalhar um pouco na sala de reunies, para escapar dos efeitos que aquele aroma msculo continuavam provocando 
em seu corpo.
       -  Oh, papai, por favor! Eu adoraria ir!
       Seb sorriu ao ver o entusiasmo da filha com algo em que estava envolvido.
       -  um dia muito especial - Chrissie acrescentou, corroborando com gentileza para o entusiasmo de Charlotte.
       -  Humm... Como membro da diretoria da Aarlston aqui em Haslewich suspeito que voc vai ser obrigado a comparecer
       - Guy provocou-o.
       Estavam falando sobre o "Dia Especial" que a Aarlston promoveria no fim de semana seguinte para ajudar a Casa Ruth Crighton de Amparo. Todos os funcionrios 
da companhia tinham o direito de levar suas famlias ao evento.
       - Ento, o senhor vai me levar ao "Dia Especial", no vai?- Charlotte insistiu. - Vai ser divertido.
       Olhando para o sorriso esperanoso da filha, Seb decidiu que no teria mesmo outra opo.
       - Ficara preocupado quando a filha telefonara avisando que iria passar o fim de semana com ele. Para garantir que teria o maior tempo disponvel para ficar 
com a filha, trabalhara at mais tarde durante toda a semana. E aceitara a sugesto de Chrissie para jantarem todos juntos na noite de sexta-feira no restaurante 
de Frances, a irm de Guy.
       Charlotte rapidamente se tornara querida por todos os membros da famlia Cooke. Sua alegria e vivacidade conquistavam qualquer pessoa que conhecesse.
       - Est decidido, ento. A que horas ns vamos? - Charlotte perguntou excitada.
       - Sugiro que seja bem cedo - Guy opinou, para em seguida franzir as sobrancelhas. - Voc no me disse que tinha que ver algo em seu apartamento amanh de 
manh?
       - Marquei de encontrar a decoradora que voc me indicou pela manh - Seb informou. - A conferncia est chegando, ento eu...
       - Sim, claro. Bem, Jamie  muito profissional. Assim que voc lhe der uma idia do que pretende pode deixar que ela cuidar de tudo.
       - E Katie Crighton, j se mudou para o apartamento dela? - Charlotte perguntou interessada. - Ela  simptica. Eu...
       - Ela vai se mudar na prxima semana - Chrissie comentou, adicionando com um sorriso. - Estava me dizendo que graas  ajuda de Maddy, sua cunhada, encontrou 
tecidos maravilhosos para suas cortinas, com preos timos.
       A chegada de Frances interrompeu a conversa, o que deixou Seb extremamente agradecido. No havia encontrado Katie desde que estivera em seu escritrio, e 
suspeitava que ela estava evitando-o deliberadamente. Dizia a si mesmo que aquilo era bom, e que a ltima coisa que precisava era envolver-se com uma mulher.
       Mas teria de encontr-la no dia seguinte, com certeza. Pelo que ouvira, a famlia Crighton comparecia em peso ao "Dia Especial" da Aarlston. Aparentemente, 
at mesmo Ruth Crighton viria da Amrica acompanhada de seu marido, Grant, para o evento.
       - Vamos embora, j est na hora.
       Ao ouvir o chamado de sua me, Katie sorveu o ltimo gole de seu caf e levantou-se, refletindo que o "Dia Especial" mais parecia uma operao de guerra para 
sua famlia. Estavam todos reunidos na casa de Maddy, de onde partiriam para Fitz-burgh Place, onde o evento seria realizado.
       - Estou to feliz que Louise e Gareth tenham podido vir - Jenny comentou entusiasmada. - No acredito como Nick cresceu.
       Katie forou-se a sorrir ao ouvir o comentrio sobre o filho de sua irm.
       -  Santo Deus, olhe a hora! - Jenny exclamou. - Katie, suba correndo e avise Louise que temos de partir em dez minutos.
       Quando Seb e Charlotte chegaram a Fitzburgh Place, o "Dia Especial" j estava a todo vapor. Os dois haviam parado no novo apartamento de Seb para encontrar 
a decoradora que, como Guy havia prometido, era extremamente profissional e confivel.
       -  Queremos algo confortvel e acolhedor - Charlotte informou  mulher. - Nada hightec ou moderno...
       - Quero algo compatvel com o perodo de construo da casa - Seb considerou calmamente. - E o escritrio voc pode deixar por minha conta... Pretendo encomendar 
uma mesa sob medida para acomodar meu computador e os arquivos. Oh, e preciso de uma cama apropriada para a sute principal. Por favor, certifique-se de que seja 
grande e confortvel.
       - O que voc est planejando fazer nela? - Charlotte provocou-o. - Promover orgias?
       - Acredite voc ou no... pretendo dormir - corrigiu-a com seriedade.
       Charlotte tinha as prprias preferncias para seu quarto e, depois de explic-las  decoradora, perguntou se Seb as aprovava.
       - Tudo bem, contanto que voc no o transforme no quarto cor-de-rosa da Barbie... - ele brincou.
       Charlotte dirigiu-lhe um olhar indignado.
       - J passei dessa fase h muitos anos, papai. 
       Assim que estacionaram o carro, os dois caminharam entre as pessoas animadas. Seb concluiu que o agradvel e tpido dia de vero era perfeito para um evento 
como aquele.
       - Olhe ali, papai! Aquela deve ser a irm gmea de Katie, acompanhada do marido - Charlotte anunciou, segurando-o pelo brao.
       Sim, aquela era definitivamente a irm gmea de Katie, Seb reconheceu. A no ser pelo corte de cabelo diferente, as duas eram idnticas.
       - Onde ser que Katie est? - Charlotte murmurou. - Talvez possamos perguntar para sua irm.
       Seb ergueu as sobrancelhas.
       - No creio que seja uma boa ideia. Katie deve estar muito ocupada - ele opinou.
       Dez minutos depois, quando passavam por um berrio especialmente organizado para acomodar melhor as crianas menores, Seb descobriu que acertara.
       Katie estava lendo uma histria no meio de um grande crculo de crianas, e s notou a presena dos dois quando Charlotte acenou-lhe amistosamente.
       Ainda que sua voz tivesse falhado e seu rosto enrubescesse instantaneamente, ela continuou a leitura. Vendo aquilo, Seb sugeriu a Charlotte que os dois a 
deixassem em paz.
       -  No, ela est quase terminando. Mas voc no precisa ficar se no quiser. Nos encontramos dentro de algum tempo - Charlotte combinou.
       Erguendo os ombros, Seb saiu do berrio e comeou a andar pela festa at encontrar-se com Saulo, parando para conversar.
       - Charlotte - Katie cumprimentou-a sorrindo, quando terminou a histria.
       A adolescente caminhou at ela com um sorriso encantador nos lbios.
       - Acabei de ver sua irm gmea - anunciou amistosa. - Estava perto do pula-pula com o marido e um lindo menino.
       -  Nick, o filho deles - Katie informou.
       -  Acho maravilhoso isso que vocs todos esto fazendo - Charlotte elogiou. - E esse lugar est cheio de garotos bonitos...
       Ela riu, assumindo um tom confidencial.
       - Papai acha que todo garoto que se aproxima de mim vai me seduzir, mas para dizer a verdade, ainda no estou preparada para nenhuma relao mais sria. Acho 
que ele age assim por ter sofrido muito com a reputao de sedutores que os Cooke sempre tiveram. Ele nunca fala a respeito disso, mas acho que ele insistiu em se 
casar com mame s porque havia ido para a cama com ela, e no queria ser confundido com seus ancestrais. Sei que aa coisas deviam ser diferentes quando eles eram 
jovens, mas no vejo nada de errado em uma pessoa querer explorar sua sexualidade, no  mesmo?
       Fazendo uma pausa para recuperar o flego, a garota continuou:
       - Quando eu me comprometer com algum homem, quero ter certeza de am-lo realmente antes de fazermos amor pela primeira vez. Acho que a perda da virgindade 
 um verdadeiro rito de passagem para os dois sexos, e  lgico que quero faz-lo com a pessoa certa. Espero que voc tenha se sentido assim tambm quando perdeu 
a sua... - ela acrescentou em tom questionador.
       Katie sentiu-se enrubescer, perdida num redemoinho de emoes e pensamentos conflitantes. Ser que Charlotte esperava alguma resposta, ou estava apenas desabafando? 
A diferena de idade entre as duas no era muito grande, mas levara Charlotte concluir que obviamente Katie j fizera seu "rito de passagem". Ah, se ela soubesse 
a verdade...
       Pelo que a adolescente dissera, possua uma atitude muito mais madura do que a da prpria Katie com respeito ao sexo. Mas Charlotte jamais se apaixonara por 
um homem que jamais poderia ter.
       Os comentrios de Charlotte sobre seu pai eram bastante esclarecedores. Mesmo assim, Katie achava difcil conciliar aquela imagem de homem moralista, tanto 
que se casara com uma mulher que no amava apenas porque haviam dormido juntos, com a daquele que a beijara de forma sensual e agressiva.
       -  Oi... Vim ficar no seu lugar.
       Katie sorriu para Tullah, a esposa de Saulo, que se aproximava.
       -  Que bom! Isso quer dizer que voc pode me ajudar a encontrar papai - Charlotte comemorou, rapidamente colocando seu brao no de Katie.
       Encontrar Seb! Aquela era a ltima coisa que pretendia fazer, mas Charlotte obviamente no aceitaria um "no" como resposta. E ento Katie se viu relutantemente 
andando no meio da multido ao lado de Charlotte, ajudando-a a encontrar seu pai.
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       CAPITULO VI
       
       Veja quem eu trouxe comigo - Charlotte disse para Seb enquanto serpenteava jovialmente atravs da multido ao seu encontro, arrastando Katie consigo.
       De repente, o ambiente ficou tenso.
       - Aposto que est louca para beber alguma coisa depois de toda aquela histria - ela provocou Katie enquanto segurava com a mo que estava livre o brao do 
pai, ficando assim entre os dois. - Papai... - a menina comeou, mas Katie, adivinhando o que estava por vir e sabendo que Seb no gostava de sua companhia tanto 
quanto ela no gostava da dele, disse rapidamente:
       - No, Charlotte, est tudo bem. Minha me trouxe a famlia para um piquenique, e espera que eu fique com eles.
       Estava a ponto de desvencilhar-se de Charlotte quando um menino pequeno subitamente correu em sua direo carregando um graveto pontiagudo. Subitamente o 
garoto tropeou, e Katie correu em sua direo para peg-lo, evitando assim que o graveto o ferisse.
       Enquanto ela o apanhava, o menino soltou um barulhento grito de protesto, que tornou-se um grande e brilhante sorriso quando Katie o distraiu com um abrao 
e perguntou quem ele era.
       - Joey - ele disse com o sorriso travesso e malicioso dos Cooke, to parecido com o do Seb que seu corao comeou a bater forte e a fez perder o flego.
       - Joey... Voc est aqui...
       Katie virou-se enquanto uma mulher de estatura pequena e cabelos escuros aproximava-se deles correndo. Imediatamente, Joey esticou os braos gritando:
       -  Me...
       - Ele ia cair - Katie disse para a jovem mulher, enquanto o entregava para ela, no querendo ser mal-interpretada.
       - Eu sei... vi vocs - a outra mulher falou.
       Enquanto ela aninhava o filho nos braos, seus olhos estudavam Katie. O olhar escuro e aveludado era to intenso e hipntico que Katie no conseguia desviar 
os olhos.
       -  Sabe - a mulher contou enquanto passava a mo na testa -, eu senti que Joey estava em perigo e ento vi voc se aproximando dele... - Seus olhos brilharam 
com orgulho e altivez ao ver a expresso da Katie.
       -  Se voc no acredita em mim, pergunte a ele - ela desafiou, fazendo um pequeno meneio de cabea na direo de Seb. - Ele  de nossa famlia, e sabe que 
alguns de ns tm o dom da viso...
       Katie tambm sabia disso. A habilidade de algumas mulheres do cl dos Cooke para predizer eventos futuros era um fato conhecido no local, mas aquela era a 
primeira vez que ela pessoalmente testemunhava tal acontecimento.
       -  Eu no estava duvidando de voc - Katie assegurou, esticando a mo para acariciar com suavidade os cachos despenteados do menino. Os cabelos dele eram 
escuros como os da me... e como os de Seb. Maravilhosamente macios ao toque.
       O filho de Seb... O filho de Seb teria os cabelos assim. Por um momento ela pensou que estivesse sob um extraordinrio feitio que a cigana lhe havia colocado. 
Sem nenhuma explicao, teve uma imagem mental do filho de Seb, to real que parecia mesmo existir. Mas quase imediatamente, seu bom senso voltou a funcionar e disse-lhe 
que ela estava sendo muito imaginativa.
       Mas ento, quando eles estavam saindo, a cigana pegou no brao de Katie e disse-lhe com suavidade, acenando na direo de Charlotte;
       -  Ela no  uma filha feita por vocs dois, mas haver um, e muito em breve.
       Soltando Katie, ela virou-se para Seb, que havia escutado a declarao em silncio.
       - Voc no acredita em mim, mas  a verdade - a mulher falou em tom ameaador. - D-me sua mo - pediu a Katie, pegando-a com firmeza antes que ela pudesse 
evitar.
       Era ridculo sentir que estava na presena de um poder mstico to espantoso e antigo quanto  prpria vida, mas foi assim que Katie se sentiu enquanto a 
moa lia cuidadosamente sua mo, para em seguida pronunciar com firmeza:
       - Est escrito bem claramente aqui. Vocs esto destinados um para o outro, embora nenhum dos dois ainda tenha reconhecido isso. Mas antes de poderem faz-lo, 
voc - ela disse virando-se para Seb e dirigindo-se a ele com certa aspereza -, deve fechar a porta daquilo que est usando para negar um futuro a si mesmo. No 
h necessidade nem lugar para isso. E voc - ela virou-se para Katie com um pouco mais de suavidade -, deve fechar a porta para aquilo que sabe que nunca lhe pertencer 
legitimamente...   .
       Por um momento ningum falou nada. A imobilidade e o silncio parecia envolv-los como um manto invisvel. Foi ento que uma excitada Charlotte esticou a 
mo para a moa suplicando:
       -  E eu? O que pode ver na minha mo?
       A expresso da moa clareou enquanto ela soltava a mo de Katie e pegava a de Charlotte.
       -  Vejo que ainda ter uma longa jornada a caminho do conhecimento antes de iniciar o trabalho da sua vida. E vejo tambm... - Com delicadeza ela fechou os 
dedos de Charlotte sobre a palma da mo e continuou devagar. - Vejo que est entre aqueles que daro ao mundo coisas muito boas.
       E ento abruptamente soltou a mo de Charlotte e se foi, desaparecendo em meio ao turbilho de pessoas e deixando os trs parados em silncio enquanto digeriam 
as predies.
       - Bem... - Charlotte suspirou. - Isso foi extraordinrio... Vocs viram os olhos dela? Eu senti quase como se ela estivesse me hipnotizando.
       -  Provavelmente estava, ou pelo menos tentava - Seb falou de modo conciso. Depois de alguns momentos, concluiu com severidade: -  tudo bobagem, claro.
       - Preciso ir agora - Katie avisou aos dois.
       No havia possibilidade alguma de olhar para Seb naquele momento, no depois do que a moa havia dito.
       Ele estava certo, tudo aquilo era tolice, um trabalho ineficaz de adivinhao por parte da outra mulher, baseado no fato de eles estarem juntos. Ela provavelmente 
pressups que j eram um casal e que Katie, que obviamente no poderia ser a me da Charlotte, devia querer ter um filho com Seb.
       Foi fcil para ela captar com sua hipersensibilidade a imagem daquele menino pequeno e de cabelos pretos, to parecido com Seb. Havia sido uma simples coincidncia, 
e s.
       - Ela com certeza pensou que vocs dois eram um casal - Charlotte comentou com um largo sorriso.
       - No.
       - De jeito nenhum..,
       Charlotte passeou o olhar do pai para Katie, e depois de novo para ele, enquanto os dois negavam ao mesmo tempo.
       - Oh, mas vocs ouviram o que ela disse - ela provocou.
       -  inevitvel... o destino j decidiu por vocs...
       -  Eu diria que a explicao est mais numa imaginao muito grande do que em qualquer influncia sobrenatural - Seb ponderou secamente.
       -  Katie, voc est a! Mame nos mandou procurar voc para podermos almoar.
       Com a apario sbita de Louise, acompanhada de Gareth e com o filho deles nos braos, Katie ficou tentada a dizer para Seb que ele estava errado, e que uma 
fora invisvel, nociva e mesmo maligna, parecia ter acabado de liberar uma onda para acabar com sua tranquilidade. Mas Katie sabia que no podia fazer tal coisa, 
no sem revelar por que a simples chegada de sua irm gmea com o marido e o filho a deixara to incomodada.
       Era um costume comum na famlia Crighton, e mais especialmente nos de sua gerao, que tanto os homens como as mulheres se abraassem e beijassem quando se 
cumprimentavam, mas ela sentira uma grande angstia na primeira vez que Gareth tentara abra-la, depois que ele e Louise haviam se casado.
       A partir de ento, Gareth mantivera-se a distncia, o que deixara Katie profundamente agradecida. Mas naquele dia, diante dos olhos penetrantes de Seb e dos 
olhos curiosos de Charlotte, ela quase desejou que ele se aproximasse e lhe desse um abrao fraterno.
 claro que foi preciso fazer as apresentaes, e enquanto Charlotte brincava entusiasmada com Nick, Gareth e Seb trocaram cumprimentos masculinos, cada um 
examinando o outro calmamente.
       - Vocs no vo adivinhar o que acabou de acontecer - Charlotte comeou a contar para Louise com animao, enquanto o corao de Katie ficava apertado.
       Quando sua irm gmea ficasse sabendo do que a moa havia previsto...
       Para alvio de Katie, em vez de provoc-los por causa das previses, Louise fugiu de suas caractersticas habituais e foi cuidadosa, silenciando sobre o assunto. 
Em seguida, reiterou que os pais estavam esperando para comear a almoar.
       - Humm... Almoo, parece uma boa ideia, papai - Charlotte falou para o pai animada. - Estou morrendo de fome...
       Vendo o olhar pesaroso que Seb estava dirigindo para as lanchonetes de fast food ao redor, Louise sugeriu prontamente:
       -  Por que vocs no se juntam a ns? Tenho certeza de que mame trouxe mais do que o suficiente...
       -  Oh, no...
       -  Obrigado, mas no...
       Como os dois falaram ao mesmo tempo, Louise levantou um pouco as sobrancelhas, com sua ateno focada principalmente na expresso de Katie.
       Mas antes que ela ou Seb pudessem reiterar a negativa para a sugesto de Louise, Guy e Chrissie vieram ao seu encontro.
       -  Eu acabei de convidar Sebastian e Charlotte para se juntarem a ns para o almoo - Louise explicou imediatamente para o ex-scio de sua me.
       - Voc convidou... Que bom, pois acabei de encontrar Jenny e aceitei seu convite para que ns cinco nos juntssemos a vocs...
       Com o corao ainda mais apertado, Katie virou-se para ir em direo  irm, mas neste meio tempo Guy pediu-lhe, j se desculpando:
       -  Katie, voc se importaria de ir at o carro do seu pai para pegar uns talheres que sua me me pediu? As chaves esto aqui. Anthony precisa ser trocado 
antes do almoo e nosso carro est estacionado do outro lado do parque, ento...
       Feliz por ter uma oportunidade de afastar-se de Sebastian Cooke, Katie imediatamente meneou a cabea de forma afirmativa e pegou as chaves do carro do pai 
da mo do Guy.
       - Estamos no mesmo lugar de sempre - Louise avisou a irm alegremente, enquanto partia ao lado de Chrissie, para trocar histrias de me e filhos.
       Katie havia andado alguns metros quando ouviu subitamente Seb chamar seu nome. Virou-se e olhou curiosa enquanto ele corria para alcan-la.
       - Eu s queria dizer-lhe uma coisa antes de nos reunirmos com a sua famlia para o almoo - ele disse de forma direta. - Toda aquela besteira que a quiromante 
de mentira revelou no teve nada a ver comigo - informou desnecessariamente.
       Logo Katie comeou a perder a pacincia.
       - Bem, eu com certeza no tive nada a ver com as previses dela - retrucou. - S a ideia j  ridcula. Para comear, ns teramos que...
       Ela parou, e seu rosto comeou a ficar avermelhado com as imagens inesperadas e explcitas que surgiram em sua mente do que eles precisariam fazer para que 
as previses da mulher pudessem se realizar.
       - Teramos que o qu? - Seb olhou-a com malcia. - Que ir para a cama juntos? Era isso que voc ia dizer?
       Primeiro Katie desviou o olhar e depois respondeu com voz embargada:
       - Na verdade no. O que eu ia dizer  que precisaramos... ter um relacionamento bem diferente do que temos hoje...
       - Como eu disse precisaramos ir para a cama juntos - Seb falou sucintamente. - E isso no  possvel de jeito nenhum.
       Katie no conseguiu se controlar, e soltou um suspiro humilhado por aquela demonstrao de rejeio inequvoca.
       - Voc est certo - concordou rpida e decisivamente. - No acontecer. O tipo de homem que quero... que eu acho atraente - ela esclareceu -, ...seria...
       -  Seria qual? - Seb desafiou-a incisivo.
       Os sentimentos de Katie haviam sido muito feridos para que ela tivesse tato ou tomasse algum cuidado.
       - Ele no seria nada parecido com voc - disse asperamente. - Ele seria gentil... amoroso... cuidadoso... - Sua voz ficou mais suave, traindo-a, seus olhos 
estavam como que sonhando, e ela continuou um pouco rouca: - Ele seria inteligente e... e compreensivo e nunca, nunca... - Parou por um instante e ento completou, 
furiosa: - Ele seria totalmente diferente de voc,
       - Ainda bem, pois o homem que voc est descrevendo me parece no ter nenhum sangue nas veias. - Seb concordou, resoluto. - Ele parece mais com um ser mtico, 
assexuado, recortado de uma revista, em vez de algum real - afirmou com sarcasmo. - Um heri de fico, que traz tanta similaridade com um homem real quanto...
       - Voc s est dizendo isso porque no  assim - Katie interrompeu desafiadoramente. - Existem homens assim... homens que..,
       -  Homens que... o qu? - Seb desafiou-a imediatamente, colocando-se atrs de Katie, temendo que por ela estar perdendo terreno na discusso pudesse girar 
sobre os calcanhares e correr para o local onde estava estacionado o carro de seus pais.
       - Deixe isso pra l - ela pediu, enquanto Seb pegava-lhe o brao com firmeza.
       - No at que voc responda minha pergunta - ele disse com severidade. - Diga-me exatamente o que tem este homem perfeito que voc diz ser to desejvel, 
pois com certeza no  a sexualidade.
       -  Seb! - Katie virou-se para olha-lo imediatamente. - Existe mais num relacionamento... no amor... do que...
       - Existe mesmo, mas acho que descobrir que a maioria dos homens, e das mulheres, querem o prazer de despertar e fazer parte dos desejos sexuais dos parceiros 
que escolheram. Voc mesma j deve ter experimentado isso - ele continuou, enquanto Katie no respondia nada alm de ficar cada vez mais tensa.
       E ento ficaram um de frente para o outro. A expresso do rosto msculo mudou subitamente quando olhou para os olhos desconfiados dela.
       - Voc j experimentou isso, no , Katie? - ele perguntou delicadamente.
       -  O que eu j experimentei no  da sua conta - Katie defendeu-se valente.
       -  Talvez no - Seb concordou, mas em vez de solt-la e partir como ela esperava, aproximou-se ainda mais, fazendo com que o estmago dela se contrasse em 
um protesto de ansiedade. - Ou talvez a cigana realmente saiba algo que voc e eu no sabemos... Podemos descobrir se ela est certa...
       - No... - Katie comeou a protestar, mas era tarde demais. Com os dois encobertos pelas sombras das rvores daquela parte do parque, foi muito fcil para 
Seb arrebat-la totalmente em seus braos, aprisionando-a enquanto curvava-se at ficar com seus lbios sensuais sobre os dela, sem lhe dar chance de escapar.
       Foi um beijo mais de raiva e vingana do que de qualquer outra coisa, e Katie no era to inocente para no reconhecer aquele fato. Ele estava indignado com 
a previso da quiromante e encontrara aquele modo de puni-la.
       -  No... - ela conseguiu protestar incisivamente contra a boca mscula, e logo conseguiu libertar-se. Por acidente, seus dentes arranharam o lbio inferior 
de Seb enquanto se libertava.
       - Mas que diabos...
       Quando o ouviu praguejando, Katie gelou. Podia sentir o sabor levemente salgado do sangue dele na prpria lngua; e estava horrorizada pelo que havia feito, 
mesmo que tivesse sido provocada.
       - E voc ainda diz que quer um amante gentil e passivo? - Seb indagou de maneira selvagem. -Voc  uma mentirosa, Katie. Voc quer um homem que tenha a mesma 
paixo que a sua, um homem que...
       - O que eu no quero  voc - Katie disse com franqueza.
       -  E eu no quero voc - Seb assegurou com brutalidade. Mas subjugando-a, completou com frieza: - Mas eu quero isso...
       Katie suspirou em protesto enquanto a boca mscula possua novamente a sua. Possua... seduzia... arrebatava... A presso da boca de Seb fazia com que os 
lbios dela ficassem to sensveis que todo seu corpo tremia com as emoes que estava experimentando.
       Atravs dos espaos entre as folhas das rvores, podia sentir o sol aquecendo seu rosto, mas aquilo no era nada comparado ao calor que Seb estava gerando 
dentro dela.
       Tentou soltar-se. Ela sabia que precisava. Mas ento por que seus braos estavam em torno do pescoo de Seb, por que seu corpo estava to pressionado contra 
o dele, por que sua boca estava se abrindo sob a presso da dele... por qu?
       - Viu, eu disse que voc era apaixonada - Seb disse com voz rouca. - A nica razo para voc querer um homem dcil e manso  para poder destru-lo, como faria 
um louva-a-deus...
       -  Oh...
       A crueldade daquelas palavras fizeram-na voltar  realidade, e Katie afastou-se de Seb.
       - Foi voc que... eu no fiz nada - ela acusou rapidamente, incapaz de encar-lo.
       - Nada...
       Ela tentou fugir, mas Seb alcanou-a, cobrindo sua boca com a mo e levantando seu rosto para que pudesse olh-la de frente.
       -  Ento, o que  isto? - ele perguntou, levando a mo dela at a prpria boca e fazendo-a tocar na parte arranhada de seu lbio inferior.
       Com um pequeno e rpido protesto, Katie libertou-se. Seus olhos comearam a encher-se de lgrimas. Estava tonta e delirante, e em algum lugar dentro de si 
havia uma dor pequena mas incisiva, que a assustava e amedrontava.
       Mas antes que ela pudesse dizer ou fazer qualquer coisa ouviu a voz familiar de Guy chamando-os.
       - A esto os dois! Jenny achou que vocs haviam se perdido...
       Mais tarde, Katie congratulou a si mesma por haver dito e feito tudo o que esperavam dela durante o almoo. Com certeza ningum parecia ter considerado seu 
comportamento estranho, mas durante todo o almoo familiar estivera consciente da presena intensa e desconfortvel de Sebastian Cooke.
       Enquanto os outros conversavam e faziam brincadeiras, caoando uns dos outros, ela tivera dificuldade para engolir at mesmo uma garfada das delcias que 
sua me havia preparado.
       Na verdade, em um certo momento percebeu com um pouco de amargura que Seb parecia mais  vontade e relaxado do que ela, e que Charlotte...
       Estava claro que a garota estava se divertindo muito. Katie ouviu-a contar para Jenny com entusiasmo o quanto estava adorando o colegial.
       - Morar na escola  ainda melhor - ela completou. - As outras meninas so timas, e eu fiz muitas amigas novas.
       -  Deve ter sido uma deciso muito difcil para vocs - Jenny comentou com Seb.
       - Foi - ele concordou. - Sandra, George e eu sentamos juntos com Charlotte para discutir o assunto. Sei que aos dezesseis anos ela pensa que  uma adulta. 
Mas mesmo que aceitemos que  madura o suficiente para tomar a maioria das decises referentes a sua educao, o fato  que este mundo em que vivemos nem sempre 
 muito seguro para uma mocinha. No entanto, a escola apresentou uma poltica excelente, que permite que as garotas tenham uma certa liberdade, mas com segurana.
       - Sim, podemos sair  noite e at ir a clubes, contanto que estejamos num grupo de no mnimo oito garotas, e que todas voltemos juntas no micronibus da escola.
       - Foi preciso convencer mame, George e papai para que me deixassem vir, mas  o melhor colgio do pas no curso que escolhi. E j que pretendo conseguir 
uma vaga na Universidade de Manchester, mudar para c  o ideal.
       Como tinham um primo no mesmo nvel de escola, Katie no ficou surpresa com o interesse da me nos estudos de Charlotte. Mesmo assim, gostaria que ela no 
fosse to acolhedora e calorosa com Sebastian Cooke.
       De forma no planejada, os adultos presentes no piquenique haviam se separado em grupos, de modo que de uma hora para outra ela estava sentada mais prxima 
de Seb do que de qualquer outra pessoa. Infelizmente, a outra pessoa mais prxima era Gareth, e Katie estava determinada a eliminar qualquer resqucio dele em sua 
vida, mantendo a maior distncia possvel do cunhado.
       Mesmo assim, estava aliviada por Louise no haver contado para o resto da famlia sobre as previses da quiromante. Esperava com fervor que a irm nunca se 
referisse quilo novamente.
       Mais tarde, naquele mesmo dia, Katie descobriu que seu alvio havia sido prematuro.
       Louise insistiu para que Katie a levasse para ver seu apartamento novo enquanto Gareth dava banho e alimentava Nick.
       -  fabuloso - Louise declarou logo que acabaram de ver todos os ambientes. - Quando pretende se mudar?
       - Bem, se possvel no final da semana. O carpete j deve ter sido instalado at l, embora eu no saiba se as cortinas estaro prontas. Mas a mame disse 
que me emprestaria algumas...
       - Nossa!  um apartamento de solteira muito sofisticado - Louise aprovou. - Porm... - com uma piscadela, ela continuou. - Porm, se o que a sua amiga cigana 
disse for verdade...
       - Seb e eu... - Katie interrompeu-a rapidamente. -Ns... Mas antes que pudesse acabar de negar Louise foi ao seu encontro e tocou suavemente em seu brao, 
pedindo com seriedade:
       - Podemos conversar? Eu quero dizer, de verdade...
       O corao de Katie ficou apertado. Aquele era o momento que temera desde que Gareth e Louise haviam anunciado que estavam apaixonados.
       - Claro... - respondeu, tentando esconder os sentimentos. - Sobre o que quer falar? Ns...
       - Katie, o que  isso... somos ns... voc e eu... Olha, eu sei... Katie gelou. Louise sabia do qu? Que ela, Katie, amava seu marido?
       Antes de continuar, Louise balanou a cabea. Em seguida, falou com voz rouca:
       - Ns costumvamos ser to amigas... Contvamos tudo uma para a outra... Mas desde que eu e Gareth nos casamos... Voc  minha irm gmea, Katie... Eu ainda 
preciso de voc... Sempre precisarei, e odeio sentir que existe esta distncia, uma barreira entre ns. Se eu fiz ou disse alguma coisa que a magoou...
       - No!  claro que no. - Katie negou de imediato, aterrorizada com a possibilidade de Louise continuar a perguntar e de algum modo descobrir a verdade.
       No era sua culpa se Katie amava Gareth. No era culpa de ningum a no ser dela mesma, e a ltima coisa que queria era aumentar a distncia entre ela e a 
irm ao contar-lhe o que realmente sentia. Tudo o que a confisso dos seus sentimentos podia fazer alm de faz-la humilhar-se era deixar Louise e Gareth embaraados.
       -  que... - ela parou, procurando uma explicao satisfatria para acabar com as perguntas da irm. -  claro que as coisas so diferentes agora que voc 
e Gareth esto casados, e que vocs tm Nick.
       - Bem,  claro - Louise concordou, abrindo um largo sorriso. - Mas, pelo que se pode ver, no vai demorar muito para voc e Seb terem um filho... Ele  extremamente 
sexy, Katie. Sexy de verdade - enfatizou, girando os olhos para mostrar sua aprovao. - E se eu no estivesse to apaixonada pelo Gareth...
       - Louise, Seb e eu... - Katie comeou com franqueza, descontente com a direo que a conversa estava tomando e com as concluses erradas de Louise.
       -   uma pena que vocs dois no tenham descoberto que estavam apaixonados antes que voc adquirisse este apartamento. Ainda assim,  obvio que conseguir 
um bom lucro quando vend-lo. Vocs j fizeram planos, ou... 
       -  Louise, ns mal nos conhecemos - Katie protestou. - Eu nem mesmo... - Gosto dele, quem dir am-lo, estava prestes a dizer, mas, como de costume, Louise 
no lhe dava tempo para terminar suas frases. Ouviu a irm continuar com entusiasmo:
       - Eu pude ver como Charlotte lhe aceitou to bem.  maravilhoso. Tambm, voc  to gentil e amvel que seria capaz de se dar bem com a mais difcil das enteadas, 
e qualquer um pode ver que Charlotte no  nada assim. E,  claro, no poderia ser melhor, voc e Seb vivendo to juntos.
       - Louise... - Katie tentou falar desesperadamente, e ento parou quando Louise olhou pela janela e exclamou:
       -  Oh, a vem Gareth! Ele deve ter ficado preocupado com a nossa demora. Katie, estou to feliz por voc - Louise afirmou entusiasmada e virou-se para abraar 
sua irm gmea com amor. - Posso dizer agora que houve um momento em que tive medo... Bem, voc sempre foi to determinada em defender Gareth no passado, quando 
eu no o suportava, que imaginei que por sermos gmeas, e porque eu o amo tanto... Me preocupei, pois pensava que voc poderia...
       A cada palavra que Louise pronunciava, Katie sentia crescer dentro de si a ansiedade e a angstia, sentimentos que pareciam ter parado como uma pedra de gelo 
em seu corao, tornando o peso em sua conscincia ainda maior. Era como se seus maiores temores se tornassem realidade. Louise havia intudo o que estava acontecendo 
com ela, apesar de tudo o que havia feito para evitar aquilo.
       Louise era sua irm gmea, sua outra metade, e havia entre elas uma ligao que gerava em Katie no apenas uma lealdade cega, mas tambm uma necessidade de 
colocar o bem de Louise em primeiro lugar, de proteg-la da dor que certamente sentiria ao saber que ela, Katie, amava Gareth.
       Lutou com sua conscincia para no enganar a irm mas, como j sabia, seria quase impossvel deter Louise uma vez que ela j havia enfiado aquela ideia na 
cabea.
       Mas a verdade logo viria  tona, j que era bvio que ela e Seb se detestavam.
       - E no se esquea da festa do seu av, est bem? - Jenny Crighton relembrou Louise enquanto se despediam com um beijo.
       Louise e Gareth haviam vindo da Blgica no prprio carro, e agora estavam partindo para ver a famlia dele na Esccia antes de retornarem para Bruxelas. Abraando 
a me, Louise prometeu:
       - Ns estaremos l. Como poderamos perder esta ocasio, quando ser a primeira oportunidade formal de Katie apresentar Seb para a famlia?
       - Seb? - Jenny questionou surpresa. - Mas...
       - Logo no comeo eu percebi que existia alguma coisa entre eles - Louise continuou contente. - E estou to feliz por Katie, me. Ultimamente, ela andava to 
diferente. Isso estava me preocupando.  engraado como as coisas se resolvem, no? - perguntou. - Se ela no tivesse que sair do ltimo emprego por causa daquele 
chefe horroroso, que estava infernizando sua vida, no teria voltado para casa e no teria encontrado Seb.
       Jenny no teve tempo para falar nada, pois o lado intempestivo de Louise a fez continuar falando:
       - Voc devia ter visto a cara dela quando Charlotte nos contou o que uma moa previu para ela e Seb no nosso "Dia Especial".
       Louise deu uma risada.
       -  Nada menos que um filho! - esclareceu para a me estupefata. - E pelo que o Guy me contou, o divrcio de Seb e sua ex-esposa foi em comum acordo, e eles 
se do relativamente bem. Pelo menos Katie no viver nenhuma situao desagradvel. Ela  to sensvel... sensvel at demais, e s vezes isso no  bom para ela. 
Sempre coloca os sentimentos e as necessidades dos outros em primeiro lugar.
       -  verdade - Jenny concordou com seriedade.
       Era novidade para ela que Katie estivesse envolvida romanticamente com Seb Cooke, mas Louise estava correta quando afirmara que Katie estivera diferente no 
ltimo ano. Sempre quieta, aos olhos da me estava retrada demais, o que lhe causava grande preocupao. Fora por isso que havia sugerido a Jon que persuadisse 
a filha a voltar para casa e juntar-se aos negcios da famlia.
       No que Jenny tivesse alguma objeo quanto a Seb ser um possvel genro, longe disso. Gostara dele de imediato, e achava Charlotte um doce. No. O que a surpreendia 
de verdade era que a filha, quase sempre hesitante e reticente, tivesse se comprometido to rapidamente.
       - Oh, sim, Guy, estou certa de que Katie vai ador-la - Jenny dizia entusiasmada enquanto examinava a pequena e linda escrivaninha que Guy a havia convidado 
para ver. A loja de antiguidades que eles haviam comeado juntos agora era gerenciada por um dos parentes de Guy, Didi Fowler, enquanto Guy se concentrava em outros 
aspectos de seu pequeno imprio financeiro.
       - Eu me lembro do quanto ela adorou a que encontrei para a minha filha Laura - Guy comentou. - E quando Didi disse que esta havia chegado, pensei logo em 
Katie e em seu novo apartamento. A propsito, quando ela vai se mudar? Eu soube que Seb encerrou o contrato da sua propriedade alugada e que pretende comear uma 
vida nova em seu apartamento assim que retornar da conferncia.
       - Katie disse que quer mudar assim que possvel. E claro que, agora que ela e Seb esto juntos, acredito que vai querer mudar assim que ele o fizer.
       - Katie e Seb? - Guy assobiou baixinho - Eu no percebi... - ele comeou, meneando a cabea em seguida.
       - Nem eu - Jenny admitiu. - Mas Katie confidenciou a Louise, e Louise mencionou o assunto sem perceber que Katie ainda no havia contado nada para ningum.
       - Um Cooke e uma Crighton... Isso vai causar um certo rebulio. Ben no vai gostar muito... Por falar nisso, como vai ele?
       - No muito bem - Jenny informou preocupada. - Maddy diz que ele est cada vez mais angustiado com a ausncia de David. Ns no usamos a palavra "desaparecimento" 
perto do Ben, pois isso o deixa muito triste. Voc sabe o quanto ele sempre adorou David. Sempre foi seu filho favorito.
       -  Bem... Se voc me perguntasse, eu diria que esta foi a causa dos problemas de David. No tanto porque Ben depositava tantas expectativas nele, mas porque 
David esperava que o mundo todo o colocasse em um pedestal, como seu pai fazia. Bem, pessoalmente, no acredito que volte.
       -  No seria fcil - Jenny admitiu. - Para nenhum de ns. Mas no posso deixar de desejar isso, para a felicidade do Ben. Se no voltar, que ao menos entre 
em contato conosco... Na verdade, Guy, temo que se David demorar muito, ser tarde demais - ela confidenciou com ar sombrio. - Os mdicos dizem que no h uma razo 
plausvel para que Ben no se recupere da ltima cirurgia. Em teoria, ele tem tudo para se recuperar.
       Sem notar que no estava dando chance para Guy argumentar, Jenny continuou falando:
       -  Maddy, sempre dedicada, est cuidando dele da melhor forma possvel, e todos esperamos que as coisas melhorem agora que Max fixou moradia em Queensmead. 
Voc sabe que, dos netos de Ben, Max sempre foi seu favorito.
       -  Mas o Max no  a mesma pessoa que era antes, ? Tenho a impresso de que agora Max  muito mais filho de Jon do que sobrinho do David.
       - Sim. Como o prprio Max diria, o que ele passou na Jamaica foi como uma converso do tipo "Saulo a caminho de Damasco".
       O ar srio deixou os olhos de Jenny e ela riu, explicando a piada a Guy.
       - O pequeno Leo deve ter ouvido errado quando o pai usou a expresso, confundindo Paulo com Saulo, pois perguntou a Max o que o tio Saulo estava fazendo na 
estrada para Damasco.
       Quando os dois pararam de rir, Guy aproximou-se e deu um tapinha na escrivaninha que estavam admirando, e considerou para Jenny:
       - Talvez eu deva guard-la para dar a Katie como presente de casamento. Seb  um bom homem - ele continuou. - Um homem de princpios, que ser muito bom para 
Katie.
       Depois de confirmar para Jenny que guardaria a escrivaninha para Katie, Guy foi para casa contar  esposa que logo celebrariam outro casamento na famlia.
       - Seb e Katie... Oh, isso  maravilhoso! - Chrissie exclamou com entusiasmo. - Charlotte vai vibrar. Ela gosta muito de Katie - completou.
       Enquanto isso, totalmente desavisados de que seu futuro estava sendo traado, os dois supostos amantes estavam tratando cada um de seus prprios negcios.
       Katie teria um dia cheio, com compromissos durante toda a manh e uma visita ao tribunal  tarde, enquanto Seb estava a caminho de uma grande conferncia 
sobre as implicaes morais resultantes dos gigantescos progressos que a cincia estava fazendo no campo da gentica.
       O ltimo telefonema de Seb antes de sair foi para a decoradora, para dar andamento ao projeto que ela lhe havia apresentado. Ficaria fora menos de uma semana, 
mas ela havia assegurado que, com os contatos que tinha, grande parte do trabalho estaria pronta rapidamente, possibilitando sua mudana para o apartamento assim 
que voltasse da viagem.
       A conferncia era na Flrida. No era o lugar ideal, na opinio de Seb, devido ao vo ser longo. J no avio, ele fechou os olhos e recostou-se na poltrona, 
pronto para dormir, usando uma tcnica de relaxamento que havia aperfeioado durante os anos. Mas daquela vez nem sua mente nem seu corpo estavam preparados para 
responder aos comandos que enviava. Em vez disso, em sua mente formou-se a imagem da pessoa na qual ele menos queria pensar.
       Ficava enfurecido ao perceber que sua mente era assolada pelas imagens de Katie Crighton, numa srie de figuras ntimas e sensuais. A mais desconcertante 
de todas, no entanto, era aquela em que os olhos, os cabelos e a boca da Katie apareciam em um menino pequeno, descabelado e de expresso solene.
       - Oh, no! De jeito nenhum!
       Seb no havia percebido que murmurara a negativa,em voz alta, at que viu o homem na poltrona do lado encarando-o com curiosidade.
       Cientificamente, ele sabia que era totalmente impossvel para qualquer pessoa ver o futuro. A verdade era que eles podiam fazer suposies, baseadas em evidncias 
de fatos reais.
       Assim, seria previsvel que a cigana considerasse que ele e Katie eram um casal e que, portanto, ela no futuro seria me de seu filho. Mas alguma coisa havia 
acontecido, no tanto por causa da previso, mas por causa da mulher que havia tocado num ponto quase primitivo do seu ser.
       Ele se mexeu na poltrona, sentindo-se desconfortvel. Tudo bem, por que no admitir que desejava Katie? Sexualmente falando, ela conseguira despertar sensaes 
que Seb havia se esquecido que existiam, se  que realmente as conhecera um dia.
       Embora considerasse o sexo uma experincia muito prazerosa, nunca sentira-se conduzido, obcecado ou possudo por ele, como costumava acontecer com alguns 
homens.
       Sabendo como as pessoas viam os homens da famlia Cooke e sua suposta sexualidade incontrolada, ele inconscientemente decidira que no seguiria as expectativas 
j estabelecidas para a famlia, e tentaria apagar aquela mancha de libertinagem sexual.
       Fora por isso que insistira em concentrar seu jovem desejo sexual por Sandra dentro dos limites aceitos e respeitveis do casamento. O tempo e a experincia 
haviam lhe mostrado que aquilo era uma bobagem, mas ele nunca mais deixou que seu desejo sexual ficasse fora de controle, ou que tivesse qualquer influncia em sua 
vida.
       Depois dos trinta anos, comeou a se considerar um homem com maturidade e habilidade para tratar o lado sexual de sua natureza como algo menos importante 
do que a satisfao mental, a fim de que pudesse distanciar-se de qualquer poder que o sexo pudesse vir a exercer sobre si.
       Agora, de modo irritante e ridculo, ali estava ele aos trinta e oito anos descobrindo que, longe de ser uma faceta sem importncia da sua natureza, aquela 
se tornara um monstro de sete cabeas.
       Naquele momento, por exemplo, j no estava visualizando Katie, mas lembrando-se do gosto de seu beijo, do calor e da maciez de sua pele, dos seus seios... 
de como seus mamilos haviam ficado intumescidos e sua respirao acelerada...
       A forma como ela evitara seu olhar enquanto a cigana fazia a previso. Oh sim, ela o sentira fsica e intimamente, como ele a havia sentido, embora Seb duvidasse 
de que aquilo tivesse mexido tanto com ela quanto acontecera com ele.
       Charlotte havia sido concebida por acidente, como resultado do esquecimento de uma plula anticoncepcional, e ele e Sandra s souberam da concepo semanas 
mais tarde. Mas se fosse ter um filho agora, Seb gostaria de saber, sentir, compartilhar com Katie o fato de que o calor da paixo deles resultaria numa nova vida.
       Mas o que estava pensando?
       Olhando para a aeromoa, que passava, pediu o drinque que havia recusado antes. Devia estar sofrendo de algum tipo de problema causado pela altitude. Ou ento 
aquela maldita cigana lhe havia colocado algum encanto.
        Sem acreditar, fechou os olhos. Definitivamente, estava perdendo o controle. Ele era um cientista, e sabia que encantos e previses eram coisas do passado.
       
       
       CAPITULO VII
       
       Est comeando a se parecer com um lar.
       Depois de dar um giro, Katie abraou a me, agradecida. Jenny acabara de passar boa parte da tarde pendurando as cortinas que ela e Maddy haviam feito para 
a sala de Katie.
       -  Esse tom de damasco est maravilhoso - Jenny murmurou. - Sabe, foi bastante difcil costur-lo... Estou tentando convencer seu pai de que o escritrio 
precisa de uma renovao, e este tecido seria perfeito.
       - Parece igual queles tecidos de antigamente... - Katie falou com entusiasmo. - E adoro este tom dourado-claro.
       -  Sim... Maddy tem timos olhos. Ele combina perfeitamente com o carpete.
       O carpete que havia sido instalado em todo o apartamento parecia-se com o tecido da cortina, um negcio de ocasio conseguido por Maddy. Originalmente encomendado 
por uma cliente e tingido de acordo com suas especificaes, o pedido havia sido cancelado no ltimo minuto, pois ela acabara se decidindo por uma cor diferente.
       Aquela desistncia havia se tornado a sorte de Katie, uma pechincha. A l macia e de cor dourada bera clara no devia ser do gosto de todo mundo. Tambm no 
era particularmente prtica, mas como Maddy e Jenny haviam argumentado, ela dificilmente teria muita sujeira no ltimo andar.
       Fora Maddy quem a persuadira a gastar uma soma extra de dinheiro em uma faixa de papel de parede creme e dourada, que deixou a sala mais elegante e combinava 
perfeitamente com o carpete e as cortinas.
       Um velho sof desenterrado tambm por Maddy dos stos de Queensmead estava sendo revestido, e as peas de moblia que haviam sido doadas por seus pais j 
estavam em seus lugares, juntamente com a cama de casal que ela havia comprado.
       - Eu pendurei as velhas cortinas do nosso quarto de hspedes no seu quarto, por enquanto - Jenny anunciou. - Elas vo funcionar at que voc encontre um tecido 
de que goste. Venha e d uma olhada nelas.
       Katie acompanhou a me at seu quarto, e quando chegaram l Jenny olhou diretamente para a cama.
       - No seria melhor ter comprado uma cama king-size? - perguntou com praticidade. - Seu pai sempre reclamou que nossa antiga cama era muito pequena, e Seb 
 alguns centmetros mais alto que ele.
       Sem fala, Katie encarou a me sentindo a cor desaparecer de seu rosto.
       -  Louise me contou - Jenny disse com gentileza.
       - Louise contou-lhe - Katie repetiu em choque. - Louise contou-lhe sobre...
       -  Sobre voc e Seb - a me confirmou.
       Jenny foi ao encontro de Katie, colocando seus braos ao redor dela e abraando-a carinhosamente.
       - Estou to contente por voc, querida. Eu no queria dizer nada mas... bem, sei que os ltimos dois anos no foram muitos felizes para voc.  claro que 
seu pai no est exatamente emocionado porque Seb  um Cooke, mas com o tempo estou certa de que seu namorado ser um preo duro para Ben. Nem preciso dizer que 
vocs dois foram convocados para apresentar-se a ele na sua festa.
       Katie teve que sentar-se. Por qu? Por que no preveniu Louise para no dizer nada a ningum? Por que no imaginou o que aconteceria? Aquilo era terrvel. 
Desastroso. Pior do que qualquer pesadelo que pudesse imaginar.
       "Pior do que Louise descobrir que voc ama Gareth?", uma voz interna perguntou objetivamente. No, no pior do que isso. Na confuso que estava vivendo, a 
nica pessoa que se machucaria seria ela mesma. Mas o que iria fazer? Sentia-se aliviada por Seb estar seguro e fora do caminho, fora do pas.
       De algum modo, ela precisava contar  me que Louise no havia entendido corretamente. E precisava fazer aquilo antes que Seb voltasse.
       Katie respirou profundamente, fechou os olhos e ento comeou nervosa:
       - Me...
       Mas era tarde demais, sua me j estava falando novamente. - Quando contei a Guy, ele no sabia se devia ou no guardar a escrivaninha como presente de casamento, 
mas...
       - Guy sabe... - Katie a interrompeu de sbito. A me acenou com a cabea que sim.
       - Bem... Parece que Chrissie no ficou to surpresa... Silenciosa, Katie olhava para a me, totalmente incapaz de achar as palavras para expressar a grande 
confuso em que estava metida.
       Guy sabia!  Chrissie sabia!
       Aparentemente, todo mundo sabia que Katie havia contado  irm gmea que ela e Seb estavam apaixonados. Eram amantes, na verdade, a julgar pelo comentrio 
franco da me sobre a cama de casal...
       Todos... menos Seb. Um sentimento de pnico a invadiu. O que iria fazer? Mesmo que dissesse a verdade para a me, era tarde demais para evitar que todas aquelas 
conversas chegassem aos ouvidos de Seb. Mesmo se admitisse seu erro, se re-tratasse e tudo mais, ele provavelmente ficaria sabendo de alguma coisa. Sabe l quantas 
pessoas j estavam envolvidas.
       Podia implorar para que a famlia ficasse em silncio, chegando a apelar at mesmo para Guy e Chrissie, mas os dois mantinham contato dirio com a famlia 
de Guy que, como Seb, eram Cookes.
       Katie j podia ver a notcia sobre o relacionamento dos dois se espalhando de tal forma que um parente Cooke distante, trabalhando no aeroporto, poderia at 
mesmo cumprimentar Seb em sua chegada ao pas com a notcia do futuro casamento com uma Crighton.
       Katie estava comeando a se sentir extremamente doente, e podia entender muito bem por que as mulheres vitorianas definhavam. Se ao menos existisse um convento 
conveniente, de preferncia da ordem das que fazem voto de silncio, para que pudesse desaparecer...
       - Minha nossa, j  to tarde? Preciso ir - Jenny anunciou apressada. - Seu pai deve estar preocupado com a minha ausncia.
       Sentindo-se fraca, Katie levantou-se e acompanhou a me at a porta. Assim que ela partiu, foi at a cozinha imaculada, cuja pintura fora recentemente concluda. 
Nunca gostara de beber, mas naquele momento precisava muito de algo restaurador e encorajador. No entanto, as nicas bebidas alcolicas que possua eram o presente 
de mudana de seu pai: uma dzia de garrafas de vinho.
       Tudo era culpa daquela mulher. Se ela no tivesse feito a previso... Relutante, Katie forou-se a reconhecer que no estava sendo justa. A culpa era somente 
dela, primeiro por ter envolvido Seb naquilo, e segundo por no ter corrigido Louise. Agora s lhe restava esperar pela fria de Seb.
       Naquele meio tempo, poderia se ocupar de desempacotar e colocar suas coisas no lugar.
       Horas mais tarde, Katie estava fechando a ltima gaveta do quarto quando o perfume dos saches de lavanda que havia colocado entre suas coisas a fez sorrir 
com melancolia.
       A lavanda era do quintal de sua me, e o simples fato de sentir aquele odor lhe trazia memrias de sua infncia junto com Louise. Era muito difcil ficar 
distante da irm.
       Nos ltimos tempos sempre sentira dor ao encontrar Gareth mas, estranhamente, daquela vez a dor havia sido menos intensa. Era mais uma dor suave do que uma 
agonia profunda. As fantasias que tinha com ele como seu amante de algum modo haviam ficado ofuscadas pela paixo sensual que havia sentido por Seb. Mas com Seb 
era apenas sexo, e ela amava Gareth... Amava... no passado... Katie franziu a testa.
       A conferncia foi bastante desgastante. Elas sempre eram, mas normalmente Seb considerava tais encontros desafiadores e libertadores de adrenalina. Daquela 
vez, concentrar-se nas palestras havia sido uma tarefa rdua, e mesmo assim ele no conseguira ficar totalmente atento, pois seus pensamentos com frequncia o levavam 
onde ele no queria ir.
       Katie Crighton!
       Aquela altura, ela j devia ter se mudado. Seria sua vizinha, e iriam viver com tanta intimidade como...
       De modo abrupto, Seb cortou seus pensamentos. Seu humor j destrudo pelo que considerava sua fraqueza no havia melhorado nem um pouco durante o longo vo, 
nem com o atraso das malas em Manchester.
       Guy, que se oferecera para peg-lo no aeroporto, avistou-o no fundo do corredor de chegada. Indo ao seu encontro, exclamou:
       - Alegre-se! J sei, voc preferia que Katie tivesse vindo para lhe pegar.
       Parando abruptamente, to abruptamente que o homem que andava atrs dele quase o atropelou, Seb encarou o primo.
       - Katie! Por qu? - perguntou incisivo.
       - Humm... Vocs dois... juntos... vo criar um rebulio. Um Cooke casando-se com uma Crighton... Chrissie tambm tem o sangue deles,  claro, mas no  uma 
"Crighton Crighton". Adoraria ter visto a cara do velho Ben quando lhe deram a notcia, Jenny disse que ele exigiu que vocs estejam em sua festa.
       Logo Seb assimilou o que Guy estava dizendo, murmurando com voz sinistra:
       - Voc est dizendo que a cidade toda...
       -  Se todos sabem que voc e Katie esto juntos? Sim, creio que sim - Guy lamentou. -  isso que d ser de uma famlia to grande. Eu nem tentaria negar se 
fosse voc - Guy o consolou com um sorriso. - As mulheres da famlia esto at planejando uma excurso para Chester, para comprar o enxoval.
       -  uma pena que vocs dois tenham comprado os apartamentos antes de declararem o que sentiam um para o outro. Vai ser difcil para Katie carregar para cima 
e para baixo um filho, principalmente se a nossa parente cigana estiver errada e ela acabar tendo "gmeos" - Guy brincou com um largo sorriso nos lbios. - Afinal, 
algum deve ser o primeiro a trazer para os Crighton uma nova gerao de gmeos.
       -  Gmeos? - Seb franziu a testa.
       - Sim, gmeos, sabe, dois bebs idnticos - Guy falou bem pronunciado. - Gmeos como sua Katie e Louise. Jenny disse que foi Louise que arrancou a verdade 
de Katie sobre vocs dois... Olha, eu no posso dizer nada a esse respeito - Guy confessou. - Chrissie e eu nos apaixonamos  primeira vista.
       - Voc j contou para Charlotte?
       -  Er... No... Ela est num acampamento agora - Seb
       informou.
       O que estava acontecendo... Que tipo de jogo Katie estaria jogando? Ser que era um esquema louco para puni-lo por t-la beijado, tocado...
       Ser que pretendia alardear que formavam um casal para depois desprez-lo em pblico? Afinal, ela era uma Crighton, membro de uma famlia que, historicamente, 
considerava-se melhor que todas, e ele era um Cooke, membro da famlia que, historicamente, era considerada a pior das piores.
       Uma hora mais tarde, quando Guy deixou-o na porta da casa que ainda estava alugando, j era tarde da noite. Abriu a porta e pegou a pilha de cartas que estavam 
sobre o tapete.
       Estava cansado e irritado. Precisava de um banho, mas mais do que isso...
       Subiu a escada de dois em dois degraus, abriu a porta do quarto e rapidamente tirou as roupas.
       A Flrida estava quente e mida, e ele havia ficado bastante tempo dentro dos hotis com ar-condicionado, mas mesmo assim a cor da sua pele estava um pouco 
mais escura. Enquanto ensaboava o corpo, os msculos de seus braos e costas ressaltaram-se.
       Enquanto se enxugava, ouviu as mensagens na secretria eletrnica. Havia uma da decoradora, avisando que o apartamento estava pronto e que ele poderia mudar-se 
conforme haviam combinado.
       Seb franziu as sobrancelhas quando desligou o carro. O certo, se ele tivesse juzo, seria jantar algo leve e ir direto para cama. Ele no estava com disposio 
para agir com calma e lgica, ento por que, se sabia disso, por que estava parado em frente ao prdio sabendo que Katie j devia ter se mudado?
       Mas tinha todo o direito de pedir uma explicao, justificou-se.
       Katie tivera um dia muito difcil. Um dos seus clientes havia se atrasado tanto para uma reunio que no lhe sobrara tempo de almoar ou mesmo para tomar 
uma xcara de caf. Mais tarde, quando chegou no frum, descobriu que estavam faltando alguns papis em seu processo, e ento teve que enfrentar o embarao de pedir 
um adiamento para o juiz, o que no havia sido nem um pouco agradvel.
       Alm disso, o escapamento do carro havia quebrado quando estava voltando de Chester. Justo quando Katie apenas desejava paz, silncio e ir para a cama cedo.
       Na banheira, estava ensaboando os ombros e tentando relaxar quando ouviu o interfone tocar.
       Levantou-se xingando, pegou a toalha e enrolou-se nela enquanto ia at o interfone.
       -  Sim. Quem ?
       - Seb Cooke.
       Seb! Seb estava de volta. O pnico tomou conta de sua respirao, deixando-a incapaz de dar qualquer resposta verbal.
       - Katie - A voz do Seb estava ameaadora.
       -  Eu j estava indo para a cama - ela disse, o que no era uma mentira, embora sua conscincia lhe lembrasse que estava sendo uma covarde, e que a coisa 
mais responsvel e razovel a fazer era v-lo e explicar-lhe o que havia acontecido... Explicar! Se fosse to fcil assim...
       Ela fechou os olhos e s os abriu quando ouviu o comentrio malicioso de Seb:
       -  Indo para a cama. Bem, parece bastante apropriado... visto que agora temos... um relacionamento...
         Ento ele j sabia. No que ela duvidasse disso.
       Katie respirou fundo. No havia mais nada a fazer. Tinha que encarar o problema.
       - Eu posso explicar - ela sussurrou no interfone. - Mas no agora... amanh...
       - Agora! - Seb respondeu implacvel. - A menos que queira que eu telefone para os seus pais e diga que a filha deles ...
       - No... No... Agora, ento... - Katie concordou. Esquecendo-se momentaneamente de que estava apenas enrolada numa toalha, ela apertou o boto e abriu a 
porta da frente do prdio.
       Katie gelou quando Seb entrou em seu apartamento. Havia uma sombra em seu rosto e ele parecia to irritado quanto sua voz deixara transparecer. Mas, quando 
a viu, em vez de fazer uma lista de perguntas, como ela esperava, examinou-a de alto a baixo.
       Ela sentiu seu rosto enrubescer quando deu-se conta de como ele a estava vendo: os cabelos presos no alto da cabea, o corpo ainda mido do banho, e coberta 
apenas com uma toalha na cor creme.
       -  Eu... eu s vou me vestir - ela se ouviu pronunciar, enquanto seu corpo reagia instantnea e incontroladamente quele olhar faminto, da mesma forma que 
havia acontecido quando ele a beijara.
       Sem reao, olhou dentro dos olhos dele e engoliu em seco. Sentiu o sangue correr mais depressa em suas veias. Devia ser a ansiedade dos ltimos dias que 
estava causando tais efeitos, disse a si mesma. Devia ser por isso que estava experimentando aquela reao extraordinria em relao a Seb...
       Um pouco tonta, Katie piscou vrias vezes, mas no foi capaz de quebrar a intensidade do olhar flamejante. O que estava acontecendo com ela? Por que estava 
sentindo todo seu corpo tremer, doer com uma necessidade que parecia ter surgido do nada, como um tornado ou um furaco, pronto para destru-la?
       - Eu... eu posso explicar - ela disse com voz rouca. No sabia se podia explicar o porqu de todos acharem que eles estavam juntos, ou se podia explicar por 
que estava sentido aquilo tudo, mas em vez de concordar em ouvir o que ela tinha a dizer, Seb simplesmente foi ao seu encontro, murmurando com voz macia:
       - No interessa. Eu mudei de ideia. No  uma explicao o que eu quero...
       -  No... no ?
       Com os olhos arregalados, Katie o observou, sabendo instintivamente o que estava para acontecer, mas sentindo-se incapaz de responder do modo que sabia ser 
o certo. No entanto, em vez de medo, raiva ou espanto, o que estava realmente sentindo era uma onda de verdadeira excitao.
       - No, no ... - Seb confirmou.
       Ele estava a um palmo de distncia, e quando Katie caminhava para trs, procurando se afastar ainda que mantendo os olhos fixos nos dele, ele avanava mais 
um pouco, at que ela acabou encostando na parede.
       -  Seb - ela protestou tremendo.
       Seb colocou a palma das mos na parede, uma de cada lado dela, aprisionando-a.
       -  Aparentemente, todos em Haslewich sabem que voc e eu estamos... juntos - ele disse baixinho, pronunciando cada palavra devagar, de modo que ela sentisse 
na pele o calor de sua respirao. - Que ns somos... amantes...
       - No - Katie protestou. - No!
       -  Sim - Seb insistiu. - E j que supostamente  o que somos...
       Ento ele abaixou a cabea e beijou-a com uma mistura de paixo, desejo e raiva, que a deixou muda e sem ao. A boca mscula queimava a sua, pois ele se 
recusava a terminar o beijo, punindo-a, maltratando-a com o calor da ira.
       Mesmo assim, sob toda aquela fria, a sabedoria feminina de Katie avisou-lhe de que havia algo mais, e como que independente do seu crebro, seus sentidos 
sabiam exatamente o que fazer, como usar as emoes de Seb para aplacar aquela raiva, deixando no lugar uma paixo pura e quase insuportvel. Katie percebeu aturdida, 
enquanto seus lbios se abriam ao toque da lngua de Seb, que haviam chegado a um ponto em que a necessidade dele era incontrolvel, e estava tentada a atender quela 
necessidade sem nenhuma inibio. Afinal de contas, era humana, como toda mulher.
       Era capaz de experimentar o desejo sexual, e sentia a necessidade de satisfazer aquele desejo que rapidamente se transformava em um fora arrebatadora e sem 
controle. A lgica e a razo continuavam a avis-la de que aquilo que estava por acontecer no deveria se consumar.
       Mas por que ela estava relutando? Por que estava negando a si mesma a satisfao sexual a que as outras mulheres da sua idade tinham direito? Por que estava 
se isolando numa ilha de inexperincia e ignorncia? Porque amava Gareth? Ento ficaria assim para o resto da vida? Intocada, incompleta... sem ser conhecida por 
qualquer homem e sem conhecer sua prpria sexualidade?
       Naquela noite, com Seb, poderia experimentar tudo de que havia se privado. Naquela noite, com Seb, se tornaria uma mulher completa e cumpriria o seu destino. 
Com Seb poderia... Quando seu crebro registrou o perigo de seus pensamentos, Katie rejeitou-os instantnea e totalmente. Mas seu corpo parecia ter se divorciado 
do seu crebro por completo, fazendo sua prpria escolha. Sua lngua tocou a de Seb, acariciando-a delicadamente. Ela pde sentir um tremor por todo o corpo.
       Seb logo respondeu ao seu encorajamento silencioso. Suas mos deixaram a parede, abraando-a, e seu corpo passou a pression-la. Estavam to intimamente colados 
que Katie podia sentir tanto as batidas do corao de Seb como o pulsar mais ntimo de seu corpo.
       Como se seus movimentos estivessem sendo dirigidos por algum, ela o abraou enquanto Seb deslizava as mos por seu corpo at chegar em suas ancas. Puxando-a 
da parede, ele aproximou-a ainda mais de si, num abrao muito ntimo.
       Os dois estavam calados. No era preciso falar. Ambos sabiam o que estava acontecendo, o que iria acontecer e onde os passeios das mos de Seb pelo corpo 
de Katie iriam chegar.
       Quando Seb ergueu um pouco o corpo dela em seus braos, o beijo intensificou-se, fazendo-o sentir com profundidade a boca de Katie.
       Com os olhos abertos, ela acompanhava cada toque de suas mos, a boca mscula sobre seu corpo, e sua expresso registrando cada nuance ou resposta ao que 
estava sentindo.
       Houve um momento em que Seb, olhando profundamente em seus olhos, afastou-se para tirar-lhe a toalha.
       Alarmada, pensou que precisava det-lo, pois estava ciente de como a sua primeira vez seria diferente da de sua irm gmea com Gareth. Louise experimentara 
um momento cheio de carinho e delicadeza.
       Mas uma fora interna levou-a a ultrapassar aquela barreira. Ela no era Louise, e Gareth nunca a amaria. Nunca experimentaria o calor, a gentileza e o carinho 
de ser possuda por Gareth, por isso devia tomar um caminho para a satisfao sexual mais obscuro, profundo, e muito mais perigoso.
       Seb continuava a observ-la, como se esperasse que ela fizesse ou dissesse alguma coisa. Katie fitou-o decidida. Em gestos lentos, soltou a toalha e deixou-a 
cair, com o olhar fixo no de Seb.
       Esperava que ele imediatamente olhasse para baixo, mas Seb manteve os olhos nos seus. Ento ela teve coragem de descer os olhos deliberadamente do rosto dele 
para seu corpo, e observou que o tecido perto do zper da cala estava esticado.
       Eletrificado por aquele olhar, Seb a pegou no colo e levou-a para o quarto, onde s as lmpadas acesas dos abajures davam ao ambiente a aparncia de um ninho. 
Katie esperava que ele a deitasse na cama, mas em vez disso, Seb colocou-a em p e beijou-a com paixo. Mais chocante do que a reao de Seb, era a sua prpria.
       Tempos atrs, haveria uma Katie que ficaria totalmente chocada com aquela mulher nua que se insinuava contra o corpo ainda vestido de Seb. Os dois trocavam 
beijos profundos e carinhosos com um ritmo cada mais acelerado. Katie disse a si mesma que havia nascido para aquilo. Era tudo to forte, elementar... No sabia 
como havia sobrevivido sem aquelas emoes at aquele momento.
       Seb comeou a acariciar seu corpo. As mos experientes passeavam dos ombros at as ndegas, para finalmente concentrarem-se sobre seus mamilos.
       Todo o corpo de Katie parecia vibrar. O simples fato de ter os polegares de Seb sobre seus mamilos intumescidos fez com que sentisse uma fora de vida incontrolvel 
e necessria...
       As sensaes explodiam dentro do seu ventre e Katie estava totalmente entregue. O que havia acontecido com aquela mulher que esperava por um amante gentil, 
amoroso, que a tratasse como uma boneca de porcelana om toques cuidadosos? Que reservava para si um papel sexual passivo?
       Fechou os olhos numa reao intensa quando Seb, sem que ela precisasse dizer o que queria, abaixou o rosto na direo de seus seios.
       S o calor da respirao dele a fazia tremer, mas ento ele abriu a boca e comeou a circundar seus mamilos com a lngua. Katie pensou que iria desmaiar, 
tamanha a fora dos seus sentimentos. Ento ela passou os dedos por entre os cabelos de Seb, segurando-o mais perto de seu seio e murmurando, pedindo que ele sugasse 
vagarosamente os mamilos para que a dor do desejo fosse amenizada.
       E quando ele o fez, aquela fome no foi satisfeita. Pelo contrrio, aquilo deixou-a ainda mais desejosa, e ela comeou a abrir sua camisa, quase que arrancando 
os botes, para que pudesse sentir o calor de sua pele.
       Meio entorpecida, Katie percebeu que Seb a estava ajudando a tirar suas roupas ao mesmo tempo que continuava a acarici-la. O corpo msculo era um banquete 
para todos os seus sentidos: viso, tato, olfato... paladar...
       As reaes e sentimentos que estava experimentando eram totalmente novos para ela. Mas aquela era a verdadeira Katie, e no havia motivo para recriminar-se. 
Sentia-se como uma flor a desabrochar.
       Seb deitou-a na cama, e Katie comeou a explorar o corpo dele com os lbios.
       - Voc  to gostoso... Seu cheiro  to bom... Seu gosto...
       Aquelas palavras acabaram com o autocontrole de Seb. Posicionou o corpo dela sob o seu de modo que estivesse aberto para seus carinhos e beijos. E ela agora 
queria ser totalmente possuda. No havia tempo para hesitao ou apreenso, o nico som que ouvia eram as batidas do corao de Seb enquanto ele a penetrava.
       No houve choque ou dor, pois eles se encaixaram perfeitamente. Seb se movia e Katie movia-se com ele, seus corpos em perfeita harmonia, criando um ritmo 
que ecoava a prpria fora do universo. Todo o corpo de Katie havia entrado em outra dimenso, e a ltima barreira estava sendo transposta... e ento ela chegou 
a um lugar calmo e feliz.
       Tocou o pescoo de Seb e sorriu, mas ele no respondeu ao seu sorriso. Seus olhos estavam escuros e indecifrveis, e sua voz parecia nervosa e contida quando 
ele perguntou:
       -  Por que voc no me disse.... no me avisou?
       Katie virou o rosto a euforia desaparecendo diante da desaprovao na voz dele.
       - Foi sua primeira vez, no foi? - Seb queria a confirmao, enquanto Katie continuava a fugir de seu olhar.
       No havia por que negar a realidade, mesmo porque era bvio que ele j havia percebido,
       -  Sim, foi - Katie concordou calmamente. Ela ouviu-o xingar baixinho.
       -  Voc devia ter me contado, e...
       - E o qu? Voc teria parado?
       Seb sabia o que ela queria dizer. Ele no seria capaz de parar como ela no fora capaz de falar sobre sua virgindade.
       - Por que eu devia ter contado? Foi maravilhoso... Seb praguejou novamente.
       - Voc era virgem - ele a lembrou furioso. - E eu...
       - Voc fez amor comigo como se eu fosse uma mulher, e no uma menina - Katie completou. O orgulho estava escurecendo sua vista, e ela mantinha a cabea levantada 
enquanto falava.
       - Talvez eu no tenha lhe contado porque queria ser tratada como um mulher...
       - No, voc est mentindo - Seb negou rspido. - Nenhuma mulher inteligente e da sua idade espera tanto se no for por um motivo, e com certeza uma mulher 
como voc... devia estar esperando por alguma coisa ou algum...
       Ele estava perto da verdade e Katie teve medo de que ele descobrisse... Descobrisse o qu? Que durante anos ela alimentara uma ideia totalmente errada de 
sua prpria sexualidade? Que a distncia entre o que acreditava ser e o que o seu corpo lhe havia pedido naquela noite era to grande que nem ela mesma podia acreditar?
       Qual seria a reao de Louise se lhe contasse que havia sido totalmente arrebatada por sua prpria sexualidade e qu praticamente implorara a Seb que a tomasse, 
possusse e satisfizesse?
       - Por qu? - Seb perguntou diretamente. - Por que agora? Por que comigo?
       Tomou-a nos braos e virou-a para que pudesse fit-la nos olhos.
       - O que est acontecendo, Katie? Eu chego em casa e descubro que voc e eu estamos supostamente tendo um relacionamento, que j somos efetivamente um casal, 
embora ns dois saibamos que no  nada disso... ou no era - ele se corrigiu.
       - Foi um acidente - Katie respondeu imediatamente - Eu nunca... - Ela parou, ainda sentindo  gosto dele em sua boca.
       - Um acidente?
       -  Sim - ela insistiu. - Louise tirou concluses erradas sobre... sobre ns... - Parou abruptamente. Como poderia explicar que no havia corrigido a irm 
imediatamente? - Eu tentei lhe dizer, mas... no foi fcil... - Ela levantou a cabea.
       - Algumas vezes Louise se sente meio culpada porque ela ... porque tem Gareth e a vida deles, e  difcil faz-la entender que sou feliz como sou.
       - Ela quer que voc seja como ela, tenha um companheiro. - Seb interrompeu, completando intuitivamente. - E foi mais fcil deixar que ela pensasse que suas 
suspeitas eram reais.
       -  Sim, foi - Katie concordo|a. - Eu no imaginava que ela fosse contar para algum... ou que... - interrompendo-se novamente, ela meneou a cabea. - Eu no 
pude acreditar quando minha me comeou a falar de voc... de ns, como se... Eu devia ter revelado a verdade naquela hora, eu queria... Eu sabia que voc no iria 
gostar quando soubesse.
       -  Eu estava com raiva - Seb admitiu bruscamente. - Mas no  desculpa para o que eu fiz... Por que voc no me deteve... me diga?
       - Talvez porque eu tambm quisesse - Katie admitiu com honestidade. - Fitou-o direto nos olhos, e continuou a falar com suavidade e um esboo de sorriso nos 
lbios. - Talvez eu tivesse decidido que meus dias de virgindade precisavam chegar ao fim. Mas eu queria voc, Seb... No sei por que ou como, nem estava pensando 
sobre a minha virgindade. E, tambm, no estava conseguindo ter este tipo de lgica, ou qualquer tipo de pensamento razovel... Eu s... -- Katie parou, seus olhos 
encheram-se de lgrimas antes de ela continuar:
       -  Sim, talvez eu devesse ter lhe avisado... contado... ou impedido voc, mas...
       -  Mas... - Seb estimulou-a quando ela parou e abaixou totalmente a cabea.
       - Mas eu no queria - Katie repetiu diretamente, levantando a cabea para encar-lo. - Eu no sabia que o sexo podia ser to... to...
       - To perigoso? - Seb sugeriu com sarcasmo.
       -  To total - Katie corrigiu e acrescentou com bravur: - No vou me sentir culpada ou envergonhada pelo que aconteceu ou o que senti. Seb. Eu... foi... foi 
maravilhoso - ela disse baixinho, nada mais do que um sussurro, ficando ruborizada antes de olhar para o outro lado.
       -  Maravilhoso! - Seb repetiu de forma explosiva. - Voc tem ideia? Nada disso devia ter acontecido. Nada disso. Voc e eu...
       -  Nem mesmo, gostamos um do outro. Eu sei... - Katie concordou com tristeza. - Talvez a paixo seja assim, eu no sei. Quem sabe voc possa explicar isso 
melhor do que eu.
       - Voc acha? - Seb balanou a cabea. - O que acabou de acontecer entre ns foi como uma "primeira vez" para mim tambm. Eu no tenho o hbito de perder o 
controle desse jeito, e com certeza no gosto de saber que...
       Ele parou, balanando a cabea enquanto Katie fazia um gesto vago com a mo.
       - Bem, ao menos ningum alm de ns dois precisa saber o que aconteceu - ela comentou com praticidade. - Amanh explicarei para minha me que Louise entendeu 
tudo errado e...
       Katie ficou tensa quando Seb afastou-se dela de modo abrupto, puxando os lenis desarrumados sobre a parte inferior de seu corpo.
       A rejeio e a clara falta de interesse no que ela estava falando magoou-a mais do que esperava, e o calor e felicidade que haviam seguido aqueles momentos 
de amor estavam sendo rapidamente substitudos pelo sentimento de perda e solido.
       - Se voc quiser... - ela comeou inflexvel, mas ento viu o jeito com que Seb olhava para seu corpo. Percebeu de imediato o que ele queria, e seu rosto 
queimou com uma mistura de choque e excitao.
       Excitao porque Seb ainda a desejava, e fora por esse motivo que se afastara e se cobrira. Porque o corpo msculo estava reagindo  proximidade do dela, 
e porque... Sem perceber o que fazia, ela sussurrou:
       - Seb, por favor, fique comigo esta noite... a noite toda...
       -  Ficar com voc...
       -  Sim, eu quero que fique - Katie assegurou. - Eu te quero... - E encarando-o com o olhar cheio de sabedoria feminina, fez questo de lembrar: - Afinal de 
contas, no sou mais virgem.
       Ela podia ver o fogo flamejando nos olhos de Seb como se ela tivesse atirado um fsforo aceso no petrleo. Quando ele se aproximou, sua pele estava ardendo, 
e quando Katie o tocou ele gritou, sofrendo com a explorao desejosa das mos femininas sobre seu corpo.
       '"Fique comigo", Katie havia pedido. E ele atendera, atordoado pelo tumulto causado por seu desejo incontrolvel. E depois que a paixo de ambos fora aplacada, 
Seb permanecera na cama de Katie, abraando-a por toda a noite, enquanto ela dormia.
       "Que diabos est acontecendo comigo?", Seb perguntou-se derrotado. Chegara ali naquela noite com a nica inteno de pedir um explicao para Katie, furioso 
com ela, e agora... Admirou-a enquanto ela dormia calmamente em seus braos, e soube que, por mais ridculo ou ilgico que aquilo parecesse, no queria deix-la.
       "Fique comigo", ela dissera. E ao ficar Seb, de alguma forma, estava redefinindo todas as regras que havia estipulado para sua vida.
       
       
       CAPITULO VIII
       
       Ainda com sono, Katie abriu os olhos e sentou-se na cama, admirando Seb em p junto  porta do quarto, todo vestido e segurando a caneca de caf que exalava 
um aroma delicioso.
       J bem desperta, observou-o vindo em sua direo sem esperar por uma resposta.
       Poucas horas antes, quando a luz do sol comeava a clarear o cu, ela o havia acordado sussurrando que o queria. Ficou instantaneamente vermelha ao lembrar-se 
do quanto havia sido persuasiva. No que ele precisasse de muita persuaso. Quando tentou andar, Katie cambaleou, sentindo todo o corpo dolorido devido s longas 
horas fazendo amor com Seb.
       - Voc no precisa ficar - ela disse sem rodeios, enquanto pegava a caneca da mo dele evitando encar-lo diretamente.
       - Voc deve querer voltar para a sua casa... deve ter coisas para fazer...
       - Bem, sim - ele concordou, continuando de forma lacnica.- Tenho mesmo que fazer alguns telefonemas e com certeza preciso trocar de roupa antes de irmos 
encontrar seus pais para o almoo. Sua me telefonou.
       -  O qu? - Katie sentou-se ao p da cama.
       -  Ela ligou cedo, enquanto voc estava dormindo. E eu atendi o telefone - Seb acrescentou com simplicidade.
       Katie encarou-o como se no acreditasse no que estava ouvindo.
       - Minha me ligou e voc atendeu o telefone?
       - Sim... - Seb concordou.
       -  O que ela disse? O que voc disse? - Katie comeou a perguntar de modo desenfreado. - Oh, mas isso  terrvel! Agora ela no vai mais acreditar que voc 
e eu no somos...
       - Que voc e eu no somos o qu? - Seb perguntou com ironia. - Que voc e eu no somos amantes? Mas ns somos!
       Katie, perplexa, fitou-o.
       - Mas era um segredo - ela murmurou assim que conseguiu recuperar a voz. - Era... - Ela parou.
       - Era o qu? - Seb indagou, mas Katie meneou a cabea. Como poderia explicar que o que eles haviam compartilhado, o que ela havia experimentado havia sido 
para ela algo muito especial... mstico at? E que, mesmo que pudesse, no teria mudado nem uma batida de corao?
       Cada pensamento e imagem que ela havia sonhado com Gareth havia sido eliminado completamente pelo calor da paixo de Seb.
       - Nada disso devia estar acontecendo - Katie falou desanimada. - Voc no devia... Voc no... Meus pais pensam que ns somos um casal, mas ns no somos...
       - No - Seb concordou. - Mas no dava para falar isso para sua me quando ela telefonou e descobriu que eu estava aqui, dava? O que eu devia ter dito? Sim, 
eu passei a noite na cama com a Katie, mas foi s isso.,, s uma noite...
       Katie empalideceu enquanto ouvia Seb. Se soubessem a verdade, seus pais ficariam chocados, envergonhados com o seu comportamento.
       Conforme observava as emoes passando pelo rosto de Katie, Seb refletiu que teria problemas se ela descobrisse que fora ele quem sugerira  me dela que 
deveriam almoar juntos, e que fora ele quem, com o tom de voz e as palavras cuidadosamente escolhidas, deixara claro que os dois haviam passado a noite juntos, 
e no que ela havia presumido.
       A tradio dizia que a mulher  quem prende o homem em relao ao sexo e no o contrrio, mas a noite anterior servira de prova para ele de que a tradio 
no  nada confivel.
       Katie podia ser virgem, mas no se comportara com hesitao, medo ou apreenso. Nem houvera qualquer arrependimento no modo como ela reagira a ele, no modo 
que se entregara.
       Naquela manh bem cedo, enquanto ela dormia, havia sado para uma caminhada solitria ao longo do rio, pois precisava de algum tempo para organizar seus pensamentos 
e emoes.
       Enquanto caminhava, teve que admitir que seria um tolo se fingisse que no sabia, mesmo antes daquela noite, como seus sentimentos por ela eram realmente 
fortes e perigosos. Ningum ficava to irritado e nervoso com algum que no significava nada para ele, e Seb certamente no teria a mesma reao fsica da noite 
anterior sem que...
       Fora forado a reconhecer a verdade que estava escondendo de si mesmo o tempo todo.
       Desde o comeo, da primeira vez que a vira, Katie havia exercido nele um efeito profundo. A raiva, a intensidade que havia experimentado naquela primeira 
vez que haviam se encontrado fora forte demais, muito diferente dos padres normais.
       O que ele estava tentando dizer a si mesmo  que havia se apaixonado por ela e que imediatamente comeara a negar o fato?
       Bem, na noite passada no havia negado nada. Mas tinha quase certeza de que Katie no o amava.
       No, mas o queria. Seu corpo enrijeceu somente com aquele pensamento, e sua necessidade de voltar a t-la em seus braos era to grande que ao tentar controlar-se 
soltou um gemido de dor.
       Enquanto voltava para o apartamento, Seb ironicamente reconheceu como sua vida havia dado uma guinada. Ele e Sandra haviam se casado por confundir desejo 
fsico com amor.
       Mas agora que realmente conhecia o amor podia ver quanta diferena existia entre o que havia sentido antes e o que sentia agora. Era por isso que no assumiria 
um novo relacionamento baseado apenas em desejo fsico. Katie merecia mais. Merecia no s ser amada, como ele com certeza a amava, mas merecia conhecer o amor, 
sentir, experimentar e compartilhar.
       Chegou ao apartamento decidido a dizer a Katie que no tinha expectativas, e que o que acontecera fora um incidente isolado, acabado, quando o telefone tocou 
e ele atendeu. Sem saber o que fazer, Seb subitamente confirmou para a me dela que eles eram amantes, prendendo Katie s expectativas da famlia e ao seu amor. 
E convenceu-se de que j tinha idade suficiente para fazer mais pelo seu amor e pela prpria Katie.
       - Isto no pode estar acontecendo - Katie soltou um murmrio dolorido, enquanto olhava para a caneca do caf agora gelado que ele lhe trouxera. Talvez no 
devesse, mas estava definitivamente acontecendo, e ao contrrio de suas expectativas, em vez de acus-la de transformar a vida dos dois numa confuso, Seb parecia 
totalmente relaxado com toda a situao.
       - No fui eu quem comeou tudo - Seb relembrou-a. Katie franziu a sobrancelha. Realmente no tinha sido ele, e s podia culpar a si mesma pela situao em 
que se encontrava.
       - Vou ligar para a minha me e cancelar o almoo - disse para Seb. Mas em vez de aprovar sua sugesto, ele encarou-a com uma expresso indecifrvel.
       -  Se voc quiser...
       Dez minutos mais tarde, quando Seb j havia ido embora, Katie decidiu que no conseguia entender aquele homem. Bem, nem mesmo podia entender a si mesma! Na 
noite anterior seu comportamento fora totalmente anormal. Tanto que mesmo sozinha ainda ficava corada ao lembrar-se de algumas das coisas que havia dito... e feito!
       Telefonou para a me assim que saiu do banho, explicando com os dedos cruzados que Seb no iria conseguir chegar a tempo para o almoo, pois percebera que 
teria um trabalho para fazer com urgncia.
       - Na verdade - ela comeou, disposta a no terminar aquela ligao sem ter contado toda a verdade para a me, mas antes que pudesse continuar sua me foi 
dizendo:
       -  Tem algum na porta. Quanto ao almoo, no tem importncia, vamos marcar um outro dia, e alm do mais - ela riu alegre -, tenho certeza de que voc e Seb 
preferem ficar sozinhos...
       Katie admitiu que realmente preferia ficar sozinha, mas completa e totalmente sozinha. Vestiu-se rapidamente e pegou a mala e as chaves do carro. Precisava 
de tempo para pensar, tempo para se conscientizar de tudo que havia acontecido.
       Quando Katie estava descendo para pegar seu carro, Seb estava saindo do banho. Enquanto circulava nu pelo quarto, viu a foto de Charlotte. Ela vinha lhe dizendo 
com certa insistencia que j era hora de ele se apaixonar e casar de novo. E tinha gostado de Katie logo de incio. Era s lembrar da forma como ela reagira diante 
da ridcula previso da cigana.
       Seb franziu a testa e fechou os olhos, murmurando uma orao com a respirao entrecortada. De repente lembrou-se do que, no calor da paixo da noite anterior, 
havia esquecido de forma imprudente.
       Sabia que estava saudvel, ento o que tinham feito, mesmo que irresponsvel, no havia sido perigoso. Mas do ponto de vista de uma possvel concepo...
       No entanto, haviam mtodos novos. Salvadores... Quando ele estava correndo para a porta, aps vestir-se apressadamente, o telefone tocou. Seb hesitou e parou, 
e ento logo alcanou o aparelho. Seu corao comeou a bater mais forte quando o lder do acampamento em que Charlotte estava explicou que havia acontecido um pequeno 
acidente e que ela havia cado.
       - Eles a mantero no hospital para observao - o homem explicara a Seb. - Mas posso assegurar que no  preciso se preocupar,
       -  Onde ela est? Em que hospital? - foi a pergunta inflexvel do Seb.
       Antes de sair, ele telefonou para o apartamento de Katie, esperando por alguns minutos para que ela atendesse. Sem obter resposta, desligou impaciente. No 
podia esperar mais, no com Charlotte no hospital. Ligaria para Katie mais tarde do celular, e a alertaria para o perigo que estava correndo.
       Mais tarde, Katie estava na estrada, incapaz de explicar para si mesma o que a levara a fazer o que estava fazendo, e por que estava a caminho de Bruxelas. 
Havia telefonado para a irm gmea para avis-la de sua visita, ligando em seguida para a me, avisando que estava a caminho do aeroporto e da casa da irm, e que 
no sabia quanto tempo ficaria fora.
       -  Vai ser por alguns dias apenas - ela assegurou para Jenny. - Pea para papai e para Livy que me desculpem por deix-los na mo, mas...
       Do outro lado da linha, Jenny apenas escutava. No era do feitio de Katie ser impulsiva daquele jeito, mas no podia fazer nada alm de ficar feliz pelo fato 
da distncia que havia se criado entre as duas irms estar diminuindo novamente.
       Se Katie precisava da irm a ponto de largar tudo para ir v-la, ento Jenny sabia que Louise estaria l para apoi-la.
       -  Ela foi para onde? - Jon perguntou espantado quando Jenny deu a notcia da viagem no planejada de Katie.
       -  Ser s por alguns dias. Um curto perodo de descanso - Jenny acalmou-o, enquanto o marido a encarava desconfiado.
       - Eu com certeza espero que sim. Estamos muito ocupados no momento. O que foi que aconteceu?
       Jenny simplesmente olhou para ele, que fez uma melanclica expresso paternal, adivinhando o que acontecera.
       - Problemas de amor!
       - Uma pequena crise de confiana, acho - Jenny opinou.
       -  Em Seb? - Jon franziu as sobrancelhas. Ele talvez no fosse um pai muito possessivo, mas certamente era superprotetor.
       -  Se este  o caso,  melhor que se separe dele.
       - No, no em Seb - Jenny esclareceu com gentileza. - Acho que ela no tem confiana em si mesma... Percebi isso especialmente quando ela estava na faculdade 
e desenvolveu o hbito de ficar nas sombras, de aceitar o segundo lugar... o segundo melhor...
       - Tal pai, tal filha - Jon lamentou, enquanto trocava com Jenny olhares de compreenso e amor. O prprio Jon havia ficado na sombra de seu irmo gmeo, tanto 
que a falta de auto-estima afetara todos os aspectos de sua vida. A ponto de ele e Jenny decidirem que suas filhas gmeas no passariam por aquilo. Os dois sempre 
encorajaram suas meninas a desenvolverem habilidades e ficarem orgulhosas tanto das diferenas como das similaridades entre si.
       - Seb vai ser bom para ela. No vai permitir que ela fique no banco de trs da vida. Como um Cooke, sabe como  ter que lutar pelo respeito das pessoas e, 
ainda mais importante, para manter o respeito prprio. Ele vai entender os pontos vulnerveis de Katie.
       - Bem... tudo isso parece positivo e esperanoso.
       - Posso ver um futuro muito feliz para os dois.
       - E eu posso ver um muito caro - Jon complementou. - Por que o destino no fez com que eles se encontrassem um pouco antes? Assim, ela e Louise poderiam ter 
se casado juntas, duas com o custo de uma, por assim dizer.
       O aeroporto estava excepcionalmente cheio. Depois de passar pelo balco de passagens, Katie estava abrindo caminho at a lanchonete quando viu com o canto 
do olho um homem alto e de cabelos negros passando ao seu lado.
       De imediato sentiu uma onda de alegria e excitao dentro de si.
       - Seb.
       O nome dele estava nos seus lbios, seu corao acelerado. Ele estava ali. Havia vindo procur-la. Ele a amava tanto quanto ela o amava. Ela o amava! Amava 
Seb. Durante alguns segundos ficou esttica diante da revelao de seus sentimentos, como se estivesse se sentindo drogada. Ela amava Seb.
       Katie fechou os olhos e disse seu nome devagar, saboreando cada letra, e ento abriu os olhos e procurou-o. Mas quando examinou-o com ateno percebeu que 
aquele no era Seb. Nem mesmo se parecia com Seb. Seus traos nem se aproximavam da nobreza dos de Seb. Sua estrutura ssea no era nem um pouco masculina, e seus 
olhos no se pareciam nem um pouco com os olhos acinzentados e frios de Seb.
       Definitivamente, aquele no era Seb. E por que Seb estaria ali? Nem sabia que ela estava no aeroporto, e se soubesse com certeza no sairia correndo para 
encontr-la e abra-la, nem para declarar seu amor por ela. Seb me ama?
       Aquilo devia ser o que a intimidade do sexo trazia para a mulher. Deix-la vulnervel. Fez com que ela amasse o homem que lhe mostrou... que lhe proporcionou 
tanto prazer. Katie balanou a cabea devagar para expulsar da mente aqueles pensamentos.
       Ser que se apaixonara por Seb quando estavam fazendo amor ou talvez, sem saber, j estava atrada por ele antes? No sabia, e no havia jeito de descobrir. 
Sabia apenas que o momento em que descobrira que o amava ficaria gravado em sua memria para sempre. E agora no havia mais volta.
       Distrada, Katie olhou para o quadro de partidas e percebeu que o embarque do seu vo estava acontecendo. Como um autmato, encaminhou-se ao porto apropriado. 
Sabia por que estava sendo levada a encontrar-se com Louise. Precisava encontrar a nica pessoa que poderia ajud-la a entender o que estava acontecendo com ela.
       Dentro do avio, Katie sentou-se em sua poltrona totalmente distrada. Seu pensamento e seu corao estavam repletos com imagens e pensamentos sobre Seb. 
Seb entrando furioso em seu apartamento, tocando seu corpo, beijando-a com uma paixo selvagem, encarando-a a raiva transformando-se em puro desejo. Seb... Aquilo 
era o amor?
       - Katie... voc aqui...
       Katie virou-se imediatamente para a direo da voz da irm, que a esperava do outro lado do porto de desembarque. Correu na direo de Louise e todas as 
desculpas e ideias lgicas que havia preparado para dar  irm foram esquecidas durante o abrao.
       As lgrimas enchiam seus olhos e caram por seu rosto enquanto ela contava chocada para a irm:
       -  Lou, estou apaixonada... por Seb... Soltando-a, Louise observou Katie e perguntou gentil:
       - Isso  um problema? Achei que vocs dois formavam um belo casal.
       - O problema  que no somos um casal - Katie admitiu. - Mas antes disso... Onde est Nick? - ela perguntou, mudando de assunto e procurando ao redor pelo 
filho da irm.
       - Com Gareth - Louise explicou prontamente. - Gareth tinha uns dias de folga, ento eu lhe disse que estava na hora de ele e Nick fazerem alguma coisa juntos. 
Ficaro com uns amigos durante alguns dias.
       De modo algum Louise contaria  irm que, at receber seu telefonema, tambm planejava viajar com eles. Gareth franzira as sobrancelhas, mas no contestara 
ao saber que os planos teriam que ser mudados.
       -  Katie nunca pede nada - Louise explicou para ele. - Das duas, eu sou a que sempre est solicitando alguma coisa. Ela precisa de mim, Gareth. Tenho que 
estar aqui a sua espera. Devo isso a minha irm - terminou, decidida.
       Agora, vendo o rosto plido da irm gmea, Louise sabia que tinha feito a coisa certa.
       - Vamos - ela anunciou, pegando a irm pelo brao. - Vamos ter um almoo daqueles. Descobrimos um restaurante perto de casa...
       Katie comeou a protestar e balanar a cabea. A ltima coisa que queria fazer era comer mas, como de costume, Louise no lhe dera oportunidade para colocar 
objeo, pegando-a pelo brao e levando-a para fora.
       A caminho do hospital, uma parte da estrada estava parcialmente interditada, o que o obrigou a diminuir a velocidade. Aquilo permitiria que ligasse para Katie. 
Rapidamente, digitou o nmero que havia memorizado naquela manh enquanto conversava com a me dela.
       Esperou que ela atendesse deixando o telefone tocar vrias vezes, mas s lhe restou um sentimento de angstia e desapontamento.
       Charlotte havia sido levada para um hospital perto do acampamento, e embora houvesse falado com a enfermeira encarregada, assegurando-se de que Charlotte 
s estava em observao, sabia que sua preocupao paterna s acabaria quando a visse.
       Ele s esperava encontrar Katie a tempo. Porque se no conseguisse... "Voc ter um filho", disse a cigana. Um filho... um menino... o filho de Katie... De 
modo algum ele abdicaria das responsabilidades paternas pela segunda vez. No seria um pai ausente de jeito nenhum. De modo algum deixada de ser parte integrante 
da vida de seu filho...
       Charlotte tivera sorte... Ele tivera sorte pois sua ausncia no havia causado maiores danos a ela, mas Seb ainda carregava o peso da culpa de no estar presente 
quando mais precisara dele. Ainda levava a culpa de saber que seu egosmo poderia ter comprometido a felicidade e a vida da filha... Do mesmo modo que seu ato egosta 
poderia ter resultado na concepo de outra criana.
       Um filho no planejado, mas bem-vindo. A sensao que ele experimentava s em pensar em Katie carregando um filho seu era inexplicvel. Charlotte era sua 
filha e a amava, mas nunca havia sentido por Sandra o que experimentava agora com Katie.
       Gostava de Sandra como pessoa, respeitava-a e a admirava como me e como esposa, mas no a amava, nunca a amara como amava Katie.
       Mas Katie no o amava, e se estivesse grvida por causa da sua falta de controle...
       Deus, que confuso ele armara...
       -  De verdade, Louise, no estou com fome - Katie protestou. - Tudo o que quero... - Uma lgrima caiu pelo rosto, o que fez com que Louise mudasse os planos 
e a direo em que estava dirigindo.
       - O que est fazendo? - Katie protestou alarmada quando a irm fez uma converso ilegal numa avenida movimentada.
       - No se preocupe - Louise disse despreocupada. -Ningum estava olhando... Vamos para casa - ela explicou. - Podemos conversar melhor l.
       A casa que Louise e Gareth haviam alugado em Bruxelas ficava numa rua bonita e arborizada. Era espaosa e possua um belo jardim na parte de trs.
       - Venha. - Louise sorriu para a irm depois de estacionar o carro e sair.
       -- Bem, vamos sentar no jardim - Louise anunciou, enquanto puxava Katie at uma das cadeiras mais confortveis, dizendo em seguida:
       - Fique aqui. Vou pegar um vinho...
       - Eu no... - Katie comeou, mas Louise meneou a cabea.
       - Mas eu com certeza preciso. S uma taa - ela sugeriu com a voz mais doce. - Vai fazer-lhe bem.
       O vinho que Louise trouxe era branco e deliciosamente gelado. Estava uma delcia, Katie tinha que admitir, mas ainda assim recusou os sanduches que Louise 
lhe ofereceu como acompanhamento.
       -  Ento... conte-me tudo - Louise comandou. - Voc est apaixonada por Seb. Bem, eu percebi. O que a est preocupando?  a ideia do compromisso? O casamento 
assusta, eu sei.
       - No. No  nada disso - Katie interrompeu, respirando profundamente antes de continuar,
       -  O que eu deixei voc pensar, o que eu lhe disse, simplesmente no era verdade. No naquele momento... Seb e eu no ramos... no tnhamos... No havia 
nada entre ns e...
       - Mas existe agora - Louise resumiu. - Agora voc est apaixonada por ele.
       - Sim... - Katie olhou para sua taa de vinho quase vazia, sentindo o rosto ficar cada vez mais quente enquanto algumas lembranas retornavam a sua mente. 
Ento sorveu o vinho que restava, olhou para Louise e falou com uma objetividade que no lhe era peculiar:
       -  Foi... eu... eu fui para a cama com ele. Fizemos sexo... e foi... - Ela sentiu o rosto ficando ainda mais quente, mas quando olhou para Louise e no viu 
nenhum trao de choque ou crtica, tomou flego e continuou: - Foi maravilhoso. Eu no tinha... Eu nunca pensei que... No comeo ele estava furioso comigo quando 
descobriu o que todos estavam pensando sobre ns. Eu tentei explicar e pedir desculpas, mas... ele me agarrou e comeou a me beijar e ento, o que comeou como... 
Eu no pude fazer nada... Eu queria tanto que ele continuasse... - Katie confessou com voz rouca.
       Louise tomou um gole do vinho, incentivando-a com um gesto de cabea a continuar.
       -  Nunca pensei que podia me sentir assim. No eu. Os meus sentimentos simplesmente me arrebataram... Eu queria Seb desesperadamente. Sei que deve ser difcil 
para voc entender - Katie disse para a irm gmea, incapaz de encar-la.
       - Voc e o Gareth... vocs se amam e...
       - Eu no o amava quando fizemos sexo pela primeira vez
       -  Louise interrompeu para mostrar-lhe a realidade. - Na verdade... - ela parou. - Talvez ns sejamos mais parecidas do que pensamos. Gareth estava muito 
nervoso comigo na primeira vez que fizemos amor, Katie, e eu senti exatamente o mesmo que voc descreveu. Fui eu quem levou as coisas, quem insistiu... quem seduziu 
- ela completou.
       Katie levantou os olhos e escutou interessada.
       - Na primeira vez que fui para a cama com Gareth, estava convencida de que amava Saulo, e no ele. Estava furiosa com Gareth e comigo mesma, e ele tambm 
estava furioso comigo, mas de alguma forma, toda a fria se transformou em algo mais.
       Katie fechou os olhos e abriu-os de novo.
       -  Quando fui para a cama com Seb - ela confessou -, eu pensei... - Ela parou e mordeu o lbio e ento, olhando direto nos olhos da irm, confessou abertamente: 
- Eu pensava... achava... acreditava que amava Gareth.
       Por um momento o silncio entre as duas foi to intenso, to profundo, que Katie temeu ter ido longe demais, falado demais, violado a relao fraterna que 
sempre as unira. Mas ento Louise empurrou sua cadeira para trs, caminhando em sua direo e abraando-a to forte que Katie quase no podia respirar.
       -  Oh, Katie, Katie...  to estranho... A forma como ns duas experimentamos a mesma sensao, compartilhamos quase as mesmas situaes... Voc sabe o que 
isso significa, no ? - Louise perguntou com tom de pressgio.
       Katie olhou para ela com o corao batendo forte. O que Louise iria dizer? Que porque Katie havia admitido amar Gareth as coisas nunca mais poderiam ser as 
mesmas entre as duas? Que nunca mais confiaria nela?
       - No... o que isso significa?
       - Significa que voc e Seb foram definitivamente feitos um para o outro! - Louise pronunciou excitada. - Assim como Gareth e eu.
       Katie odiava ter que desiludir a irm, mas tinha que faz-lo. Triste, ela balanou a cabea.
       - No, Seb no me ama - afirmou convicta.
       - Ele a levou para a cama, fez amor com voc - Louise lembrou-a.
       - Ele me queria - Katie concordou. - Mas no me ama - disse sofrendo. Hesitante, olhou para Louise.
       - Voc no vai dizer nada para Gareth sobre... sobre eu pensar que o amava, vai? - ela implorou. - Percebo agora que...
       Mesmo que ainda no tivesse reconhecido como seu suposto amor por Gareth era irreal, ao ouvir Louise descrever a raiva dele quando haviam feito amor pela 
primeira vez percebera o quanto fantasiara sobre Gareth ser gentil e amvel. Assim, a imagem romntica e frgil que criara em torno do cunhado havia sido destruda.
       Achava que o amava pois no havia mais ningum para amar em sua vida, percebeu com sabedoria. Amar Gareth era uma forma de proteger e salvaguardar suas emoes.
       Se no ganhasse mais nada com tudo o que acontecera, pelo menos alcanara a maturidade e um conhecimento mais profundo de si mesma. E, claro, havia conseguido 
resgatar a ligao especial com Louise, sua irm gmea.
       Uma hora mais tarde as duas estavam passeando juntas no shopping de Bruxelas quando Katie parou para observar a vitrine de uma pequena butique.
       O vestido, um modelo de tric com muitas transparncias, marcava cada curva do corpo do manequim. Era um tanto caro, e provocante demais.
       - Ele ficar furioso com voc se usar isso em pblico, onde outros homens podero ver o que ele quer manter s para si - Louise murmurou. Em seguida, sugeriu 
de modo tentador:
       - Por que voc no compra?
       - Claro que no! - Katie exclamou. - Voc viu o preo? E alm disso, onde eu o usaria? Na festa do vov?
       Louise fez uma careta provocativa e sorriu.
       - Nem fale nisso! - E ento, em tom srio, perguntou com carinho:
       -  O que vai fazer?
       - Sobre Seb? - Katie retrucou. - No sei. Talvez eu devesse procurar outro emprego... me mudar...
       - Por que no se muda para c? - Louise sugeriu prontamente. - Voc conseguiria um emprego facilmente, e ns temos quartos a mais... Ou - ela completou, parando 
e voltando-se para Katie antes de continuar -, voc tambm poderia dizer a Seb como se sente, e ento ele...
       - No! Isto  impossvel - Katie negou imediatamente.
       Dez minutos mais tarde, enquanto estavam sentadas tomando um caf, Louise de repente soltou uma exclamao e ficou em p.
       - Acabei de me lembrar que no comprei bilhetes suficientes para o estacionamento. Espere aqui enquanto vou comprar mais um. Eu no demoro...
       - No - ela insistiu quando Katie comeou a se levantar.
       -  Voc no precisa ir. Termine seu caf e pea outro para ns duas... No sabe como  bom poder me dar ao luxo de simplesmente sentar e tomar um caf. Eu 
amo o Nick de todo o corao, mas s vezes  uma delcia ter algum tempo s para mim. Quando voc e Seb tiverem aquele filho, vai entender o que digo - comentou 
sorrindo, antes de sair correndo at o carro.
       - Pai! O que est fazendo aqui?
       Charlotte estava caminhando pelo corredor do hospital quando viu Seb, que acabava de chegar.
       - O que voc acha? - ele retrucou com seriedade.
       - Voc veio por minha causa? - Charlotte meneou a cabea. - Mas eu estou bem, acredite. Na verdade, acabo de receber alta. S Deus sabe por que eles insistiram 
em me manter aqui.
       - Voc sofreu uma queda perigosa - Seb apontou de forma direta.
       Charlotte girou os olhos em protesto.
       - Eu levei um tombo - ela corrigiu. - Eu praticamente nem ca, e se no tivesse batido a cabea duvido que ia haver todo esse pnico. Puxa, se eu houvesse 
sido levada para o hospital a cada tombo quando era pequena, nossa, passaria metade da minha vida l. Mame sempre reclamava que devia ser o gene dos Cooke que me 
fazia to desajeitada e to apaixonada pelo perigo. Ela sempre me garantiu que no sofreu nem um arranho quando criana. Acho que eu era um pouco levada - Charlotte 
confessou sorridente, enquanto abraava Seb. - Voc vai ter que se acostumar com esse tipo de visita se voc e Katie tiverem aquele filho. No - ela corrigiu com 
firmeza. - Quando vocs o tiverem... A propsito, como est Katie, veio com voc?
       - No, por que estaria? - Seb perguntou irritado.
       - Por nada - Charlotte acalmou-o. - Eu s esperava.. Pensei... que seria bom v-la.
       Em geral ele se safava das brincadeiras de Charlotte com facilidade, mas daquela vez, depois da noite anterior, s ouvir o nome de Katie era suficiente para 
trazer  tona uma srie de lembranas. Katie enrolada apenas na toalha. O gosto da boca de Katie. Katie tocando-o. A reao da Katie ao seu toque... Katie...
       - Pai... Em que est pensando? Retornando, ele franziu as sobrancelhas.
       - Tem certeza de que pode ter alta?
       - Pergunte ao mdico, se voc no acredita em mim - ela contestou.
       Uma hora mais tarde, depois de falar com o mdico, com as enfermeiras e, ainda mais, de ter insistido em ver o especialista encarregado, Seb reconheceu que 
Charlotte estava bem.
       - Papai, voc est sendo superprotetor. Parece um homem das cavernas - comentou quando eles finalmente saram do hospital.
       - Sou seu pai - Seb lembrou-lhe de forma sucinta, fitando-a com carinho.
       -  Eu sei - Charlotte concordou, abraando-o com um sorriso nos lbios, - Mas quando eu encontrar um homem... o homem, pai - ela enfatizou com um olhar de 
canto de olho e um pouco corada. - Pode esquecer, pois no vou contar nada para voc. Pelo menos, no no comeo... Seno voc vai aterroriz-lo.
       - Muito bom - Seb zombou, mas aquelas palavras de brincadeira desencadearam uma srie de pensamentos sobre os quais eje no podia falar com a filha.
       Ela estava falando do homem que seria seu primeiro amante. Charlotte e suas amigas olhavam o sexo como uma responsabilidade que deveria ser tratada com cuidado 
e respeito e que,  claro, era um legado deixado pelas geraes anteriores.
       Ele fora o primeiro amante de Katie. O que Jon Crighton pensaria dele se soubesse? Jon amava menos sua filha do que ele amava Charlotte? Alm disso, Jon Crighton 
pensava que ele e Katie formavam um casal.
       Se Seb desaparecesse da vida da Katie agora, o que Jon Crighton pensaria dele? Pensaria que apenas usara Katie, que a trara e abandonara? O condenaria por 
ser ainda pior do que os seus ancestrais Cooke? Seb teria os mesmos defeitos que eles, um homem totalmente sem moral, sem nenhum tipo de sentimento?
       -  Pai... pai - Assustado, percebeu que Charlotte estava falando com ele. - Pai, voc est bem? - a garota perguntou preocupada. - Voc estava longe de novo...
       - Eu estava pensando numa... coisa - Seb respondeu rpido.
       -  Numa coisa ou em algum? - Charlotte sugeriu, seus lbios se abrindo num largo sorriso quando ele no foi capaz de esconder sua reao.
       - Eu sabia.  Katie, no? Voc a ama de verdade, no , pai? Oh, estou to feliz! - Charlotte exclamou, abraando-o novamente. - Mas no espere que eu seja 
a dama de honra e vista um vestido de tule cor-de-rosa, daqueles que parecem um suspiro - brincou. - No se preocupe, eu sei que Katie tem muito bom gosto para querer 
que eu vista algo assim.
       -  Voc est indo rpido demais - Seb advertiu-a gentilmente, determinado a mudar de assunto. - Venha, vou lev-la de volta para Manchester.
       - Manchester! De jeito nenhum! - Charlotte anunciou com firmeza. - Vou voltar para o acampamento.
       Discutiram durante alguns minutos e no final, Seb foi forado a reconhecer que Charlotte estava certa por insistir em voltar para l.
       - Agora eu sou uma adulta, papai - ela o lembrou. - E mesmo que no fosse... Adoro que seja to protetor, mas s vezes voc precisa deixar que eu sinta a 
dor que voc j conhece. Isso se chama viver.
       - No me diga... - Seb comentou pensativo.
       - Ento, o que vai fazer quando chegar em casa? - Louise perguntou  irm. As duas estavam no aeroporto, esperando que o vo de retorno de Katie fosse anunciado.
       - Voc quer dizer depois que eu convocar uma reunio na praa principal de Haslewich para explicar que Seb e eu no estamos juntos? - Katie retrucou infeliz.
       - Me desculpe por isso - Louise pediu. - Se eu no tivesse dito nada...
       - No  culpa sua - Katie assegurou. - Eu deveria ter tido coragem de lhe dizer a verdade.
       -  E eu deveria ter percebido que voc estava escondendo algo. Pelo menos uma coisa boa veio com tudo isso - Louise murmurou.
       Katie nunca seria capaz de imaginar que a troca de confidncias as aproximaria tanto. Com Gareth e Nick fora, haviam passado toda a noite juntas, trocando 
segredos e lembrando-se do que haviam compartilhado na infncia, sempre voltando para as circunstncias extraordinrias em que perceberam onde estavam seus verdadeiros 
sentimentos.
       No ltimo dia da visita de Katie, Gareth voltou para casa, e ela sentiu-se naturalmente impelida a aproximar-se dele para lhe dar um beijo e um abrao fraternal. 
Sabia agora que tudo havia sido uma fantasia, e Gareth no significava mais nada para ela alm do fato de ser o marido da Louise.
       - Ainda no est tudo acabado com Seb - Louise alertou-a.
       -  Est sim - Katie respondeu nervosa, - Eu sei que para o meu bem voc adoraria que isso tivesse um final feliz, que Seb me amasse, mas no vai acontecer, 
Lou. Voc mesma disse que Gareth lhe contou que a amou desde a primeira vez, mesmo que voc no tivesse percebido. Mas Seb no me ama...
       -  Como voc sabe disso?
       -  Porque seno ele teria me dito - Katie concluiu. - Gareth no podia dizer a voc porque voc achava que amava outra pessoa.
       -  Eu entendo o que voc diz, mas ainda acho que est enganada - Louise insistiu com firmeza.
       -No, Lou - Katie implorou, com os olhos encobertos de tristeza. - No me d nenhuma esperana, isso s vai piorar as coisas.
       Louise viu o sofrimento nos olhos da irm e abraou-a com firmeza antes de lembr-la:
       - Vamos nos encontrar em breve.
       -  Na festa do vov, quando eu supostamente terei que levar Seb para a inspeo - Katie emendou desalentada.
       Depois do abrao final, Louise fez uma orao, baixinho, pela felicidade da irm, e esperou at o ltimo minuto para dar-lhe um pacote lindamente embrulhado.
       -  O que  isso? - Katie perguntou surpresa.
       -  o vestido que voc viu na vitrine da butque... Aquele "somente para os olhos de Seb". Lembra-se? - Louise indagou. - Voltei l quando disse que ia comprar 
o bilhete para o estacionamento. Eu sabia que voc no iria compr-lo...
       -  Voc estava certa - Katie disse emocionada e ento, lembrando-se do preo da roupa, protestou: - Voc no devia, Lou... Eu nunca vou poder usar isso.
       - E claro que vai... Use-o na reunio de famlia - Louise sugeriu.
       -  O qu?
       - Quero ver como voc ficar. Depois de alguns momentos de silncio, Louise falou: -  melhor voc ir agora ou vai perder o vo.
       Sem dar chance para que Katie respondesse, empurrou-a devagar e ficou observando-a at que desaparecesse.
       
       
       
       
       
       
       
       
       CAPITULO IX
       
       Ento, por favor olhe para o jri e conte a eles exatamente tudo o que viu dia noite de dezoito de outubro do ano passado...
       Katie fechou os olhos e tentou se concentrar no que a testemunha estava dizendo.
       O jri estava demorando para dar o veredicto num caso em que Olvia estava trabalhando e isso fez com que Katie tivesse que assumi-lo no ltimo momento. Outro 
caso na Corte de Chester, embora aquilo at pudesse ser considerado bom, pois lhe dava uma desculpa para ficar alguns dias em Chester enquanto o caso estivesse sendo 
julgado. Assim, no corria o risco de encontrar-se com Seb. Katie foi forada a admitir que estava sendo difcil dar total ateno ao trabalho, apagar Seb de sua 
mente por completo.
       - A Corte deve se levantar.
       Automaticamente, Katie levantou-se. O juiz declarou um recesso. A sala do tribunal era quente e abafada, apesar dos ventiladores, e ela estava feliz por poder 
ir at l fora e respirar ar puro.
       Sua cabea comeou a doer. Havia uma farmcia perto, do tribunal, ento ela atravessou a rua e comeou a caminhar at l.
       Havia vrias pessoas para serem atendidas junto ao balco, e enquanto esperava sua vez olhou ao redor para a enorme quantidade de remdios  venda. Com o 
canto do olho, Katie viu um mostrador com camisinhas e produtos contraceptivos, alm de jogos para testes de gravidez.
       -  Voc no sabe - Louise disse-lhe na noite em que conversaram longamente -, mas j pode estar carregando o filho do Seb...
       - Eu no estou - Katie negou veemente. - No me pergunte como eu sei. Mas eu sei, e mesmo que estivesse... seria um espetculo, no seria? - ela comentou 
com ironia. - Ter de contar para a famlia que estou grvida e que Seb no me ama. No que fosse preciso muita explicao. Afinal, ficaria tudo bvio se eu simplesmente 
chegasse na festa do vov sem ele.
       Ela chegou no caixa e pagou pelos comprimidos. Como podia ter tanta certeza de que no estava carregando o filho do Seb, ela no tinha a menor ideia, s sabia 
que a cigana estava errada, no havia um filho... Nenhum menino parecido com o pai... Pelo menos no com ela.
       Era uma tarde perfeita e Katie estava dirigindo de volta para Haslewich, as colinas galesas ao longe, os ricos campos das plancies de Cheshire estendendo-se 
a sua frente. Os mercadores e soldados romanos um dia, vindo do porto de Chester, cruzaram aquela plancie a caminho das minas de sal de North-wich, Nantwich, Middlewich 
e Haslewich. As salinas eram a principal indstria da rea, juntamente com as fazendas, havia sculos. At o surgimento dos pratos prontos e congelados, o sal era 
a nica coisa que permitia que a carne fosse guardada e conservada. Agora, as velhas instalaes haviam se transformado em museus e atraes tursticas. Diziam que, 
durante a Guerra Civil, quando a rea foi atacada pelas foras rivais dos Cavalier e dos Roundhead, um fugitivo muito famoso da realeza, o prncipe Stuart, que mais 
tarde passara a chamar-se rei Charles II, refugiou-se nas minas de Haslewich, o que nunca fora provado.
       Katie decidiu que, em vez de retornar para seu apartamento, iria para a casa dos pais, onde passaria a noite e ficaria disponvel logo cedo para ajudar a 
me e Maddy com os preparativos da festa de Ben.
       Quando entrou na cozinha da me, recebeu as boas-vindas com cheiro de assado e enquanto a envolvia em um abrao demorado, Jenny perguntou-lhe como havia sido 
no tribunal. Com aquilo, Katie conseguiu afastar de seu pensamento a imagem que a estava atormentando. De olhos abertos, sonhara que estava chegando em casa e encontraria 
Seb esperando-a de braos abertos.
       Durante o jantar, conversou com os pais sobre sua visita a Louise e sobre o caso recm-encerrado no tribunal.
       Havia encontrado Max enquanto estivera em Chester, e ele lhe havia confidenciado:
       - Existe grande possibilidade de eu ser promovido para o Conselho da Rainha.
       - Oh, Max! - Katie pronunciou com orgulho de irm. - Que notcia maravilhosa.
       -  Bem, espero que isso alegre um pouco o vov - Max concordou. - Falei sobre isso com Maddy e ns concordamos em contar a ele durante a festa.
       - Assim, ele poder gabar-se disso com todos que estiverem por l! - Katie brincou, acrescentando com sinceridade: - Max, ele vai ficar to contente, isso 
 tudo que sempre quis, ter um membro na famlia que trouxesse iniciais importantes depois do nome: Max Crighton, QC. Oh, Max... - Ela o abraou feliz, e ento tomaram 
uma garrafa de champanhe que Luke insistiu em abrir no escritrio ao saber das boas novas.
       - Voc merece, Max - Luke assegurou, e os dois homens trocaram um olhar de respeito e considerao.
       Na mesma hora, Katie sentiu os olhos encherem-se de lgrimas de emoo.
       - Eu j contei para o papai e para a mame - Max acrescentou quando Katie estava partindo.
       - Eles devem estar emocionados - Katie opinou.
       - Sim - Max concordou, e ento com um olhar de canto de olho ele continuou: - Mas como eu, eles sentem que o que tenho com Maddy e as crianas  muito mais 
importante.
       Katie abraou-o sabendo como havia sido difcil e doloroso tanto para Max como para Maddy chegar  cumplicidade que compartilhavam agora no casamento.
       Sentada  mesa, com os pais, Katie percebeu que a notcia de Max tiraria um pouco da presso sobre ela. Com a promoo do neto, o av provavelmente nem ligaria 
para seu relacionamento com Seb, ou para a inexistncia do mesmo. Os membros femininos da famlia nunca mereceram muita importncia aos olhos do av como os masculinos, 
e daquela vez Katie estava contente com isso.
       -  Voc viu o Seb depois que voltou? - sua me lhe perguntou um pouco preocupada. - Vocs no devem ter se encontrado na ltima semana...
       -  Eu... - Aquela era a chance para contar aos pais a verdade, Katie reconheceu, mas quando respirou fundo, pronta para faz-lo, o telefone tocou e a me 
levantou-se e foi at a sala para atend-lo.
       Antes que voltasse, Maddy chegou com as frutas de que Jenny precisava para rechear as tortas que estava assando, e depois de uma hora, Maddy j estava voltando 
para Queensmead, onde vrios membros da famlia ficariam hospedados durante o fim de semana.
       Logo depois, Louise, Gareth e Nick chegaram, e foi-se a oportunidade de Katie poder falar a ss com os pais.
       - Bem, esta  a ultima remessa de comida para ser levada para Queensmead, e est na hora de nos aprontarmos - Louise anunciou, removendo o chocolate que seu 
filho havia espalhado na sua roupa. - Mal posso esperar para ver voc naquele vestido - disse entusiasmada para Katie, que imediatamente olhou para o cho.
       Louise parou o que estava fazendo na mesma hora, perguntando-lhe com determinao:
       - Voc vai us-lo, no vai, Katie?
       - No posso. No ...  muito... De qualquer modo, ele no est aqui comigo, est no meu apartamento e no h tempo... Lou - Katie protestou enquanto a irm 
gmea caminhava para a bolsa de Katie e pegava as chaves, falando com uma voz que no permitia argumentao:
       -  D tempo sim. Farei com que d tempo, e voc, minha querida irmzinha, vai us-lo. Gareth! - ela chamou o marido por cima dos ombros de Katie. - Voc vai 
ter que dar banho e vestir Nick, as coisas dele esto sobre a cama l em cima...
       - Louise - Katie protestou mais uma vez, mas era tarde demais, a irm j estava na porta indo para o carro que ela e Gareth haviam alugado, levando consigo 
as chaves do carro da irm tambm.
       Seb franziu as sobrancelhas enquanto colocava o telefone no gancho. Era a quinta vez que ligava para Katie naquela manh sem ter resposta.
       S quando ligara para Olvia no escritrio conseguira descobrir que Katie havia retornado de uma viagem inesperada para Bruxelas e que fora direto para o 
tribunal em Chester.
       Ser que era apenas uma sequncia de circunstncias estranhas que estava impedindo uma conversa entre os dois, ou Katie o estava evitando deliberadamente? 
Aquele era o dia da festa do av dela, um evento ao qual ele supostamente deveria lev-la, pelo menos de acordo com Guy.
       J havia suportado demais e tentado achar desculpas prticas para ver Katie, mas no eram elas que lhe causavam dor e que estavam dominando suas emoes e 
pensamentos.
       Ficava imaginando o que Katie estava pensando ou sentindo. Ser que estava arrependida do que acontecera? Ela o culpava... odiava-o por aquilo? Estava evitando-o 
por estar sem graa ou furiosa? Ela... Ser que precisava fazer tais perguntas? Seb s precisava se lembrar do que havia dito a ela antes de fazerem amor, as acusaes 
que havia feito, a raiva que havia demonstrado. Mas depois que eles se tocaram, beijaram, abraaram... No havia motivo para ficar ali, ele decidiu que iria sair 
tambm.
       Louise estava no hall de entrada do apartamento de Katie quando Seb abriu a porta do seu apartamento.
       -  Katie - ele comeou, e ento parou quando percebeu seu erro.
       Louise, que notou a esperana brilhar por um breve momento em seus olhos, apagando-se quando a viu, prometeu-se que a irm definitivamente iria usar o vestido 
novo, mesmo que tivesse que coloc-lo nela  fora.
       - Katie est em casa, ajudando minha a me a se aprontar para a festa do vov - Louise contou-lhe.
       -  Sim. Sim,  claro. Eu... er... Como ela est? - Seb perguntou, desajeitado.
       Louise fitou-o longamente. Embora as duas fossem gmeas idnticas, Seb sabia que nunca confundiria Louise com a irm. Katie era especial, nica, ela era...
       -  Se voc realmente se importa, se preocupa... - Louise enfatizou - ...ento talvez voc devesse dizer isso a ela - sugeriu com firmeza.
       Seb franziu a testa.
       Ser que Katie havia discutido o que acontecera entre eles com a irm? No parecia o tipo de coisa que ela fizesse. Por instinto, sabia que era uma pessoa 
muito reservada, mas as gmeas compartilhavam um relacionamento e uma intimidade que ia muito alm dos de irmos no gmeos.
       Louise mexeu na elegante maleta que estava carregando.
       - O vestido de Katie... para a festa... - ela disse displicente, acrescentando com mais objetividade, ainda que no falasse totalmente a verdade. - Ela comprou 
em Bruxelas para usar hoje. Para voc...
       Estava correndo um grande perigo, Louise sabia disso, e o pior era que o risco no era para ela. Se estivesse errada, e Seb realmente no se importasse... 
E se ele estivesse apenas sendo educado... Se o que acontecera entre ambos no passara de um impulso do momento, sem importncia emocional para ele...
       Mas no, no havia dvida sobre aquele momento de incerteza, quando perguntara sobre Katie, e o modo como estava l,  sua espera.
       -  A festa comea s trs - disse em voz baixa, e ento, antes que ele pudesse dizer alguma coisa, correu em direo ao elevador.
       De volta  casa dos pais, Louise no mencionou ter visto Seb, e muito menos ter falado com ele. Por outro lado, carregou Katie para o andar de cima, ignorando 
seus protestos de que o vestido era muito provocante para o tipo de evento, parando apenas para beijar Gareth quando ele saiu do quarto segurando o pequeno Nick.
       -  Huram.., Vocs dois esto muito cheirosos - ela disse, acrescentando com malcia: - Talco de bebe  to sexy em um homem...
       - Lou, eu no posso usar isso - Katie declarou. - Voc pode ver tudo atravs dele.
       -  No, no pode, ele tem um forro cor da pele, parece que pode...
       -   isso que eu quero dizer - Katie disse em desespero - Parece que no tenho...  como se eu estivesse...
       -  E provocativo e sexy, e voc ficou arrasadora nele - Louise disse com determinao.
       Katie precisava concordar que estava realmente arrasando, foi o que pensou quando Louise virou-a de frente para o espelho e ordenou:
       -  Olhe... Sim, eu sei que se pode ver atravs dele, mas como eu disse, tudo o que se pode ver  o forro. Ele  da cor da pele, mas veja, no  como se voc 
estivesse com fendas por todo o vestido, no com este decote careca e, na verdade, as nicas partes de voc que esto realmente  mostra so seus braos e pernas...
       - Pode ser, mas todos pensaro que eu estou toda...
       - Deixe que pensem - Louise interrompeu e disse com sinceridade: - Katie, este vestido est maravilhoso em voc. Deve us-lo. Faz com que voc parea... parea 
como deve parecer...
       Dirigiu um olhar melanclico para Louise, que balanou a cabea.
       - Est bem,  sexy, mas tambm tem estilo,  elegante e sensual, no tnue como voc est querendo parecer. No, voc no  assim...
       -  Vamos, est na hora de descermos, seno vamos nos atrasar. Oh, no - ela acrescentou quando Katie disse que precisava pegar as chaves de seu carro. - Voc 
no pensa que eu vou deixar que voc saia da minha vista, muito menos no seu carro para poder fugir para seu apartamento e trocar de roupa nas minhas costas. Voc 
vem conosco... vamos...
       Queensmead era uma casa grande com muitos quartos, o que era muito bom, Maddy disse para Jenny, pois serviriam para hospedar todos os membros da famlia que 
quisessem pernoitar l.
       - E se contarmos todas as crianas... ainda bem que a maioria delas ainda  pequena e fica no mesmo quarto que os pais.
       Ao andar pela sala de estar de Queensmead, Katie podia ver o que Maddy dissera. Embora a sala fosse grande, estava lotada de pessoas.
       Saulo e Tullah estavam com os filhos, conversando com os pais dele. Luke e Bobbie estavam era outro grupo que inclua James, o irmo de Luke, suas duas irms 
com as respectivas famlias e os pais.
       - Parece que Chester expulsou todos os Crightons hoje - Louise comentou com Katie quando elas chegaram.
       - Humm... Este vai ser o dia do vov - comeou, pensando como ele ia ficar feliz por poder se gabar para os dois primos, com quem ele sempre secretamente 
sentiu que precisava competir, das novidades que Max trazia. Mas Louise, que ainda no sabia de nada, deu-lhe um olhar intrigado.
       Bobbie, a esposa americana de Luke, acenou para elas e, separando-se do grupo de sua famlia, aproximou-se trazendo os filhos com ela.
       - Nossa... adorei seu vestido - ela aprovou, enquanto observava Katie com ateno. -  to sexy...
       Katie ficou rosada, Louise gemeu e depois riu.
       - No diga isso a ela. Fiquei uma hora tentando convenc-la que no era...
       -  Eu no disse que tinha conseguido - Katie comentou com voz seca.
       - Ento... - Bobbie brincou gentil. - Onde est ele? Katie sabia perfeitamente bem a quem Bobbie se referia, e fechou os olhos sentindo uma dor percorrendo 
seu corpo. Louise cutucou-a, avisando:
       -  Katie... Katie...
       Aquilo a fez abrir os olhos novamente, mas as palavras de protesto que estava pronta a proferir para a irm perderam-se ao vislumbrar Seb parado na porta 
de entrada.
       Mesmo em meio  fora coletiva dos homens Crighton, todos altos, morenos e extremamente bonitos, Seb destacava-se. Katie o observava e percebeu que seus sentidos 
estavam todos sendo satisfeitos. Foi quando Seb virou a cabea e a viu.
       Katie segurou a respirao. O modo como a observava fez com que sentisse... pensasse... acreditasse...
       Seu corao estava batendo forte. Seb ainda estava olhando para ela, e em seus olhos ela podia ver... Viu os lbios msculos pronunciarem seu nome e ento 
ele comeou a caminhar em sua direo.
       Ao seu lado, Louise deu-lhe um leve e firme empurro na direo de Seb, e de algum modo ela estava indo p ante p na direo dele.
       Seb estava acostumado com famlias numerosas. Sua famlia era grande, mas os Crighton formavam uma famlia diferente. Pelo menos Ben Crighton gostava de pensar 
assim, e enquanto observava a sala lotada, Seb podia ver o porqu. Mas s havia uma pessoa ali que ele queria ver. Rapidamente examinou a sala e encontrou-a, ao 
lado da irm, usando um vestido que a fazia parecer etrea como uma fada da floresta, to frgil e delicada...
       Segurou a respirao quando viu o modo como ela o encarava, todos os sentimentos nos olhos.
       - Katie... - Seb murmurou seu nome e a multido que os separava pareceu abrir-lhe caminho como por magia.
       - Katie...
       Quando Seb a alcanou e disse seu nome, Katie fechou os olhos, incapaz de conter a onda de felicidade que percorreu todo seu corpo, e ento estava nos braos 
dele, que a estava segurando, beijando.
       Desejosa, correspondeu ao beijo, e os dois permaneceram com os lbios colados mesmo depois de se beijarem.
       - Seb - sussurrou o nome dele.
       - Senti sua falta - ele murmurou. - Por que no me ligou... no entrou em contato? Por que estou perdendo tempo com essa conversa? Por que estamos perdendo 
tempo aqui? - ele resmungou com os lbios grudados aos dela. - E por que voc est usando este vestido que me faz querer...
       - Seb - Katie protestou afastando ligeiramente seu rosto vermelho, mas sorrindo e colocando o dedo nos lbios dele.
       O brao msculo envolveu a cintura dela enquanto a beijava na ponta do dedo, mordiscando-o com delicadeza. Com os olhos mostrando desaprovao, ela lembrou-lhe:
       - A casa est cheia de crianas e...
       Crianas... Os olhos dele encobriram-se de preocupao. Protegendo-a de todos com seu corpo, ele murmurou:
       - Voc pode estar carregando meu filho... nosso filho... Sentindo todo seu corpo reagir  intimidade do que ele estava dizendo, Katie falou com voz entrecortada 
e num tom um pouco alto:
       - No, acho que no - ela informou. - No...
       -  No desta vez - ele sugeriu.
       No desta vez. Katie sentia que poderia desmaiar. Estava radiante de felicidade e mal podia acreditar no que ouvia. Como aquilo podia estar acontecendo? Como 
o cu havia passado de um tom cinzento-escuro para um azul-brilhante com tanta rapidez, tudo por causa de um olhar especial?
       - Nunca pensei que viria - ela sussurrou. - Eu ia dizer a todos que era tudo um mal-entendido, desculpar-me por no ter dito nada antes. Nunca sonhei...
       - No - Seb disse com um olhar triste. - Voc pensou que o que compartilhamos foi uma coisa comum, mundana...
       Katie negou com um gesto de cabea, de maneira enftica.
       - Oh, no... no... Foi... - Ela parou e encarou-o com um sorriso tmido nos lbios. - Foi maravilhoso, Seb... mgico... algo que nunca imaginei. Assustou-me 
um pouco reconhecer que toda a raiva e repulsa que sentia por voc no passavam de uma barreira que constru, pois estava com medo de assumir o que realmente sentia.
       - E o que voc realmente sente? - Seb perguntou-lhe, Katie olhou para ele. Seu olhar dizia que podia confiar nele, dando-lhe coragem para ser totalmente honesta. 
Ela soltou um profundo suspiro.
       - Eu... eu amo voc - disse de forma direta.
       Depois de dizer aquilo, sentiu os dedos dele pressionarem sua cintura.
       - Vamos sair daqui - ele disse por entre os dentes. - O que eu quero dizer para voc... O que eu quero fazer com voc... - Katie ouviu-o gemer. - Este vestido... 
- ele sussurrou com veemncia. - Est me deixando louco... Voc est me deixando louco, Katie Crighton, louco de saudade, louco de vontade, louco de amor...
       -  No podemos ir ainda - Katie protestou em um tom no muito convincente. Os parentes haviam convenientemente se afastado, deixando os dois com privacidade, 
mas...
       - Se voc no parar de olhar para mim desse jeito, terei que fazer amor com voc aqui mesmo e agora, que se danem as consequncias - Seb gemeu. - Isso vai 
impressionar seu av, no vai? Deve haver mais do sangue Cooke em mim do que eu imaginei, e h o bastante dele nas minhas veias para que eu no ligue a mnima para 
quem sabe ou v o quanto eu te quero, Katie... E  o bastante para lev-la daqui, rapt-la, como  notrio que meus ancestrais costumavam fazer com suas amadas.
       - Seb - Katie repreendeu sem flego. - Deixe-me despedir do vov e ento iremos.
       -  Acho que vai precisar dizer mais do que apenas adeus para ele. - Seb comentou com ironia. - A menos que o olhar que ele est lanando em nossa direo 
durante os ltimos minutos no signifique nada.
       - Me d alguns minutos para explicar a ele - Katie sugeriu. - E ento vou apresent-los.
       Aceitando com a cabea, Seb soltou-a devagar, mas quando ela estava prestes a deix-lo aproximou-se novamente de forma possessiva, beijando-a breve mas apaixonadamente.
       - Alguns minutos - ele a alertou - E s. Voc e eu temos muito tempo a recuperar.
       - Hum... uma semana inteira - Katie brincou antes de soltar-se e caminhar na direo do av.
       Seb observou-a com carinho. Ela era sua alegria, seu futuro, sua esperana e seu amor. Ele no se importava com quem sabia daquilo. Pretendia provar isso 
a ela assim que pudesse t-la nos braos. Aquele vestido... Cerrou os olhos enquanto se imaginava tocando-a atravs dele, beijando-a, ento abriu os olhos quando 
ouviu a voz de uma mulher dizendo baixinho:
       -  Meu Deus, como Katie mudou... quase no posso reconhec-la.
       Alison Ford levantou um pouco, a sobrancelha enquanto ouvia a irm Raquel. O pai delas, Henry Crghton, era primo de Ben, e o irmo delas, Luke, era casado 
cora Bobbie, a neta americana de Ruth Crighton. Quase duas dcadas mais velhas do que Louise e Katie, ambas eram casadas e tinham filhos.
       -  Hum... Bem diferente do que estava no casamento de Louise - Alison concordou.
       -  verdade. Ninguem disse nada, mas minha impresso  de que os sentimentos dela pelo Gareth no eram apenas os de uma cunhada...
       - Voc quer dizer que ela estava apaixonada por ele?
       As mulheres comearam a afastar-se de Seb e ele no pde mais ouvi-las, mas o estrago j estava feito. Furioso, ele procurou na sala at que encontrou quem 
queria. Gareth, o marido de Louise e l, bem a seu lado, Katie, olhando para ele, sorrindo para ele, to perto dele que podiam beijar-se com facilidade... Sua Katie...
       Seb no costumava ser ciumento, mas a viso de Katie to perto de Gareth depois do que acabara de ouvir, e justo quando seu amor por Katie havia sido recentemente 
declarado, deixando seu ego frgil e vulnervel, arrebataram toda sua lgica e autocontrole.
       Como Gareth ousava ficar to perto de sua amada? Como ele ousava conversar com ela com tanta intimidade? Como poderia resistir a ela, especialmente quando 
usava aquele vestido, um vestido que faria at um santo desej-la?
       Katie deu um risinho quando Gareth acabou a piada que estava contando. Estava impressionada com o quanto estava apreciando o novo relacionamento com o cunhado, 
o senso de camaradagem, a proximidade e o calor fraterno que era recproco da parte dele.
       No se sentia desconfortvel ou com peso na conscincia na presena dele agora. O Gareth que ela acreditava amar era apenas fruto da sua imaginao, um personagem 
inverossmil e virtualmente assexuado, que no se parecia nem um pouco com o Gareth real.
       - Acho que voc disse que queria se despedir do seu av. Katie pulou ao ver Seb materializar-se de sbito ao seu lado, conseguindo, meio que a fora, ficar 
entre ela e Gareth, com olhos duros e nervosos e a voz spera.
       - Sim. Eu disse... eu vou... mas...
       -  Mas voc achou algum mais... interessante para conversar... - Seb sugeriu resoluto.
       Katie o encarou.
       - Eu...
       -  Oh, voc no precisa explicar nada para mim - Seb disse com firmeza. - Acabei de escutar uma conversa bem esclarecedora.
       Com o canto dos olhos, Katie podia ver os olhos curiosos dos que estavam ao redor. Gareth, que estava prximo do dois, comeou a franzir a testa.
       -  Seb - ela protestou, mas ele a ignorou, puxando-a para a porta.
       - Para quem voc estava guardando a sua virgindade, Katie? - ele exigiu. - No para mim. com certeza.
       -  Seb - Katie insistiu quando ficaram sozinhos no hall de entrada.
       - Era para Gareth, no era? - ele interpelou, ignorando-a, - Gareth, seu cunhado! - enfatizou. - Voc est apaixonada por ele. No precisa negar. E por isso 
que est usando este vestido? Para ele... Esperando que ele...
       -  Voc est com cime - Katie suspirou ao ver os olhos cinzentos ficarem obscuros - E... e voc est errado... Eu no amo Gareth... ele...
       -  Gareth... o qu? - Seb proferiu rudemente. - Gareth no a quer porque  casada com a sua irm gmea... Bem, essa foi a impresso que tive agora mesmo. 
Ele estava olhando para voc como se...
       - Seb, voc entendeu mal - Katie protestou de pronto.
       -  No, voc  que no entendeu nada. Se pensa que vou permitir que outro homem, que qualquer homem fique entre ns, est muito enganada. Eu te amo Katie, 
e estou certo de que voc tambm me ama, no importa se voc pensa que ama outro homem... S me d a chance de lhe provar como seria bom para ns dois, Katie,  
tudo que peo, e eu prometo que... Parou quando percebeu o olhar solene que ela estava lhe dirigindo. E ento, respirando profundamente, decidiu usar seu trunfo, 
o qual estava to cheio de dinamite emocional que ele havia prometido a si mesmo que s usaria se estivesse louco ou desesperado... Ou talvez, os dois.
       -  Lembra-se do que a cigana falou? - ele perguntou com voz rascante. - Foi o meu filho que ela viu com voc, Katie.
       O filho dele... Katie olhou espantada para Seb... Todo aquele cime, aquela paixo, aquela determinao. Era tudo to inesperado que ela mal podia absorver 
tudo.
       -  No - ela o corrigiu suavemente. - No era o seu filho, Seb...
       O olhar confuso fez com que ela o tocasse, de modo a tranquiliz-lo. Katie colocou seus dedos no brao dele, que estava tenso sob a jaqueta, como se todo 
seu corpo estivesse temendo ser rejeitado.
       -  Nosso filho, Seb... Nosso filho. Seu e meu.
       Ao encar-lo novamente, ele estava engolindo em seco, e ento o ouviu dizer com voz cheia de emoo:
       - Venha, vamos sair daqui...
       Na sala de estar, Max acabara de dar a Ben Crighton as notcias. Atravs da porta aberta, Katie pde ver o rosto feliz do av. As boas novas de Max haviam 
apagado qualquer coisa que ela pudesse dizer.
       Agradecida ao irmo, olhou para o rosto do Seb.
       -  Sim - ela concordou carinhosa. - Vamos...
       - Eu j disse o quanto te amo... o quanto voc  maravilhosa, esplendorosa, adorvel, sexy e...
       - Humm... Mas voc pode dizer de novo, se quiser - Katie disse feliz, enquanto se aproximava ainda mais dele.
       O sol do fim da tarde, brilhando atravs da janela do apartamento de Seb, espalhava sobre seus corpos nus uma luz dourada.
       A pele de Seb destacava-se ao lado de sua palidez, com plos escuros e sedosos. Devagar, passou os dedos por entre eles, e deitou-se sobre seu peito brincando, 
beijando-lhe um mamilo e depois o outro.
       - Voc sabe o que esta fazendo? - Seb resmungou, e sua voz tornou-se um gemido baixo ao sentir os dedos dela em seus mamilos enrijecidos, e a palma da mo 
feminina passeando pelo cncavo de seu abdmen.
       -  Eu nunca amei Gareth de verdade, sabe - Katie contou a ele com fala mansa alguns minutos depois, levantando o corpo apoiado num dos cotovelos e olhando 
apaixonada para seu rosto. - Eu s pensei que o amava, mas o Gareth que imaginei amar nunca existiu de verdade, ele era uma pessoa que eu havia criado na minha mente. 
Agora, voc ter cime dele...
       Fitou-o intensamente e depois continuou em voz baixa:
       - Voc foi casado, Seb. Deve ter amado Sandra um dia... e... Quieto, Seb meneou a cabea.
       - Ns pensamos que nos amvamos, mas era paixo, algo que acabaria depois de algumas noites de sexo, mas eu estava muito preso, preocupado com a minha herana 
Cooke para fazer experincias. Sandra e eu nunca deveramos ter nos casado, e com certeza nunca deveramos ter tido um filho. Eu me sinto realmente culpado por no 
estar l quando Charlotte estava crescendo, mas quando Sandra me disse que ela achava que seria melhor para nossa filha que ela no tivesse nenhum tipo de contato 
comigo achei que estava correta, e ento ela casou-se com George e ao final ele se tornou o pai da Charlotte.
       - Deve ter sido difcil para voc - Katie considerou com carinho. - Saber que outro homem tomou o seu lugar.
       -  No comeo no foi fcil, mas depois acabei me acostumando  solido - Seb murmurou. - Afinal de contas, era para o bem de Charlotte...
       Depois de um silncio significativo, Seb falou:
       - Quando a encontrei pela primeira vez, estava com tanto medo que ela pudesse ficar decepcionada comigo, que eu no estivesse  altura de suas expectativas, 
e que eu a tivesse de algum modo prejudicado por no estar presente, mas ela  a pessoa mais equilibrada que j conheci...
       -   mesmo... - Katie concordou, e ento perguntou um pouco hesitante: - Como ela vai se sentir, voc tem ideia, sobre ns?
       Seb olhou para ela e balanou a cabea srio.
       - Vai ser um problema, eu acho - ele disse com ar solene. O corao de Katie disparou.
       - Vai, vai ser?
       - Sim... Ela disse para mim que no vai, de jeito nenhum...- Ele parou enquanto Katie o observava ansiosa. - Nunca...
       - Fez outra breve pausa antes de continuar dramaticamente:
       - Vai usar um vestido de dama de honra cor-de-rosa que a faa parecer com um suspiro...
       -  O qu? - Katie olhou para ele e ento comeou a rir.
       - Ela acha voc maravilhosa - Seb disse com voz macia - e mal pode esperar para lhe darmos um par de irmos....
       -  Oh, Seb! - Katie sussurrou com os olhos cheios de lgrimas.
       -  Oh, Seb, o qu? - repetiu tambm emocionado.
       Mas Katie no pde responder nada, pois ele a estava beijando, pressionando-a contra os travesseiros, prendendo os braos dela num abrao cheio de carinho 
enquanto continuava beijando-a, devagar e suave no incio, e depois com uma paixo galopante e uma necessidade que se mostrava em seu corpo rijo.
       Ento Katie soltou um gemido baixo e feminino, que saiu do fundo da sua garganta. Quando ele beijou a curva do seu ventre, Katie arqueou o corpo sob o ele.
       As mos de Seb passaram ento a acarici-la ntima e carinhosamente. Katie gemeu.
       - No deveramos estar fazendo isso - Seb lembrou com um gemido quando ela se virou para ele - No sem...
       Mas Katie j o estava tocando, arrebatando-o. E a necessidade que ele sentiu de fundir-se quele corpo era muito maior do que ele poderia resistir.
       Mais tarde, deitada nos braos de Seb, Katie dirigiu-lhe um olhar jubiloso antes de dizer:
       -  Eu o vi... agora mesmo, quando... ele  to lindo, Seb...
       - Sim, eu sei - ele concordou calmamente. - Tambm o vi. Eles se olharam em silncio por um momento, compartilhando admirados o que haviam acabado de experimentar.
       - Ele se parecia tanto com voc - Katie murmurou um pouco trmula.
       Seb franziu as sobrancelhas.
       -  No - ele corrigiu -, ele se parece com voc. Katie arregalou os olhos.
       - Gmeos - ela sussurrou chocada. - Vamos ter gmeos. Oh, Seb... Seb...
       Ele suspirou profundamente enquanto Katie o beijava.
       -  Cuidado... podem ser trigmeos... Katie riu.
       -  No existem trigmeos na famlia Crighton - ela o repreendeu.
       - Ns temos que nos casar... e logo - Seb avisou-a. Katie apertou os lbios e fingiu franzir as sobrancelhas.
       - Falo srio, Katie - Seb avisou ameaador. - Voc  a mulher que eu amo, e esse  um amor "para sempre".
       - Para mim tambm - Katie confirmou alegremente.
       - Um casamento bem simples - Seb continuou, parando somente quando Katie comeou a rir.
       -  No... No podemos fazer isso de jeito nenhum - ela discordou contente. - Voc  um Cooke e eu, uma Crighton, Seb, e a cidade toda vai querer nos ver casar. 
 por isso que Haslewich tem uma igreja to grande.
       -  Humm... E tambm vai precisar de uma pia batismal bem grande - Seb murmurou antes de puxar Katie contra seu corpo, silenciando qualquer resposta que ela 
pudesse dar com um longo e sensual beijo.
       
       
       EPLOGO
       
 por isso que Haslewich tem uma igreja to grande - Jenny Crighton disse para o marido, inconscientemente ecoando o comentrio de Katie.
       -  Sei que esto apaixonados, mas tudo tem que ser to depressa? - Jon protestou com pesar, parando quando viu o olhar que Jenny lhe lanara.
       - Oh! - ele exclamou. - Entendo...
       - Katie no disse nada - Jenny avisou-o. - Mas Louise tem quase certeza, e voc sabe como tudo funciona entre elas, gmeas... As duas parecem ter uma ligao 
especial e.., - Jenny parou quando viu a expresso do marido. Carinhosamente, tocou em seu brao. O seu Jon era gmeo, mesmo que no estivesse mais tendo contato 
com o irmo David.
       -  Seu pai ainda acredita que um dia David vai voltar para casa.
       -  Sim, eu sei - Jon concordou. - Voc sabe que eu tive os piores pressentimentos quando fui para a Jamaica e que...
       -  Que o qu? - Jenny pressionou-o, mas ele j estava meneando a cabea.
       - Oh, nada... Ento temos outro casamento para preparar. O que me lembra, ns vamos ao aniversrio de casamento de Olvia e Caspar?
       Jenny comeou a fechar a cara.
       -  O que foi? - Jon perguntou.
       -  No sei - Jenny murmurou. -  que Olvia parece estar um pouco nervosa ultimamente.
       - Humm... bem, ns estamos sob muita presso no escritrio o que, com certeza, foi uma das razes porque fiquei feliz quando Katie se juntou a ns. O que 
me lembra - Jon brincou - de que ns definitivamente teremos que comprar aquela mesa de jantar de que voc estava me falando!
       - Aquela com extenso para sentarem dez pessoas? - Jenny perguntou. - Voc disse que era muito grande...
       -  Isso foi antes de contar com os netos com que nossa famlia tem sido abenoada.
       Jenny riu e concordou.
       - Sim, Katie estava dizendo ontem  noite que ainda bem que a igreja tem um corredor bem longo... para todas as pequenas damas de honra que ter - ela explicou. 
- Na ltima contagem elas chegavam a doze.
       - Doze! - Charlotte exclamou, olhando abismada quando Katie lhe contou os planos para o casamento naquela mesma noite.
       -  Sim... todas vestidas de cor-de-rosa, como suspiros - Katie disse solenemente, com ar de piada.
       - Como o qu? - De repente, percebendo que estava sendo provocada, ela entrou na brincadeira. - Tudo bem, eu concordo em cuidar delas e dar suporte a voc 
e ao papai, mas no vou usar cor-de-rosa ou tule de jeito nenhum.
       - De jeito nenhum - Katie concordou, seus olhos danando com alegria e amor.
       - Oh, estou to feliz que voc e papai tenham se encontrado! - Charlotte exclamou contente.
       Katie sorriu para ela, e ento olhou para o outro lado da sala de onde Seb as observava, com seus olhos brilhando de felicidade e amor.
       -  Eu tambm... - ela murmurou para Charlotte com carinho.
       
       FIM
       
       
       PENNY JORDAN escreve livros desde a adolescncia. Suas grandes paixes so filmes e livros. Uma incurvel romntica, chora quando vai ao cinema assistir a 
uma histria de amor. E est sempre apaixonada. Seja pela primavera, pelas flores que enfeitam sua janela ou pelo seu amado.
       



Penny Jordan                Mais que uma noite




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